6ª Feira

Hoje é que é mesmo o dia do reencontro com a petizada. São os do ano passado, com mais 3 aquisições para substituir as saídas. O ministro Tiago, há uns dias, naquelas declarações pisca-pisca que gosta de fazer para mostrar que soube ler as instruções, ufanava-se com o aumento dos gastos por aluno no ano passado. Caramba, afinal sempre acabaram por comprar alguns computadores e, mesmo estando longe de ser material para uma verdadeira Escola Digital, custaram dinheiro e por certo aumentaram umas dezenas de euros por cabeça. Não é preciso fazer uma dança em cima disso, porque continuam a existir fortes limitações em termos de equipamentos e a largura de banda na escola continua uma estreiteza. Mas isso agora não interessa nada, que há gente muito entusiasmada com o DUA nascido há 50 anos e com o Maia que mais não é que recuperar toda a conversa sobre a avaliação formativa do início dos anos 90 do século passado. O ano começa velho e não é só por causa da idade dos professores.

4 thoughts on “6ª Feira

  1. A “recuperação das aprendizagens” é uma miragem, um horizonte imaginado, mas nunca alcançado. E não passará disso. E porquê? Para haver recuperação de alguma coisa é preciso ela ter existido antes e não ter sido esquecida. Deveria ser antes a “recuperação das memórias”.
    Como sabemos, há muitos anos a esta parte, os nossos + têm andado a brincar + ao faz-de-conta com coisas sérias, como a Escola e a Educação. Não se cresce a aprender e a ganhar competências e qualidades para a vida quando o que se pretende é atingir o máximo de resultados fabricados para se ficar bem no retrato da Europa com o mínimo objetivos, de trabalho e de esforço. O embrulho é bonito, e é fácil de o fazer, mas a caixa não tem nada dentro, só e tão só o vazio e o ar do esquecimento. E assim, vestidos com o brilho da aparência, continuamos a fingir que somos bons e modernos, porque realmente somos bons a convencermo-nos de que somos o que quiçá já fomos, mas já não somos. E que pena! Tínhamos tudo e tanto para dar certo – e ainda temos muitas coisas e pessoas boas, mas a quem é que isso interessa? Andamos mais a reboque dos outros, dos melhores, do que ao lado ou à frente deles. Dá menos trabalho e custa menos dinheiro, dinheiro que é poupado para os gananciosos e corruptos que têm arrastado o país por caminhos lamacentos e pouco consistentes.
    Não é disso que uma grande nação e um grande povo, um povo com alma, com cultura, com liberdade, com massa crítica e com autodeterminação devem ser feitos. Uma grande nação não se mede pelo tamanho da sua geografia, nem das suas riquezas e belezas naturais, nem tão pouco pelo número de santos, celebridades e caras lindas que produziu, porque há geografias grandes que são pequeninas nações e geografias pequeninas que são grandes nações. E como nós, também tiveram uma grande História, mas a diferença é que aprenderam a honrar essa História, o seu passado e o legado dos seus antepassados, e com o tempo evoluíram com o capital de conhecimento e de riqueza acumulado, subindo as fasquias dos objetivos a atingir, nunca se ficando pelo mínimo e essencial, pelo contrário, daí partiram abrindo e criando novos e variados caminhos, alargando os horizontes, sendo práticos e pragmáticos, respeitando e valorizando os novos e os velhos, para o bem e o melhor de todos, com coragem, com inteligência e com sentido de humanismo.
    É isso que eu penso sempre que falam de “recuperação de aprendizagens”. E sei que não estou só neste pensamento, e até podia citar aqui algumas ideias e pensamentos de sábios filósofos, escritores, cientistas ou historiadores, cuja sabedoria deveria ser a nossa luz, mas não será preciso lembrar aquilo que todos sabemos, mas que muitos de entre nós esquecemos.

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