6ª Feira

Parece que ninguém se interrogou ainda sobre o trajecto que levou a que um tipo de 60 anos fizesse uns vídeos próprios para um programa televisivo idiota daqueles que passam vídeos idiotas para todos (incluindo as “personalidades” escolhidas para os apresentar) se riem da idiotice. Que ele tenha chegado a uma escola como professor de Economia e Direito é algo cujas origens também não parece despertar curiosidade. Até agora, nunca teria feito o que fez, sugerir que seguissem o seu “canal”? Só destrambelhou agora? A questão do desequilíbrio da “saúde mental” só desperta emoções se for com uma jovem adulta hiper-medalhada? Neste caso, apenas sobra embaraço, vergonha e dedo apontado, por muito que o mereça? Este padrão de comportamento surgiu do nada?

Porque não me parece ser caso único (e nem vale muito falar de outro tipo de evidentes desvios comportamentais que – já posso escrever sobre isso? – aguentei recentemente como encarregado de educação), nem as estatísticas achariam normal que entre mais de 100.000 indivíduos, não existissem uns pontinhos percentuais de gente insana. Claro que há graus de insanidade e, conhecendo a minha (que nunca se traduziu em vídeos ou selfies no wc a fazer bico de pato com qualquer parte da minha anatomia), o importante é mantê-la longe dos outros até ao limite das nossas forças.

O que seria curioso, mas apenas porque sou um tipo mesmo chato, era ver como foi o desempenho desta pessoa em anos lectivos anteriores, se foram detectados alguns sinais de alarme ou se a indiferença venceu e tudo acabou com um “bom” ali bem espetado na ficha da add, bem igual ao de tanta outra gente que faz coisas excelentes, mas não cabe no buraco da agulha.

17 thoughts on “6ª Feira

  1. Normalmente o que se aconselha é: “de baixa em baixa até à reforma final”. No entanto, acho que o sistema impõe um mínimo de um mês de exercício efetivo de funções para se ter direito à prestação por doença. Deve ser neste período de acesso às salas de aula que casos como este surgem em todo o seu esplendor.
    Mas também digo que com a míngua de professores que por aí se vai avolumando mais casos destes acabarão por surgir. Longe vão os tempos em que a Milu e o Crato queriam escolher os melhores com a PACC. Acredito que lá por Lisboa ou pelo Alentejo profundo algum diretor já tenha introduzido um pedido de horário do grupo 430 para contratação de escola com o seguinte critério: “Condição preferencial: experiência comprovada na utilização de redes sociais para autopromoção”. Há muitos agrupamentos que precisam de maior visibilidade e aposto que o do Lemos já captou a atenção do SE Costa. Para quando uma visita física ou virtual?

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    1. A PACC não escolheria os melhores, muito menos em termos de saúde mental.
      O que está em causa é que, pelo que se vai sabendo, a figura era conhecida, assim como alguns comportamentos.
      Não surgiu ali vindo do nada.
      Além disso, pelas disciplinas que dá, deve ser professor a exercer quase em exclusivo no Secundário.
      Como foi, no passado recente, o seu comportamento e desempenho?
      Ou apenas o “varreram” e outros que tratassem do problema?

      Sim, com a míngua que por aí anda, começam a chegar ás escolas, em especial em grupos mais carenciados, figuras que vão muito para além da excentricidade. O que me aflige é que quem tanto gosta de avaliar “com rigor” o desempenho de uns, depois fuja a tratar destas situações.

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  2. Não lhe pediram o atestado de robustez física e psíquica para o exercício de funções docentes?
    Excentricidades e míngua não são coisas novas. A última faz parte das minhas memórias já construídas neste século. As primeiras têm pontualmente andado por aí.
    Nova e já com um certo cheiro bafiento é esta tendência à “amplificação”.

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  3. Há muito tempo que deixaram de pedir o atestado de robustez física e psíquica! Em qualquer circunstância, há comportamentos inadmissíveis e têm que ser resolvidos! Pode ser que o Sr. queira desse modo, fugir do ensino! Já que há tanta escassez de professores e é tão difícil conseguir o reconhecimento da incapacidade….

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  4. Este colega já em grupos de professores em que participava no Facebook aparentava não ter muita sanidade mental. Por lá há quem diga que a situação já não é nova. Por muito que se queira respeitar a liberdade de expressão de cada um, também se sente vergonha alheia numa situação destas em que um colega se expõe ao ridículo. Vê-se que não está bem e age para mal dele próprio. Acho que sim, que o professor já devia ter sido retirado da profissão, ou tratado, e não pelos vistos, chutado de escola em escola. Quantas situações destas não conhecemos, que se mantém como professores para andarem sempre a meter baixa, porque não aguentam ou para sujeitarem os seus alunos aos seus problemas?! Acho que todos conhecemos uma ou outra situação assim e tem de haver uma resposta para estas pessoas, nem que seja colocá-los noutro serviço.

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  5. E a idade de reforma não deveria ser mais baixa?
    Não deveria permitir que as pessoas se retirassem com alguma saúde e dignidade?
    É que, queiramos ou não, a idade e as suas mazelas numa profissão de desgaste rápido levam as pessoas a fazer figuras penosas numa profissão de exposição pessoal permanente!
    A crueldade para quem não é novo, bonito e medalhado extrema-se.

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    1. 100% de acordo!
      Levar velhos a aturar putos quase até aos 70 anos dá nisto!
      E compaixão não há? Concretamente, o que fazer? Obrigar a meter baixa? E depois? A junta considera apto para trabalhar! E depois? Voltamos ao mesmo…

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  6. Desculpem. Mas falam de quem, fez o quê? Do escrito do Paulo, só me importa a questão: um tipo destes também já terá passado pelo crivo do 5º e 7º escalões, ou seja, ao seu acesso? Isso é , para mim, o mais pertinente. Porque conheço casos que deveriam nem sequer ser professores, deveriam estar a ter outras tarefas, e as escolas não deixam, não podem, etc. Podemos estar a enlouquecer, caso do tal colega? , e nem assim dão reforma por invalidez. E conheço casos que bem o mereciam pois a doença mental chega a todos e aos professores, também. Afinal, que aconteceu?

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  7. Não seria também pertinente discutir-se o que se pode fazer quando alguém com uma sanidade mental duvidosa chega a Diretor de uma escola ou agrupamento?
    Ouvimos falar de situações de loucura tal na distribuição de serviço, nos horários, na perseguição aos que não lhes lambem as botas, que concluímos que tal cargo parece atrair alguns “psicopatas” que detestam a sala de aula e o cheiro a “aluno”.

    Em casos em que uma grande parte do corpo docente tenta concorrer para sair da escola (às dezenas, por vezes mais de uma centena) que (entre dentes) relatam que têm medo de não ser colocados, porque vão sofrer quatro anos de retaliações, o que se passará?

    Se neste caso o Diretor estrava lá para mover o processo disciplinar ao docente doente, quem o faz quando o doente, o perseguidor, é o próprio diretor?
    Neste momento em que parece começar a discutir-se a sanidade mental de forma mais séria, que tal começar-se a pensar em só deixar chegar a certos cargos quem revele um certo equilíbrio mental?

    Se começarem a fazer um “inventário” de ocupantes de altos cargos que revelam enormes distúrbios psiquiátricos, com consequências nefastas para o bem estar de quem trabalha nessas instituições, chegaremos a conclusões inquietantes.
    Nestes casos, os problemas são mesmo “transmissíveis” com impactos terríveis no bem estar profissional e pessoal de quem está lá a tentar trabalhar.

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