5ª Feira

Quem quer ser respeitado deve dar-se ao respeito é um daqueles ditos tradicionais, um lugar-comum como o que afirma que não se deve fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem. Vem isto a propósito do (des)respeito com que certos órgãos de gestão tratam os docentes em matéria de avaliação de desempenho. por estes dias, acompanho o trajecto de um punhado de reclamações e é notória a diferença de tratamento dispensado a quem exerce um direito estabelecido por lei, com procedimentos com regras e prazos a cumprir. Independentemente da substância das respostas, há uma clara diferença entre quem respeita os direitos dos professores, mesmo que deles discorde e quem ache que “está de férias”, pelo que os prazos ficam em suspenso até dar jeito responder a requerimentos e reclamações. Há o caso de um colega que recebeu em devido tempo a documentação que solicitou (e foi bem detalhada), outro que, tendo dado entrada da sua documentação pelos mesmos dias, nada recebeu sem ser que a SADD tem mais é que veranear 8os dois casos são do mesmo concelho, em agrupamentos que distam pouco mais de uma meia dúzia de quilómetros), e um terceiro que até a resposta à reclamação já recebeu, embora tivesse sido o último dos casos mencionados a enviá-la.

Repito que não está aqui sequer em causa o desfecho de cada reclamação, mas sim a forma como os poderes locais da gestão escolar se exercem de modo muito diferente e com uma noção muito diversa dos deveres que todos temos uns em relação aos outros. Até porque há quem se incomode em “interromper as férias” quando terceiros o fizeram para lhes resolver problemas bem complicados.

Mas, para usar agora um dito de origem mais cosmopolita, mas meio apócrifa no good deed goes umpunished. Parvo acaba por ser quem trata os outros com a consideração que gostava de merecer,

4 opiniões sobre “5ª Feira

  1. … ” Parvo acaba por ser quem trata os outros com a consideração que gostava de merecer. ”

    Não concordo , Paulo.
    A postura ,a honestidade ,as obrigações profissionais ,etc , não podem andar ao sabor do vento. Há que cumprir , mesmo que custe muito e por vezes prejudicando a própria família.
    Nem alguém honesto conseguiria fazer de outro modo.

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  2. “Escolas deviam testar a qualidade do ar”

    Com o novo ano letivo no horizonte, voltam as preocupações com a qualidade do ar nas salas de aula. Especialista em qualidade ambiental nos edifícios defende a medição de níveis de CO2 nas escolas.

    janelas e portas abertas. Esta vai continuar a ser a “tática” para renovar o ar nas salas de aula das escolas nacionais num momento em que se discute a necessidade de ter uma melhor qualidade do ar em locais fechados como forma de prevenir os contágios por SARS-CoV-2.

    Ao contrário de Inglaterra, onde no início de setembro vão começar a ser colocados medidores dessa qualidade do ar na escolas, em Portugal o início das aulas (agendado para a semana de 14 a 17) deverá acontecer com as mesmas regras do ano letivo passado: máscaras, sistema de bolha na turma (“um erro”, segundo Manuel Gameiro da Silva, professor catedrático da Universidade de Coimbra) e janelas e portas abertas para facilitar a renovação do ar. Mesmo que faça frio ou chuva. Situação, aliás, que nem é nova para muitos dos alunos do país, já habituados a usar casaco ou mantas durante as aulas.

    “Os medidores de CO2 fazem sentido nas escolas e em qualquer edifício. Com a variante Delta, a qualidade do ar assume uma importância ainda maior”, explica ao DN Manuel Gameiro da Silva, também especialista em qualidade ambiental nos edifícios, que acrescenta: “As recomendações da DGS que dizem que devemos ter ventilação natural não estão totalmente corretas. Quando temos ventilação natural, o valor máximo da taxa de renovação que conseguimos é de 2,5 a três renovações por hora. Quando queremos chegar às seis renovações, precisamos de ventilação mecânica”, diz. Apesar da mais-valia da vacinação, continua, “que diminui a possibilidade de infeção e garante uma letalidade menor, a verdade é que a transmissão não se altera se ficarmos infetados”.

    Questionado sobre a existência ou não de níveis mínimos de qualidade do ar nas escolas portuguesas, Manuel Gameiro da Silva não avança uma resposta concreta. Isto porque “em 2013, acabou-se com a obrigatoriedade das auditorias e, neste momento, deixámos de ter a possibilidade de saber o que é a qualidade do ar dos nossos edifícios. Deixámos de ter um sistema que nos permita fazer essa vigilância. Temos um contrassenso que é a existência de legislação das concentrações que não podem ser excedidas, mas depois nada disso é verificado na prática porque não há auditorias. Se as coisas não são verificadas, não sabemos o que temos nos nossos edifícios”, refere.

    O especialista em qualidade ambiental nos edifícios salienta o exemplo da Suécia, “semelhante a Portugal em número de habitantes”. “Os suecos optaram por uma forma de abordar a pandemia com menos medidas restritivas e, ao fim deste tempo, temos quase o mesmo nível de indicadores em número de infetados e de óbitos. A grande diferença é que, na Suécia, desde a década de 1980, todos os edifícios são verificados no que se refere à ventilação e qualidade do ar. Deve ter tido um efeito notório na diminuição de risco de contágio. E nos outros países nórdicos, como Noruega, Dinamarca e Finlândia, com medidas mais restritivas, mas também com o mesmo sistema de controlo da qualidade do ar, os números de infeções e óbitos são muito menos expressivos do que em Portugal” explica.

    Manter alunos nas salas para evitar cruzamento de turmas “é um erro”
    Para Manuel Gameiro da Silva, no último ano letivo “a forma como foi dito que as escolas deviam ser geridas em termos de qualidade do ar foi um processo muito desenhado admitindo que grande parte do contágio seria na transmissão por contacto”. “Neste momento, já não tenho dúvidas de que o principal veículo de transmissão da covid-19 é através de aerossóis”, afirma, defendendo um menor tempo de concentração de alunos dentro de espaços fechados. “Imaginemos que entra um aluno contaminado, a inalação de vírus pelos outros é muito maior na segunda hora em que estão em conjunto do que na primeira. Portanto, colocar alunos uma manhã inteira numa sala, sem intervalos, para evitar cruzamento de turmas é um erro. Uma asneira. É importante que os tempos em conjunto não sejam muito elevados. Nos intervalos, devem abrir-se janelas e portas, limpar os espaços e não se ultrapassar o tempo de uma hora sem intervalo”, sublinha.

    O professor catedrático da Universidade de Coimbra acredita ainda que a utilização de medidores de CO2 seria “uma grande ajuda no combate à pandemia”. “Os medidores não são caros. Por cem euros já se compra um bom equipamento e não é necessário instalar um medidor em cada sala, pois a ventilação e o sistema existente num espaço é normalmente igual às outras salas numa mesma escola. Os diretores podem fazer essas medições e, sabendo analisar os dados, é possível perceber que medidas podem tomar”, avança.

    Manuel Gameiro da Silva frisa ainda não ser necessário desligar o sistema de aquecimento. “O aquecimento não é uma fonte de vírus. Dar isso como recomendação geral, como foi feito até agora, é um erro”, afiança. O especialista salienta a necessidade de uma boa qualidade do ar, “não apenas no contexto pandémico, mas em qualquer altura, pois o próprio rendimento das atividades intelectuais depende da qualidade do ar”. “Ter alunos com muito frio, por exemplo, é perder níveis de concentração.

    “O problema está no número de alunos por turma”
    Já André Pestana, coordenador do Sindicato de Todos os Professores (STOP), defende não ser possível garantir uma boa qualidade do ar mantendo-se o número de alunos por turma. “A questão central que temos vindo a falar mesmo antes da pandemia é a do número de alunos por turma. Além da questão da aprendizagem, temos em algumas regiões do país situações em que se se abre a janela para renovar o ar, os alunos não aguentam o frio. Não há, também, como manter medidas de segurança com a atual ocupação das salas e não se entende a falta de verbas para se avançar com uma redução em contexto de pandemia”, explica, referindo-se ainda à recuperação de aprendizagens, que diz estar em causa quando “estruturalmente o número de alunos se vai manter igual”. Para o dirigente, o próximo ano letivo “vai manter os mesmos problemas no que se refere à ventilação e vai continuar a ser duvidosa a garantia da qualidade do ar”. “Abrir as janelas vai ter consequências para os alunos, pois o grau de atenção, com desconforto térmico, não é positivo”, sustenta.

    David Sousa, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), prevê ter “os mesmos problemas do ano letivo anterior”. “Teremos de agir como no ano que passou. Esta questão da qualidade do ar não tem que ver só com a pandemia. É um problema estrutural dos edifícios escolares. Há muitas escolas onde existe desconforto térmico nas situações de extremo calor ou de extremo frio”, explica, afirmando que estes problemas existem “até nas escolas intervencionadas pela Parque Escolar”. “Houve dificuldades de gestão do arejamento das salas de aula. O que foi feito foi um arejamento muito nos intervalos. O problema da qualidade do ar nas salas de aulas já se arrasta há muito tempo. Nos locais onde funcionam, houve uma melhoria com a colocação dos equipamentos para conforto térmico, mas com a covid foram desligados e teve de se recorrer ao arejamento natural. Não foi ultrapassado o problema. Foi uma gestão à portuguesa”, sublinha.
    O ideal era ter 15 alunos numa sala de 40 metros quadrados.

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