Uma Coisa (Entre Muitas Outras) Que Me Irrita Em Cert@s Especialistas Em Educação Para Totós…

… é que parecem incapazes de compreender a frustração que se sente quando se fazem todos os possíveis para envolver os alunos no processo que deveria levar à realização de aprendizagens e eles pura e simplesmente se estão nas tintas, porque não encontram qualquer vantagem imediata e objectiva nisso. Já sei,,, a culpa é de quem não os sabe motivar, de quem não lhes sabe explicar os porquês, de quem não usa as “ferramentas” certas para o conseguir.

(já agora, gostava mesmo de saber se aquela da avaliação por rubricas funciona com certos perfis de alunos…)

Estou farto, fartinho de ler e ouvir aqueles seres superiores, que de prática docente efectiva no Ensino Básico têm umas raspinhas ou apenas memórias distantes, a explicarem-me como devo fazer o que estou mais do que pintado de fazer, sem que isso aqueça ou arrefeça quem não encontra sentido – não na escola em si – mas numa sociedade que não recompensa de forma adequada um comportamento responsável e disciplinado de alunos que desenvolvam aprendizagens medianas ou mesmo boas, mas que careça dos conhecimentos certos para seguir em frente. Sendo que se tiver os ditos conhecimentos, pode ser um vândalo que sempre se irá safar. Enquanto o aplicadinho acabará, se tiver sorte, num emprego precário e mal pago?

Porque o problema do “sentido” é apresentado quase sempre ao contrário. Como se fosse a escola que tivesse de fazer sentido para alunos que depois enfrentam contextos nos quais o sucesso não depende das notas na escola, mas de outros factores. Contextos em que a métrica do “sucesso” e/ou popularidade obedecem a uma lógica assente em cliques, likes e visualizações. Já pensaram que o “sentido” não se perdeu na Escola, mas ao seu redor e que é um erro querer que ela se adapte de forma a compatibilizar-se com a superficialidade da espuma dos dias ou que prepare os alunos apenas aceitarem como normal o que é uma evidente regressão dos direitos sociais e laborais?

Os professores não se sentem frustrados por não entenderem os alunos. Pelo menos no meu caso, sinto uma enorme frustração é por existir toda uma superestrutura ideológica que tenta normalizar os alunos de acordo com padrões mínimos, desculpabilizando-os de tudo e mais alguma tropelia, ao mesmo tempo que os ilude com ambições imensas que na maioria dos casos não serão concretizadas. A Escola não faz sentido para os alunos? Ou será que o quotidiano de muita gente perdeu o sentido, pelo que a Escola apenas está a ir com a água suja do banho?

Se é que me faço entender aos comuns mortais.

Porque sei, de certeza certa, que aos especialistas do costume (e instantâneas sumidades peraltas na matéria) não me consigo fazer entender.

5 opiniões sobre “Uma Coisa (Entre Muitas Outras) Que Me Irrita Em Cert@s Especialistas Em Educação Para Totós…

  1. Mais uma vez, certeiro 🎯 Mas, claro que toda essa desculpabilização interessa, para manter uma camada da população ignorante e subjugada a empregos miseráveis. Os outros, bem os outros têm outros caminhos em aberto, desde uma boa formação, passando pelas influências e /ou cartão do partido, o que permite passar de pais para filhos, os bons lugares.

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  2. Caro Paulo,
    Quanta verdade tem escrito sempre.
    Quanta verdade continua a escrever.
    Quão grato estou por tudo o que tem escrito, e continua a escrever.
    Com coragem, com foco e lisura.
    Palavras entroncadas na verdade que muitos de nós reconhecemos, mas que deixamos de dar reforço porque nós encontramos fragilizados, já quase sem ânimo para aguentar tão pesada cruz.
    A maldade que nos tem sido feita é tão grande, que por vezes acaba por ter implicações no nosso estado de saúde psicológico e mesmo físico.
    Eu próprio me tenho recolhido, por já não sentir com as forças que sempre tive, mas que se desvaneceram com o aparecimento de doença grave e inopinada.
    Ser professor já não é uma profissão saudável e estimulante.
    Ser professor com uma guilhotina ameaçadora, é horrível.
    Mas, mesmo assim, ensinar continua a ser o que anima.
    As DAC, CIDADANIAS, PRESSES,… apenas acontecerão se tal for possível, sem perder o foco no essencial… Ensinar.

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  3. Atrevo-me a fazer um reparo: os “padrões mínimos” em 1992 chamavam-se “objectivos mínimos” e actualmente “aprendizagens essenciais”.

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  4. Parece-me que o problema não existe numa boa formação, mas sim num conjunto muito sério de motivações, de novas experiências e possibilidades de inovar sem termos que obrigatoriamente obedecer a um programa, a objetivos e a tantas mordomias, que não nos deixam espaço nem tempo para desenvolver na criança a sua criação como ser humano, o seu espírito crítico e o seu desenvolvimento artístico. Deixem os programas meus caros!…

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