4ª Feira

Há umas semanas para o Jornal de Letras escrevi um texto em que questionava se continua a valer ir à escola e para mais tantos anos. “Que disparate!” foi a reacção de alguns cortesãos do costismo educacional. O problema é que os factos e as “evidências” estão por aí: “Prémio salarial da escolaridade está a cair para os mais jovens”. E muitos dos que trabalham, são empurrados para ocupações abaixo das suas qualificações, porque o nosso mercado de trabalho é mais para caixas de supermercado e empregados de lojas de telemóveis, sem desprimor para quem faz isso com profissionalismo. A escolaridade obrigatória de doze anos seria um progresso mais notório, se muita gente pudesse ver nisso algo de útil para a sua vida e não apenas uma estratégia para diferir inconseguimentos em tantas áreas da governação que nem com bazuca se libertarão dos velhos vícios de dar de comer sempre aos do costume, mais ou menos rotativismo, maior ou menor arco da governabilidade.

6 thoughts on “4ª Feira

  1. Pior do que a escolaridade obrigatória tão alargads não ser boa, é ser má. É que, como é preciso manter os alunos até ao dezoito anos, a pressão para o sucesso artificial e para a complacência com a indisciplina aumenta. Estou a pensar especificamente no secundário, em que a qualidade do ensino e do ambiente de aprendizagem decai a olhos vistos, de ano para ano, sendo que há outros factores, mas que, de modo directo ou não, se ligam com o que está em apreço. No entanto, há um efeito sobre o próprio básico: se os miúdos vão ter que estar na escola até aos 18, se o nível do secundário baixou, há também pressão para que no terceiro ciclo, sobretudo, a ordem seja para passar, passar, passar.

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    1. Passar, passar, passar sem saber o mínimo indispensável para transitar para o nível seguinte. Em termos de qualidade do ensino, o efeito é de bola de neve. Daí que os efeitos se façam sentir no superior, também.

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  2. Exato! E no país, e no futuro e na qualidade da nossa vida! Tudo está ligado. A formação académica e moral são pilares cruciais de uma sociedade.

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  3. O mito de que a escola era o principal motor do elevador social. E mais uma vez os agentes educativos aceitaram a albarda e julgara-me que era uma promoção. Não demorou muito para que grande parte dos adolescentes percebesse que não era. Gostar de ir à escola gostam, mas não é por causa das aulas.
    Agora percebe-se que, para interromper o ciclo da pobreza, não basta que a geração seguinte vá à escola.

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