Rangel, Quase Liberal De Esquerda?

Calhei ouvir boa parte do discurso de apresentação da candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD e o que mais ouvi foi falar em “igualdade” e criticar as “desigualdades”. Ouvi falar na necessidade de mobilidade social, do “elevador social” e em críticas às “elites” de todos os tipos ao carácter “aristocrático” da sociedade portuguesa. Por momentos, pensei que era uma intervenção bloquista no Parlamento. Depois, quando ele chegou aos “três eixos” de acção, desliguei, pois começou a elencar (como agora se diz) os apoios que já congregou (uma palavra mais gira que “juntou”) e começou a falar em cristãos sociais, liberais, conservadores e aquilo passou a parecer uma espécie de promoção de uma casa da mariquinhas, desculpem, de um albergue castelhano.

(o senhor do espesso semanário cansou-se, finalmente, do rio?)

Secção “Maravilhas Da ADD” – 2

Eu sei que há quem diga que a add não é o problema maior, que é o modelo único, não democrático, de gestão escolar e eu concordo. Mas já lá chego. Entretanto, concedam-me uns minutos para mais uma aberração processual de que tomei conhecimento.

O árbitro de um@ recorrente pede o acesso a alguns documentos para elaborar o seu parecer (nada de especial, apenas a reclamação original, a resposta e pouco mais). Após semanas (!) recebe a comunicação – no dia X – de um@ pcg a dizer que já “há dias” tinha comunicado que os documentos estavam no cofre da escola, em envelope fechado, e só podiam ser acedidos presencialmente pelo árbitro ou pelo recorrente com procuração daquele (!!). Não interessa agora, sequer – ao ponto a que isto chegou -, demonstrar que essa comunicação nunca existiu.

Após peripécias por demais caricatas, lá se consegue abrir o envelope e… as cópias dos documentos originais estão carimbadas e rubricadas pel@ tal pcg com a data do dia X+2.

Acham isto um pormenor?

Que nada tem a ver com o modelo de gestão escolar?

Que não faz falta um verdadeiro código deontológico para a profissão?

Pensem de novo.

Isto só é possível porque a gestão escolar entrou em alguns recantos deste rectângulo num completo desnorte, misto de arrogância, displicência e incompetência, para não lhe chamar coisas mais exactas. Tudo com “coatas quentes” porque internamente toda a gente faz parte da “equipa” e exteriormente, a ige diz que não é com eles e remete para a dgae e a dgae responde, de forma redonda, remetendo para a legislação em vigor. Acreditem, num recurso anterior, foi mesmo isto que aconteceu porque a dgae, depois de implodida, tornou-se uma extensão dos humores políticos que mandam, claro que sem rasto documental, não desautorizar as lideranças locais, em especial as que seguem fielmente os éditos do secretário.

A add não tem nada a ver com a gestão escolar? Tem tudo.

A add não tem nada a ver com os actuais governantes que a não criaram e desconhecem estas situações? Tem tudo a ver, porque não se pode alegar desconhecimento de algo que enxameia o sistema de ensino público. Mesmo se existem exemplos de extrema competência e correcção, que também se encontram. Pois nem toda a gente é assim tão deprimente.

6ª Feira

A indigência conceptual e a miopia ideológica das orientações superiores e das formações arianistas são mesmo à medida da mediocridade de algumas elites locais, enquistadas no poder, pois conseguem alinhavar meia dúzia de parágrafos no (neo?) eduquês do costismo educacional. Tudo com chancela de uma OCDE seduzida por convites cruzados e um CNE cuja vetustez faz a classe docente parecer jovem.