Domingo

O fracasso de décadas de más políticas e de desbaratamento de fundos europeus pode medir-se pelo desapontamento e desistência de continuar em Portugal de grande parte dos mais jovens, melhor ou pior qualificados, embora isso seja mais significativo no caso dos primeiros, pois a nossa emigração foi historicamente formada pelos elementos com menores habilitações académicas. Pede-se muito às escolas e Universidades, mas isso não tem quase nenhuma correspondência no que a sociedade e a economia têm para oferecer. As desculpas do costume são falaciosas: que a Educação não prepara os jovens para o Mundo do Trabalho (nesse caso como é que conseguem singrar em países mais desenvolvidos?) ou que os recursos estão capturados pela geração grisalha (o que para além de falso, entra de novo em confronto com o que se passa em sociedades ainda mais envelhecidas e nem por isso mais estáticas). Temos uma medíocre classe política, cuja especial competência é abichar para si, os seus e vassalos mais ou menos próximos, as fatias mais grossas do bolo que só é magro porque assim o tratam. E como competência secundária produzir legislação com os buracos nos lugares certos, cujo conhecimento usam quando passam depois para o “outro lado” (ou quando ficam do lado do poder público, como úteis toupeiras informativas) E que não venham os vassalos mediáticos, especializados em opinião paga ao metro, querer demonstrar o contrário, porque então seria interessante que se soubesse a que “senhor” obedecem em privado.