Concordo

Embora mesmo em cursos de licenciatura em História, pelo que vejo dos programas, Grécia e Roma já sejam dadas em modo “generalista” e liofilizado. Dizem que é por causa dos semestres bolonheses. Uma rematada porcaria.

Grécia e Roma não eram cidades perfeitas, tinham escravatura e todo o tipo de discriminação, diferenças sociais e modelos conflituais, mas temos de entendê-las nesse contexto. Não podemos é proclamar que, hoje, não podemos ler Tucídides. Antes de ler a Antígona, de Sófocles, o professor precisa de avisar que há um suicídio, porque o estudante pode não querer ser violentado pelo texto? Esta hipervitimização leva à formação de indivíduos não responsáveis. O mundo tem dimensões luminosas e obscuras com as quais é necessário ter contacto, como é o caso da realidade brutal do genocídio, do Holocausto, do genocídio arménio…

Faz parte da formação?
Sim, quem obscurece, quem não conhece aquilo que são as contradições do passado pode cometer muito mais atos deste tipo no futuro. Se nunca forem confrontadas com essas realidades, as pessoas não conseguirão encontrar mecanismos para lidar com isso. Estamos a criar uma sociedade em que todos são vítimas e acusam os outros de criminosos e de predadores, e isso é altamente destrutivo.

Se Bem Percebi…

… uma das grandes glórias argumentativas de Costa, o António, na sua intervenção parlamentar de hoje foi dizer que os funcionários públicos vão para 5 anos sem congelamento (apesar de ter legitimado o surripianço de mais do que isso no caso do serviço dos docentes). Portanto, o que deveria ser uma regra básica a cumprir, salvo excepções muito localizadas, é apresentada como uma grande concessão. Realmente, o que há a esperar desta malta que enche gabinetes com dezenas de aparelhistas da jota, pagos como se estivessem no topo de uma carreira, quando mal saíram dos cueiros?

Veja-se o gabinete do Tiago… há uns anos, a chefe do dito, que tinha sido estagiária há 15 anos do notável advogado João Pedroso, levava mais de 2600 euros líquidos (fora suplementos). Agora já é secretária de Estado. E qualquer adjunt@ leva mais do que qualquer professor no mítico topo de carreira, incluindo as senhoras que ainda estão a chegar aos 40 anos e já lá estão desde há quase meia dúzia de anos. Aliás, até qualquer técnico especialista do secretário João leva(va) isso, incluindo um jovem que aos 25 anos já fazia sombra a qualquer arcaico docente.

E querem que levemos a sério esta treta toda, esta dramatização pífia que parece saída de um cabaret de escassa fama e menor qualidade no desempenho?

E ainda me aparece uma daquelas “especialistas” em economia para totós na RTP3 (Helena Garrido, para que conste, que de isenção nestas matérias tem tanto como certos árbitros silvanos) a fazer a lista de tanta coisa boa que os pensionistas vão deixar de ter se não existir Orçamento como um pletórico aumento de 10 euros mensais?

O Debate Do Dia

Em trânsito, ouvi parte do debate de hoje. Costa, o António só deu uma de “animal feroz” com Rui Rio, até ao momento em que ouvi. Desfez-se em elogios para Ana Catarina Mendes e esteve bastante mavioso com Catarina Martins (cuja intervenção começou bastante bem, mas acabou um bocado chocha) e com o camarada Jerónimo (que disse o que se esperava, no tom que se esperava, com o efeito que se esperava). Garantiu que não se demitia como se fosse um acto de coragem equivalente a atacar sozinho uma trincheira na Grande Guerra. Por agora, online, ouvem-se uns salpicos provocatórios do Ventura, que talvez despertem aquela animosidade tão contida do actual PM com as “esquerdas”.

3ª Feira

Se as eleições antecipadas só interessam ao PS, porque anda tanta barata tonta na área mediática cor de rosa a espernear contra as ditas. Não me venham dizer que é por causa de uma atitude de “responsabilidade”, porque a maioria dest@s menin@s o que teme é outra coisa, ter de aumentar o nível de partilha do bolo. Parece que o PCP deixou de achar que um par de arquivos históricos não vale um punhado de câmaras.

(a grande novidade é que, mesmo com a imensa apatia de Cavaco durante o primeiro mandato de Sócrates, nenhum Governo teve um amigo tão afável na Presidência)