Tanto Milhão Anunciado!

Este anúncio já tem quase dois meses, mas continuamos com net do 3º mundo nas escolas. Resta saber quem vai embolsar a parte generosa da fatia.

O Presidente da Estrutura de Missão, Fernando Alfaiate e o responsável pela Secretaria Geral da Educação e Ciência, Raúl Capaz Coelho, assinaram na quinta-feira (30 de setembro) a contratualização do financiamento de 272 milhões de euros para uma das componentes da Transição Digital na Educação. O investimento visa “assegurar o fornecimento de conetividade à internet de qualidade às escolas, e criar condições para a melhoria e utilização generalizada de recursos educativos digitais, incluindo nos processos de avaliação, bem como para a gestão eficiente do processo de transição digital no sistema educativo.”

De Uma Acta De Um Pedagógico De Uma Escola Muito Inclusiva

Reparem como a justificação mistura componente lectiva e não lectiva para confundir as coisas. Porque o que estaria em causa seria substituir uma ou duas horas da CNL para a preparação das aulas e não retirá-las, enquanto a CL é aumentada em 4 ou 5.

E depois alega-se que a DGEstE dá cobertura a esta atribuição de horas. Sim pode dar essa cobertura, mas não pode obrigar as pessoas a aceitar ou cumprir um aumento que pode ser de 20 ou 25% do horário lectivo.

Se temos malta assim nas escolas, no órgão em que estão os representantes dos vários departamentos e é composto em exclusivo por professores, ainda nos admiramos que de fora nos queiram atropelar a cada esquina?

Promessas De Campanha

Em tempos pré-eleitorais, como escreveu o Alberto, estas conversas são meramente ilusórias. Esta secretária de Estado ocasional, sem qualquer rasto de conhecimentos sobre a matéria diz o que lhe mandam dizer. Quando os professores já faltam há um par de anos, tivemos pessoas a efectivar-se em média aos 50 anos de idade e mais de 20 de exercício da docência. Só entra com poucos anos de serviço quem, em certos contextos “extraordinários”, tem vaga aberta à medida, Este é um dos casos em que mentirá porque lhe mandaram mentir e isso serve para garantir carreira futura.

E deixemo-nos de tretas sobre “pós-verdade” e regressemos ao arcaísmo de chamar “mentira” ao que não é verdade.

Não li o resto da entrevista (é conteúdo “exclusivo” com a ilusão de facturação), mas o destaque permite-me reconstituir os talking points do aparelho com escassa margem de erro.

Professores: “Não vão ser precisos muitos anos para entrar no quadro

A Ler

Ainda há quem tente explicar e só posso agradecer – por várias discordâncias que tenha em relação a várias matérias e como são tratadas – ao Público por ainda lhes permitir ter voz. Basta comparar com outras publicações que por aí andam para se perceber a diferença.

Alguém se admira de que os professores escasseiem com este sistemático mecanismo de “assassinato”? Quem se espanta quando, hoje em dia, poucos jovens querem formar-se para exercer a docência nas escolas públicas portuguesas? Só os parvos ou os interesseiros podem mostrar espanto.

Domingo

O que faz certas criaturas mentir, sem qualquer hesitação, sobre aspectos que são bem claros em relação aos professores? E fazê-lo de forma repetida, apesar de avisos, esclarecimentos, tentativas de diálogo para que entendam que estão a mentir? De início, pode pensar-se naquela mistura de arrogância e ignorância típica de quem se acha filh@ d’algo. Mas ao fim de anos, já não existe a mais ínfima possibilidade de dúvida: mentem porque querem, mentem de forma consciente e mentem para atingir propósitos como enganar a opinião pública e enxovalhar uma profissão. é gente que anda de cara lavada em jornais de referência e com evença em televisões públicas e privadas que parecem não se incomodar com o que vai além da “opinião”, porque opinião é uma perspectiva sobre factos e outra coisa é inventar factos para justificar verborreias descabeladas. Há quem o faça porque ganha pontos lá na tertúlia de iluminados (estou a pensar em certos “liberais” que vivem de contratos com o Estado, central ou local) e há quem o faça por uma desafeição malsã que parece corroer-lhes o que seria alma em pessoa normal (ocorre-me um dos tais filhos, que talvez esteja a ter uma temporada de vendas menos conseguida). Há ainda quem o faça por falha de carácter, preconceito tenaz, recorrente burrice. A coisa torna-se mais grave quando se trata de gente que se diz “jornalista” e/ou que tem responsabilidades editoriais e pode condicionar a forma como são apresentadas as “notícias” que mais não passam do que amplificações dos dossiês que lhes são enviados. Porque se há coisa triste que aconteceu nos últimos quinze anos, foi o modo como – salvo honrosíssimas excepções – a Educação passou a estar entregue a malta “generalista” que é bem mais permeável ao “encaminhamento” das prosas alegadamente “informativas”.