Levando Uma Carta Ao Ministro Tiago

Exmo. Senhor Ministro da Educação

Repleto de felicidade, tomei conhecimento da felicíssima decisão ministerial de organizar uma formação que visa construir uma “Happy School”.

É feliz a ideia! É feliz a iniciativa! É feliz o tema! E será também feliz o evento e, mormente, os seus resultados para a felicidade das escolas e, principalmente, dos nossos felicíssimos professores.

E o seu anúncio afigura-se também muito feliz, tanto mais quando corresponde a uma realidade realmente real!… De resto, altamente convicta do facto, a Direção-Geral da Administração Escolar, no seu festivo anúncio, proclama como principal virtualidade desta formação transformar a Escola não apenas numa organização feliz, mas numa organização «ainda mais Feliz» – repare-se bem: «ainda mais Feliz»!… É obra!… E merece as minhas mais vivas felicitações.

Mas – claro –, tratando-se de um empreendimento do Ministério da Educação, sempre empenhado no rigor da avaliação, falta nisto tudo algo que venho sugerir a V.ª Ex.ª: medir essa tamanha felicidade dos professores, que extravasando os muros das escolas, alastra agora a todo este ledo e risonho País, afortunadíssimo por ter à frente da educação dirigentes tão aptos e tão empenhados no acrescentamento do saber os nossos alunos.

Não me limitando a dar a ideia, disponibilizo-me, gratuitamente como é timbre dos trabalhadores docentes, para elaborar um pequeno questionário que permita medir esta transbordante felicidade: agora dos professores; dentro de poucos anos de uma pátria inteira, a colher, na ciência, na técnica e principalmente na economia, os suculentos frutos do retumbante sucesso escolar do presente!

A ideia é exequível. A minha contribuição, ainda que modesta, é gratuita. E os meios informáticos modernos, da novel era digital, facilitam a auscultação dos professores. Estes ficarão felicíssimos em poder expressar a dimensão da sua felicidade: pessoal e organizacional!

Está na hora de substituir esses odiosos “rankings” dos exames, por um índice da felicidade dos professores!

Está na hora!

Esse país altamente progressivo que é o Butão já adoptou como seu principal indicador de desenvolvimento, em vez do PIB, o índice da Felicidade Interna Bruta!

Está na hora de o Ministério da Educação, como grande motor avançado do progresso nacional, dar mais este passo em frente!

Eu, como docente laboriosamente feliz, estou ao inteiro dispor de V.ª Ex.ª, sempre em prol da felicidade de Portugal!

M. R.

6 opiniões sobre “Levando Uma Carta Ao Ministro Tiago

  1. Caro Magalhães

    O RIR é o partido do Tino de Rans. Se quiser candidatar-se às autárquicas, como alternativa poderá fundar o SORRIR.
    Toca a recolher 7500 assinaturas e pode contar comigo, desde já.

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  2. Muitos parabéns pela prosa. Já só o humor nos pode salvar!
    Eu não quero que se preocupem com a minha felicidade, sou mais modesta. Que tal uma preocupaçãozinha com a organização do trabalho e no horizonte a perspetiva de um novo ano letivo sem resmas de papelada para digerir, aplicar, refletir… Para depois voltar a mudar 😵! É que eu estou tão 🥵 que já nem consigo pensar em mais nada!

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  3. Ofereço-me para monitorizar a coisa, ajudar na construção da folhinha Excel ou SPSS, definir a estratégia de implementação em três etapas (a primeira, a segunda e a terceira), promover a avaliação intermédia (talvez duas intermédias e uma na ponta), o formulário online, a detecção dos pontos fortes ou fracos, ou se preferirmos as oportunidades e os constrangimentos, a apresentação de um paper no próximo congresso da gente feliz com lágrimas e … sei lá… talvez ir ao programa do Goucha.
    Obrigado.
    Eu.

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    1. Atenção, falta a organização de grupos de trabalho e subgrupos mais específicos! Tudo bem remunerado, como é da praxe.
      Para os subgrupos da Federação da Alegria no Trabalho seguem algumas sugestões: subgrupo do riso com um dente preto, grupo do sorriso amarelo, subgrupo das gargalhadas audíveis na sala de professores, grupinho dos risinhos escondidos, subgrupo do riso com os dentes todos, grupo do riso sem dentes, da felicidade congelada, da felicidade envelhecida, da felicidade das notas alteradas, do riso em contexto turma, do riso em contexto direção, etc., etc.

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