A Sério?

Duvido seriamente das aparentes certezas e o que observo e me é relatado fora de acções de propaganda é no sentido contrário. E só quem não entende que um desfasamento de seis ou mais meses na leccionação de uma disciplina significa um corte muito significativo é que pode achar que deixar uma disciplina no fim de Janeiro e retomá-la em meados de Setembro é boa ideia.

Sim, eu sei que por semestralidade se pode entender a organização do ano em dois semestres, mas não nos podemos esquecer da outra aplicação da semestralidade. Ou que a passagem de três para 2 momentos de avaliação formal se acabou por traduzir em muitos lados por quatro momentos de avaliação, mesmo que dois tenham outra designação.

No curto prazo, da avaliação instantânea, até poderá parecer que funciona, mas a médio prazo percebe-se que é necessário no ano seguinte estar a fazer uma – aqui sim – recuperação ou consolidação mais demorada das aprendizagens anteriores.

Não digo que não tenha algumas vantagens em termos de organização de horários, mas em termos de “aprendizagens” dos alunos, mantenho as minhas sérias reservas.

Aliás, para se verificar se acham que é mesmo assim, que as aprendizagens ficam a ganhar, e que esta não é uma medida destinada apenas ao que se consideram disciplinas “menores”, proponha-se lá a aplicação da semestralidade( no sentido da sua leccionação em alternativa) na Matemática e no Português.

Vantagens do modelo semestral, que já existe em 95 agrupamentos de escolas, são assinaladas por directores, professores e alunos. Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro garantiu que calendário escolar completará esta hipótese.

9 thoughts on “A Sério?

  1. Eu proponho desde já a Educação Física. Os mais gorditos fazem a época de Inverno pois têm reservas que cheguem, os outros fazem o Verão. Espera… talvez ao contrário…
    Pode alternar com História. Na linha do tempo o que é que seis mesitos lá para a frente ou lá para trás interessam!?

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  2. E as ditas disciplinas menores com semestralidade que “perderam horas” ?
    Vão se recuperadas as horas como antes da semestralidade? Agora em algumas escolas passaram a ser anuais novamente.

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  3. Semestralidade é mau em todos os aspectos. Nas aprendizagens dos alunos, nas interrupções letivas, na organização das férias , no aumento da carga burocrática, etc…etc

    Gostava de ver os professores das escolas piloto a expressarem a sua crítica sem constrangimentos.

    Diretores e ME é só lixo sonoro.

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  4. Uma coisa é a organização das disciplinas por semestre, outra é a organização do ano (com disciplinas anuais)…
    Da segunda opção (que já experimentámos, em situações adversas) parece-me bem…2 momentos (ou menos) de avaliação sumativa +2 momentos de avaliação formativa… interrupções letivas mais frequentes , o mesmo número de dias de aulas…

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  5. Temos muito insucesso escolar…
    … os professores não sabem avaliar, daí o MAIA;
    … os professores não sabem de inclusão, daí a Flexibilidade e Cidadania;
    … os professores não sabem usar as TIC, daí o plano digital;
    … os professores não sabem dar aulas, daí as metodologias ativas;
    … os professores não sabem como os alunos aprendem, daí o “aprender a aprender”;
    … os professores não sabem o que importa no séc. XXI, daí a troca dos conteúdos pelas competências;
    … os professores não sabem dirigir uma escola, daí a política (Diretor) na escola;
    … os professores não sabem nada, daí a ADD;
    (…) enfim
    Agora o problema do insucesso parece residir, também, na organização do ano letivo em semestres e não em trimestres, irra!
    1.º Não existe evidência científica que o processo de ensino e aprendizagem (EA) seja mais profícuo nas escolas organizadas em semestres (um único);
    2.º Uma vez que a carga horária e o currículo são os mesmos, logo sem consequências nas variáveis de eficácia pedagógica, não se entende a razão pela qual o processo EA venha a ser melhor;
    3.º Qualquer disciplina curricular funciona por unidades temáticas (curriculares, didáticas) que vão continuar a ser lecionadas com o mesmo recurso temporal.
    Gosto especialmente dos argumentos a favor dos semestres mais salientados na notícia de hoje no Público, “não encontro uma desvantagem”, ” a adesão de todas as escolas de um mesmo concelho é vista como positiva por alguns diretores e autarcas: acautela que não haja (…) constrangimentos na transferência de alunos de uma escola para outra, causados por diferenças nos momentos de avaliação”, “Mas não só, a opção em bloco também pode ajudar na organização (…) dos transportes e das refeições”, “Carla Tavares, presidente da autarquia da Amadora (…) acrescenta, que não fazia sentido, mesmo para as famílias, ter um filho numa escola organizada por períodos e outro numa por semestres”, “este processo permite uma ação mais focada no aluno”, “fazem mais trabalhos, mais projetos…”, dá-lhes mais responsabilidades e ferramentas para gerir esses projetos”.
    É só vantagens. E boas. Venham de lá esses semestres. Não quero ser apelidado de resistente e desadequado como li na notícia, cito, “Não nega que foi preciso vencer algumas resistências, mas que, à medida que o tempo passou, os professores passaram a abraçar cada vez mais ferramentas de ensino e instrumentos de avaliação que não exclusivamente os testes”, palavra do Sr. Diretor Bruno Santos, cujo agrupamento que dirige se encontra na cauda do Ranking das escolas. Vamos lá todos abraçar as ferramentas e os instrumentos… Vamos!

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  6. Temos muito insucesso escolar… logo…
    … os professores não sabem avaliar, daí o MAIA;
    … os professores não sabem de inclusão, daí a Flexibilidade e Cidadania;
    … os professores não sabem usar as TIC, daí o plano digital;
    … os professores não sabem dar aulas, daí as metodologias ativas;
    … os professores não sabem como os alunos aprendem, daí o “aprender a aprender”;
    … os professores não sabem o que importa no séc. XXI, daí a troca dos conteúdos pelas competências;
    … os professores não sabem dirigir uma escola, daí a política (Diretor) na escola;
    … os professores não sabem nada, daí a ADD;
    (…) enfim
    Agora o problema do insucesso parece residir, também, na organização do ano letivo em semestres e não em trimestres, irra!
    1.º Não existe evidência científica que o processo de ensino e aprendizagem (EA) seja mais profícuo nas escolas organizadas em semestres (um único);
    2.º Uma vez que a carga horária e o currículo são os mesmos, logo sem consequências nas variáveis de eficácia pedagógica, não se entende a razão pela qual o processo EA venha a ser melhor;
    3.º Qualquer disciplina curricular funciona por unidades temáticas (curriculares, didáticas) que vão continuar a ser lecionadas com o mesmo recurso temporal.
    Gosto especialmente dos argumentos a favor dos semestres mais salientados na notícia de hoje no Público, “não encontro uma desvantagem”, ” a adesão de todas as escolas de um mesmo concelho é vista como positiva por alguns diretores e autarcas: acautela que não haja (…) constrangimentos na transferência de alunos de uma escola para outra, causados por diferenças nos momentos de avaliação”, “Mas não só, a opção em bloco também pode ajudar na organização (…) dos transportes e das refeições”, “Carla Tavares, presidente da autarquia da Amadora (…) acrescenta, que não fazia sentido, mesmo para as famílias, ter um filho numa escola organizada por períodos e outro numa por semestres”, “este processo permite uma ação mais focada no aluno”, “fazem mais trabalhos, mais projetos…”, dá-lhes mais responsabilidades e ferramentas para gerir esses projetos”.
    É só vantagens. E boas. Venham de lá esses semestres. Não quero ser apelidado de resistente e desadequado como li na notícia, cito, “Não nega que foi preciso vencer algumas resistências, mas que, à medida que o tempo passou, os professores passaram a abraçar cada vez mais ferramentas de ensino e instrumentos de avaliação que não exclusivamente os testes”, palavra do Sr. Diretor Bruno Santos, cujo agrupamento que dirige se encontra na cauda do Ranking das escolas. Vamos lá todos abraçar as ferramentas e os instrumentos… Vamos!

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  7. as vantagens da semestralidade não superam as desvantagens pelo que discordo em absoluto deste modelo. Aliás, ainda não compreendi porque o calendário usado há tantos anos incomoda agora, o que faz pensar a semestralidade como um presente envenenado…

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