Bollocks!

Processo de classificação do estudo amostral da aferição das aprendizagens do 2º, 5º e 8º anos /2021 — Informação destinada às direções e professores classificadores

(começam amanhã as convocatórias… e mandam o aviso para as escolas no domingo à noite!)

A Sério?

Duvido seriamente das aparentes certezas e o que observo e me é relatado fora de acções de propaganda é no sentido contrário. E só quem não entende que um desfasamento de seis ou mais meses na leccionação de uma disciplina significa um corte muito significativo é que pode achar que deixar uma disciplina no fim de Janeiro e retomá-la em meados de Setembro é boa ideia.

Sim, eu sei que por semestralidade se pode entender a organização do ano em dois semestres, mas não nos podemos esquecer da outra aplicação da semestralidade. Ou que a passagem de três para 2 momentos de avaliação formal se acabou por traduzir em muitos lados por quatro momentos de avaliação, mesmo que dois tenham outra designação.

No curto prazo, da avaliação instantânea, até poderá parecer que funciona, mas a médio prazo percebe-se que é necessário no ano seguinte estar a fazer uma – aqui sim – recuperação ou consolidação mais demorada das aprendizagens anteriores.

Não digo que não tenha algumas vantagens em termos de organização de horários, mas em termos de “aprendizagens” dos alunos, mantenho as minhas sérias reservas.

Aliás, para se verificar se acham que é mesmo assim, que as aprendizagens ficam a ganhar, e que esta não é uma medida destinada apenas ao que se consideram disciplinas “menores”, proponha-se lá a aplicação da semestralidade( no sentido da sua leccionação em alternativa) na Matemática e no Português.

Vantagens do modelo semestral, que já existe em 95 agrupamentos de escolas, são assinaladas por directores, professores e alunos. Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro garantiu que calendário escolar completará esta hipótese.

Domingo

Resta a quem parte pensar no tipo de “legado” que deixou e como ele está tão directa e quase exclusivamente ligado ao modo como conseguiu deixar uma marca na memória dos seus alunos. O “legado” de um professor é o que conseguiu ser na sua relação com os seus alunos. Não é, e tenho quase a certeza que nunca será, o currículo em matéria de “lideranças” (intermédias ou de topo), de desempenho de cargos de “supervisão” ou de elaboração de planos cheios de tabelas, metas e objectivos ou grelhas de registo e monitorização de actividades.