Otelo (1936-2021)

Não vou entrar em grandes considerações, porque estes são tempos muito propícios a elogios oportunistas e a ajustes de contas póstumos. Direi apenas que é um dos raríssimos casos em que o que lhe devemos supera, em muito, os erros que cometeu.

Mas é preciso perceber que eu cresci na zona onde ele teve mais de 40% dos votos em 1976.

6 thoughts on “Otelo (1936-2021)

  1. Desapareceu o ( um ) principal estratega do 25 Abril.
    Lamento com muita , muitíssima tristeza.
    Personagem ímpar que deixa muita saudade.
    Grande Otelo Saraiva de Carvalho !!!!!

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  2. A partir do dia 26 de abril, Otelo foi um cancro e tornou-se um terrorista responsável pelo assassinato de quase duas dezenas de pessoas.

    Ajudou a derrubar uma ditadura para instaurar outra.

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  3. Acabou por ser um pouco vítima de o colocarem numa posição em que as suas qualidades não vinham a propósito.
    Nesse situação, e dadas as dinâmicas sociais na época, era inevitável que uma certa ingenuidade desse origem a asneirada. Não é conhecimento novo e muitos foram os que, na altura, perceberam a candura que acompanhava o seu arrojo.
    Na maioria dos casos, quando ocorre esta confluência de circunstâncias, não se morre por aí além. Lidando-se com armas, é quase certo que se morra mais. E morreram nos dois lados da barricada, convém lembrar.
    É a história repetida do aprendiz de feiticeiro. É fácil cair nela porque os primeiros episódios costumam aparentar sucesso e induzir uma falsa segurança.
    O Rosmaninho, cuja ascendência filosófica remonta à escola cínica, decidiu azucrinar o cura neste Domingo e, postado à porta da Igreja, zurrou durante toda a homilia.
    Traduzo aqui a sua sonora argumentação:
    — Numa altura em que povos e governantes definem qual o número de baixas aceitável (danos colaterais, em linguagem militar) para manter a economia aberta em situação de pandemia, a avaliação justa de Otelo implicaria comparar o número de mortos alegadamente da sua responsabilidade no período pós-revolucionário com o que teria ocorrido no dia 24 de Abril, se o comando das operações não estivesse a seu cargo.
    Fiquei a pensar nesta aritmética e chego à conclusão que se o falecido amador de teatro tivesse optado por outro estilo de encenação — uma revolta de escravos, em vez da revolução dos cravos —, no dia da estreia muitos seriam os órfãos da Rua António Maria Cardoso, para mencionar apenas uma rua de Lisboa.

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