3ª Feira

Ontem, um dos colegas mais novos das minhas bandas, desterrado de terras mais frias para o deserto, mostrou-me os 215 testes que tem para ver, que é a maravilha de se ter 9 turmas a 2 tempos semanais e mesmo assim ter horário incompleto, a menos que tenha DTurma. Claro que eu devia ter inquirido se estava tudo pronto para avaliação por rubricas, que é a forma que o shôr doutor do Maia, mail’as suas embaixadoras e embaixadores consideram a mais adequada para passarmos da “classificação à avaliação” mais o fiodobéque que os carregue, sem desprimor para algumas boas pessoas que andam por lá ao abrigo de praticar o que verbejam. Porque muito verbeja quem não trabeja (isto foi só para bersejar…).

(o rapaz até tem a sua sorte, porque se levasse com turmas como as minhas a 27 e 28 alunos, até os ossos lhe vergavam com 250 testes)

5 opiniões sobre “3ª Feira

  1. MAIA

    A primeira sensação de que um novo e mais brilhante mundo se abria para a sua experimentação foi através dos trinados cristalinos dos pássaros que chegaram através da janela da sala de partos. Longe dos sons abafados e compassados a que estava habituada, esta nova experiência fazia-a sonhar com um universo de acontecimentos surpreendentes e deleitosos e reforçava o seu otimismo.
    Por uma razão que não conseguia perceber, a dada altura sentiu que uma vibração mais forte a atingia. Um som surdo, repetido duas vezes, acompanhado de uma sensação de deslocamento. Ao princípio não ligou muita importância ao facto mas, dada a persistência do fenómeno, obrigou-se a tentar perceber o que se passava. Tentou pigarrear para aclarar a voz e confrontar este elemento exterior que assim a interpelava mas apenas lhe saiu da garganta um som estridente e agudo. Curiosamente as vibrações pararam. Compreendeu que, mesmo quando não se sabiam quais eram as causas, determinados fenómenos podiam ser cessados desde que descobríssemos o som que os comandava.
    Passado algum tempo começou a notar que os sons que a rodeavam provinham com maior frequência e alternadamente de duas fontes. O seu mundo parecia de alguma forma centrar-se em dois seres que realizavam certas tarefas que, de alguma forma, induziam nela uma sensação de conforto.
    Começou a perceber que poderia condicionar os padrões de comportamento daqueles dois seres e assim suprir mais facilmente as suas necessidades. Tudo se tratava de uma questão de acentuação musical: os mesmos sons, com uma acentuação diferente, pareciam funcionar como um comando, mesmo à distância, que desencadeavam respetivamente a mudança da fralda e o fornecimento de comida: papá e mamã, para o primeiro e papa e mama para o segundo. Era visível que os dois indivíduos emitiam sons de forma mais impulsiva quando ela pronunciava estes comandos e que isso parecia ser recompensa suficiente para que eles continuassem a agir em conformidade. Isto simplificava grandemente a vida e permitia-lhe dedicar a maior parte do tempo a dormir e a meditar. Descobriu que a primeira função era propiciada quando estava de barriga para baixo, e que a segunda melhorava quando estava de barriga para cima procurando apanhar objetos que a sua imaginação recriava no espaço a seu bel-prazer. Procurou estabelecer um horário que facilitasse também a vida aos seus cuidadores e o sistema tornou-se tão aperfeiçoado que pareciam adivinhar quando ia ter fome ou precisava de mudar a fralda. Esta segunda tarefa parecia no entanto não induzir nos dois a mesma exaltação e os sons que emitiam pareciam provir de um outro universo sonoro: algo que se assemelhava a um “mamã” que não chegava a ser completado. Outras vezes pronunciavam uma algaraviada indizível mas, dado que isso não parecia interferir com a execução da tarefa, ela decidiu permitir-lhes esse grau de iniciativa. Pareceu-lhe uma decisão acertada e procuraria no futuro não interferir demasiado com o desempenho da tarefa dos cuidadores, os quais pareciam retirar prazer do facto de imaginar que a realização de uma dada tarefa tinha sido fruto da sua própria vontade.
    O tempo decorreu prazenteiramente, alternando as épocas mais frias com outras mais quentes, até que um dia os cuidadores lhe explicaram que tinham optado por Maia em vez de Maria para que ela passasse à frente na fila de todas as outras Marias da terra.
    Munida destes conhecimentos, estava pronta para enfrentar o primeiro dia na escola. Certamente não aprenderia nada mais importante do que já aprendera. Esperava que os novos interlocutores tivessem bem presente a hierarquia e regularidade das suas necessidades.

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  2. E isso é a primeira leva! Lá para dezembro tem, de novo, 200 e tal testes para corrigir!!!! E não se passa disso e trabalha-se, trabalha – se e…. Não há respeito por essa vida de cão! Como eu bem sei!!! É um terror.

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