Será Outro Problema “Complexo”, Senhor Secretário?

Ter a gestão das escolas e da avaliação do desempenho dos professores entregue, em muitos locais, a gente que nem sequer ouviu falar do Código do Procedimento Administrativo? A alguns antigos, que lá estão antes de existir o Código de Hammurabi, eu ainda entendo, mas gente “nova”, que anda a entrar para os cargos agora? Não tiveram de fazer um curso qualquer? Eu sei que até pode ser online, desde que paguem, mas pelo menos convinha que algumas “chefias intermédias” percebessem ao que andam, em especial quando acham que devem fazer parte de uma SADD que, como ainda me aconteceu há não muito tempo, nem umas contra-alegações sabem alinhavar em condições e em tempo legal. Ou nomear um árbitro em condições, sem evidente incompatibilidade de funções ou conflito de interesses (lembra a alguém com um mínimo de sensatez nomear para arbitrar um recurso alguém que concorreu directamente por vagas com o recorrente?). Raios, o DR 26/2012 operacionaliza uma lógica abjecta de controle da progressão na carreira, mas ainda por lá ficam umas réstias de garantias para os avaliados, em especial quando articuladas com o CPA (“CPA, o que é isso, colega?”). E não é assim tão complicado de ler aquela meia dúzia de artigos.

O senhor secretário, em toda a sua imensa sabedoria e desdobramento em matéria de presença de “proximidade” junto dos seus comissários políticos, poderia recomendar a algumas figurinhas do círculo exterior da sua “corte” que ao menos se informassem antes de se candidatarem ou aceitarem certos cargos? Porque quem lixa o próximo sem pudor (e culpa a lei), não pode depois pedir “boa vontade” quando mete os cotovelos pelos artelhos (por não saber o que diz a lei que antes fez que citou).

Em seu tempo, abandonarei a técnica do “vocês sabem que eu sei que vocês sabem que eu sei”, porque há coisas que só mesmo com muita paciência dá para aturar.

Quanto ao senhor secretário, já que abocanhou praticamente todas as funções que antes eram da secretária Leitão, que tal não fingir que nada do que se anda a passar é com ele? Fazer algo de relevante em vez de andar a webinar de um lado para o outro cheio de sorrisinhos?

Cidadania nas escolas? Nada como ensinar pelo exemplo.

6ª Feira

Ontem, pouco depois da meia noite, nos canais noticiosos parecia que tinha sido derrubada uma qualquer ínvia ditadura, a propósito da reabertura de bares e discotecas, sem especiais medidas de prevenção da pandemia. Em entrevistas de fino recorte informativo, algumas jovens adultas (por qualquer razão, vi em especial raparigas), revelavam toda a sua felicidade por já poderem beber uns copos e dançar fora de casa. Viva, pois, a Pátria está salva!

Foi um ano e meio muito duro, foi quase como atravessar o deserto em busca de um bote precário no Mediterrâneo ou escapar a pé de um cativeiro do Daesh, quiçá mesmo comer amendoins com casca.

Como ontem escrevia o José Eduardo Martins, na sequência dos votos “criativos” no PAN com florinhas e árvores, realmente há alturas em que apetece fugir daqui, qual Rendeiro.