6ª Feira

Passaram o quê? Sete semanas, já? Pareceram lentas, mas ao mesmo tempo acabou por ser o tédio a assegurar-me uma sobrevivência que, confesso, no início de Setembro, não achava ter garantida. Não o tédio nascido do nada acontecer e da rotina instalada, ponto final, mas o tédio do “olhem tanta coisa nova, mas que parecem coisas velhas e apresentadas por quem até parece que nem as percebe bem como eu as aprendi há 25 anos”. O tédio nascido da novidade velha, que faz quase desligar o cérebro e assim conseguir alguma imunidade contra a imbecilidade, a idiotice e a redundância. Sim, há algo que fenece cá por dentro, mas ao menos isso permite que o resto consiga resistir e manter o interesse por tudo que, fora do parolismo intelectual em que se transformou a Educação entre nós, vale ainda a pena desfrutar. Afinal, há muita vida para além dos portões, como sempre existiu. O erro foi, em dado momento, pensar-se que se podia mudar algo de relevante contra a maré de embrutecimento.

A liberdade também se atinge pela negativa. Ou seja, o não fazermos algo a que nos querem obrigar e assim ficarmos com disponibilidade para outro tipo de voos. Até porque os tempos são de aves de rapina, mas daquelas que voam baixinho. E assim, sempre as podemos observar com inegável desinteresse.

8 opiniões sobre “6ª Feira

  1. Uma vez perguntei a uma cigana com quem tinha relativa confiança, quantas “lenga-lengas” sabia. Ela respondeu-me que, afinal, sabia poucas, mas que misturava umas com outras e isso permitia-lhe ler a sina a quantas pessoas aparecessem…

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  2. Essas aves de rapina podem voar baixinho, mas não conseguimos desferir-lhes os desejáveis pontapés. Entretanto, vão dando as suaa bicadas e arrancando-nos a carne das pernas (e do coração).

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  3. Apesar de já não comentar aqui no Quintal há muito, venho aqui todos os dias. Tenho imenso respeito pelo Paulo, já desde o Umbigo e revejo-me em quase tudo o que escreve. Também eu lamento o descaminho da Escola e procuro sobreviver. Se calhar, ter deixado de escrever aqui foi uma forma de sobrevivência. Ainda gosto de ensinar, mas a escola é agora um lugar de clausura e de ditaduras várias. Irrespirável. Não deixa de ser estranho que tudo isto tenha começado com a mão esquerda de uma Maria de Lurdes. Espero que o PS perca. E que o tempo passe para eu envelhecer e sair.

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  4. É tão triste falarmos assim. E mais triste ainda é ser completa verdade, daquelas que vem do âmago. Impotentes para qualquer mudança positiva. Os sonhos morreram 😦

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  5. Último parágrafo, precisamente!
    Quem pensa que pode mudar alguma coisa, esqueça. Trate mas é da sua saúde e da sua família. Pessoa não entra nesta equação – as almas são GRANDES, mas não vale mesmo a pena…
    Quem vier atrás que feche a porta. A educação está uma m@rda, mas os portugueses gostam de ser enganados. Pois se o Tiaguinho e os Costas dizem que está tudo bem…

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  6. O pior é a angústia de não se poder mudar nada, de estarmos cada vez mais presos e enredados nas “teorias da treta” desses vendilhões…sabemos, porque estamos no terreno.
    Tiraram sentido ao acto de ensinar. Cortaram em pedacinhos o ensino e fazem tiro ao alvo ao professor que está mais esburacado que uma grelha de malha larga.
    Pobres alunos!

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