Domingo

Os níveis elevadíssimos de vacinas a jovens revelam que a maioria da população não adere a discursos completamente alucinados e irracionais contra a Ciência (sim, escrevi com maiúscula de propósito). Isso não significa que não tenhamos reservas sobre a eficácia de vacinas preparadas em tempo recorde e que já se sabe não serem “definitivas”. o curioso é que, há umas boas semanas, quando tentei dizer num grupo de professores de uma rede social que a vacina (que levei e voltarei a ler se for necessária 3ª dose, porque as vantagens são muito maiores que os riscos) eram em grande parte um medicamento para prevenir os sintomas mais graves da pandemia, não garantindo por si só imunidade total, chamando-lhes mesmo um “mega-paracetamol”, houve quem me quisesse explicar que eu nem percebia o que era uma vacina.

A questão não era essa… era que aquilo a que estamos a chamar “vacina” é o que foi possível descobrir e produzir em massa em menos de um ano. É um feito imenso, apesar de eventuais falhas e aproveitamentos comerciais. Mas não é tudo. Ainda não é a solução que resolve tudo. os limiares de imunidade são uma espécie de horizontes criados para incentivar a vacinação, mas são fugidios e mudam conforme as variantes. ter esta noção, de que a Ciência atinge patamares provisórios nos seus avanços faz parte da natureza de um pensamento racional.

É tão irracional criticar a Ciência com um saber entre vários outros, como achar que ela atinge níveis de conhecimento absoluto. Não, é uma forma de conhecimento dinâmica e em permanente revisão. Já as crendices, superstições e algumas teorias da conspiração são “saberes” estáticos e prisioneiros de si mesmo, porque assentam em dogmas nascidos de uma Fé que não se questiona. A Ciência, a da maiúscula, questiona-se sempre e é assim que avança. Claro que haverá quem diga que esta adesão á vacinação é o resultado de uma imensa propaganda mediática nesse sentido. Neste caso, ainda bem. Desde que exista espaço para leitura críticas, fundamentadas, do que está em causa, ainda bem que a maioria optou pela vacinação dos mais jovens.

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