3ª Feira

Lá se vai falando, mas muito superficialmente, de assuntos um pouco mais sérios do que o Padrão dos Descobrimentos em matéria de “costumes”. O assédio sexual (e moral e tantos outros) no Ensino Superior é um assunto quase mudo, porque “fica mal” e porque, como alguém diz na peça, raramente dá em qualquer coisa. Não andando por lá há muito tempo, limito-me a ir ouvindo coisas episódios que se distinguem muito pouco do que conheci nos meus tempos. Episódios que se disfarçavam numa interesseira consensualidade dos envolvidos, porque havia quem abusasse de forma mais ou menos subtil ou concreta e quem se deixasse abusar porque achava que esse seria o caminho para uma ascensão na horizontal.

E a verdade é que em diversos casos, funcionou, que bem @s vejo por aí, pimponas e pimpões em posição de abusarem agora, quais sargentos da tropa durante a recruta. O que conheci – e parece ter mudado pouco – foi um ambiente em que quem não alinhava era depois objecto de tentativas de desmoralização pública ou de bastidores. Quantas vezes a prostituição intelectual ia paredes-meias com outros tipo de arranjinhos, em retiros mal disfarçados onde se praticava uma versão paupérrima do que os mais velhos tinham ouvido falar nas franças e outros países desenvolvidos. em nome de uma certa “liberdade de costumes” praticava-se outra coisa. E há quem ouça falar, é verdade que não em grandes gritos, em inclusão e defesa dos direitos da diversidade de género a gente que já é muito velha para ter deixado de ter uma mentalidade homofóbica, transfóbica, etc, etc, incluindo fortíssimos preconceitos de classe em que se dizia pelo triunfo do proletariado igualitário. Mas que não se pense que os benzósdeusquevãoàmissatodososdomingoseatécomungam eram muito melhores, só que, quando lhes faltava a falta de decoro, sobrava-lhes a má-língua das raposas que chamam verdes às uvas que lhes fazem escorrem a boca de tamanha saliva.

Sim, há muito assédio no Ensino Superior, por vezes a coberto de já serem tod@sadult@s, mas tantas outras a descoberto da pura e simples falta de vergonha aliada à falta de coragem e medo de quem receia passar de vítima a alvo de chacota.

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