Cosmopolitismo Q. B.

Subitamente, há quem de tanta viagem aos fins do mundo, já conheça a “filosofia ubuntu”, tal qual o ministro Tiago.

Só falta entenderem a “finança ubuntu”. Nada como encontrar as parcerias certas. Por exemplo, em Lisboa, como em Sintra Sesimbra ou Odemira. Curiosamente, tudo autarquias com a mesma cor política. Porque a “inovação social” rende dinheiro. Muito dinheiro. E há toda um projecto para “facilitar a transformação, promover encontros e (re)conectar cada pessoa com a sua essência, formando líderes para o serviço à comunidade”. Na Guiné-Bissau teve financiamento da União Europeia. Em Portugal, podemos encontrar o seu plano de atividades para 2021, com destaque para a análise swot.

A Separação De Poderes Explicará Tudo?

Acho muito bem que pouca gente possa ter acesso a investigações delicadas. Neste caso dos Comandos, o ministro da Defesa parece ter achado isso mesmo. O que é bem sintomático da confiança que terá em certos “canais” de informação. Ele sente-se “confortável”, mas aposto que há quem o queira queimar vivo.

Causa-me Alguma Aflição…

… ver gente que nem dois parágrafos consegue alinhavar (será já por causa de terem feito teste com cruzinhas na Faculdade?) querer ser avaliador de colegas professor@s ou, muito pior, aceitarem o papel de árbitros em processos de recurso, quando nem conseguem saber qual é a legislação em vigor, muito menos escrever um parecer vagamente articulado, e revelam apenas uma imensa capacidade para funcionarem como araras ou papagaios dos sistemas locais.

Se a avaliação do desempenho é uma enorme vergonha que quem tem responsabilidades finge ignorar, pelo menos ao nível das “bases” locais deveria demonstrar-se algum respeito pel@s colegas que reclamam e recorrem, pois, até podendo não ter toda a razão, merecem algo mais do que ignorância e evidente displicência. Deveria existir um patamar mínimo de competência para aceder à função de árbitro e, já agora, um mínimo de decência por parte de quem aceita desempenhar esse papel. Não deveria valer tudo, de SADD’s arrogantes e prepotentes a gente que nem uma composição com parâmetros de 6º ano consegue escrever, passando por uma dgae que manda dar cobertura ao incumprimento do que está bem explícito na lei, ao nível das garantias de reclamantes e recorrentes.

Há situações que felizmente se resolvem porque, afinal, ainda há um mínimo de pessoas que aliam sentido de dever a honestidade intelectual. E que não se limitam a dizer que o modelo é mau, mas depois fazem tudo por aplicá-lo da pior maneira possível. Que subscrevem abaixo assinados, mas aceitam servir de operacionais a ajustes de contas.

Isto é tudo muito vago? Deixemos tudo transitar (foram sete recursos em poucos meses, mais umas reclamações seguidas mais ou menos de perto) e lá chegaremos aos específicos. Fiquemo-nos por agora pelos princípios gerais da, repito-me, competência e decência mínimas admissíveis em tudo isto.

4ª Feira

Tenho tido imensa sorte com a quase totalidade dos colegas contratados que tenho ajudado a receber no meu grupo (200). Pelo menos, os que ficam, que há quem chegue e parta logo em seguida, nem dado quase para conhecer. O caso mais recente, que ontem já tinha sido acolhido por outra colega, vem substituir uma substituição, para que se perceba o ponto em que estamos em matéria de recursos humanos. Acabou o curso mesmo há pouco e chega de quase 450 km de distância com a garantia de 30 dias de serviço e depois logo se vê se dá para mais. Como é natural, só se sujeita a isto quem tem algum gosto pelo que faz ou vai fazer, pois não me venham dizer que é outra razão menos válida. Gostei dele e percebi, como em anos anteriores, que é malta que traz vontade, mas a quem a formação inicial deu muito pouco. é gente que quase se educou a si mesmo, porque a formação de professores anda pelas ruas da amargura, naquele entremeio em que nem dá componente científica (que acha do domínio das enciclopédias), nem dá componente pedagógica a sério (ou seja, poucas vezes é mais do que a miopia particular de cada professor de futuros professores) e pouco dá do resto que é o que ocupa grande parte do tempo dos professores do século XXI, que é a da burrocracia administrativa na sua componente prática.

Há uns estágios práticos, sim, que os há, mas todos pela superfície da rama, pois há colegas que chegam profissionalizad@s às escolas mais às aranhas do que eu quando comecei a dar aulas, quando ainda era finalista do curso de História. A responsabilidade não é del@s, mas de um modelo bolonhizado à medida da mediocridade de muita gente que anda aí a clamar contra a formação dos professores mas que, quando pode demonstrar como se faz, revela graves inconseguimentos.

E tudo acaba por se resumir ao carácter, vontade e personalidade, tudo características que nenhuma PACC sabe avaliar e que não sei se são contempladas em alguma parte da formação representada nos dossiers que são fornecidos para acreditação dos cursos. Vai tudo correr bem, eu sei que sim, mas é porque ainda temos quem não vire as costas a quem chega, como a mim não viraram quando cheguei. Só que eu sou uns bons 15-20 anos mais velho do que as pessoas que me encaminharam nos primeiros passos.