6ª Feira

Como não tenho tempo para ler as várias versões da Acção Socialista (para a Educação) só ontem tive conhecimento deste artigo que o SE Costa assina em co-autoria com Rui Marques em defesa da relevância da “filosofia Ubuntu” para a “recuperação das aprendizagens. Confesso que ainda me consigo espantar com o despautério (gosto da palavra) de algumas pessoas ou então com o modo acelerado como perdem o sentido das coisas, porque o de Estado tenho as minhas dúvidas que alguma vez tenha sido em quantidade assinalável. Ter um governante em exercício, mesmo que em finados de mandato, a validar com a sua assinatura o que não passa de um projecto de um nicho ou clique a que nem se deverá chamar académica e muito menos “científica”, quando nunca vez algo semelhante em relação a qualquer iniciativa na área da (velha e clássica) Filosofia ou de outras áreas do Conhecimento não é apenas ridículo. é algo mais. É grave porque, por muitas que sejam as suas crenças pessoais, um governante na área da Educação deveria coibir-se de promover de modo activo o que não passa de uma para-ciência, para não chegar à expressão pseudo-ciência. Chega a ser ofensivo do ponto de vista intelectual a tentativa de ancoragem na figura de Nelson Mandela para legitimar a iniciativa ou ler expressões como “liderança servidora”, quando este mais um exemplo de uma liderança que condiciona de forma clara a acção das escolas. “Se o senhor SE diz que é bom, é melhor aplicarmos” é o raciocínio de muitas lideranças centralizadoras locais em busca de uma classificação de excelência.

Nada me move contra qualquer crença, com origem seja onde for, acerca da natureza e configuração das relações humanas ou da melhor forma de desenvolver o “Eu e os Outros”, assim como nada tenho contra alguém que promova as “filosofias” que @ ajudam a levar em diante melhor os seus dias. Mas a nível pessoal, nunca a nível institucional e assinando a prosa com o título de governante, ao lado do empreendedor presidente de um instituto particular que tem toda a legitimidade para explorar o seu negócio na área da Educação. Não me interessa se andaram juntos de calções, se são ou não amigos de longa data, se partilham ou não daquela simbiose curiosa do socialismo beato de que António Guterres é um notável vulto. O que sei é que este tipo de “promoção” me levanta as mais sérias dúvidas em termos de ética política, quando se trata de alguém com poder executivo de decisão. Se há quem não se incomode já com estas questões, ok, pronto, deve ser porque tem menos teias de aranha na cabeça do que eu e já se desempoeirou de preocupações arcaicas.

10 opiniões sobre “6ª Feira

  1. É grave mesmo e não é uma questão de teias de aranha.
    Há a ciência e há a epistemologia, mas aqui temos um governante que, em nome das suas crenças pessoais, está a implementar um programa ideológico atirando para o caixote do lixo aquilo que é e foi a história e filosofia do conhecimento, do saber, da ciência colocando-lhe um carimbo: “Ministério da Educação Portuguesa”.
    É de fazer dar voltas no túmulo a Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Kant, Hegel, Bertrand Russel, Ryle, Tomas Kuhn, Karl Popper, Gilbert Ryle, Polonyi, John Greco, Kvangiv, Manneim, Japiossi, Crayling…
    O secretário Costa que vá mas é estudar!
    Ele porventura pensará que antes dele não existia nada, que a humanidade era uma tábua rasa e ele o grande descobridor da pólvora?!

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  2. O homem deve ter tido uma visão passadista e pode ter sido enfeitiçado por um urubu de uma seita da Guiné equatorial…ora, sendo assim, o melhor é pedir que alguém que saiba ,,” lançar búzios” o acorde no futuro breve e o leve, o mais rapidamente, a ir para casa e aquecer os pés com uma mantinha…e a reler os clássicos científicos

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    1. Sobre o artigo quero destacar o seguinte:
      “Desde 2016, foram alocados recursos humanos, reforçados desde 2020, para o apoio tutorial aos alunos, sendo este apoio centrado no desenvolvimento de competências sociais e emocionais, identificadas recorrentemente como a principal barreira no acesso às aprendizagens.”

      Onde estão os colocados os recursos para estes apoios?
      Não os vi(??) pois eu tenho 6 alunos em tutoria e vejo-me à nora para fazer um trabalho positivo com eles.
      Porquê?
      1º – não tive qualquer tipo de formação para desenvolver competências emocionais;
      2º- as sessões são ao fim do dia, depois dos alunos estarem na escola desde as 8 da manhã e com aulas o dia todo;
      3º- os alunos nem sempre estão recetivos a este apoio;
      4º (…)

      Depois de ler o artigo continuo sem perceber como se recuperam as aprendizagens com tal filosofia…mas o problema deve ser meu , que sou dos 40% que se vai reformar em 2026/27

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  3. Portugal vive numa bolha.
    Uma bolha que cada vez mais se afasta da realidade.
    Um Portugal virtual construído por uma esquerda retrógrada que enquistou o Estado.
    Um SNS de que “todos” fogem, mas que continua a ser publicitado como um must.
    Um sistema judicial que leva anos e anos a decidir seja o que for.
    Uma teia burocrática que impede o progresso e atiça a corrupção.
    Uma escola pública transformada em… fábrica de “cartolinas giras” e, em grande parte, feitas por professores.

    Somos um estado geringonço sem qualquer remédio e a caminho da indigência.

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  4. Numa das escolas de Sintra, onde leciono, o ubuntu tornou-se quase a razão primeira da educação… Temos 2 psicólogos graças ao ubuntu… e 5 turmas ficam sem uma semana de aulas durante o ano letivo, para terem formação ubuntu… e os docentes que aderiram, durante estas semanas dão as suas aulas e ajudam na formação dos alunos (o que implica horário das 8:00 às 18:00. Enfim, como alguém algures dizia, o lema desta equipa ministerial poderia ser “Os unicórnios são nossos amigos” tal é a fantasia e loucura que impera e que transmitem aos Diretores escolares.

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  5. Esta gente vai sugar os 600 milhões de euros do plano de resiliência da UE e, passados dois anos, tudo morre de morte matada. Estes 600 milhões são para os amigalhaços do PS, tais como algumas faculdades com departamentos de ciências de educação, centros de formação e amigos + amigos. O pior é o massacre mental desta gente que nos vai martirizar com projetos e ações de formação do mesmo que pouco ou nada servirão. Gaste-se os 600 milhões!

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