Domingo

O fracasso de décadas de más políticas e de desbaratamento de fundos europeus pode medir-se pelo desapontamento e desistência de continuar em Portugal de grande parte dos mais jovens, melhor ou pior qualificados, embora isso seja mais significativo no caso dos primeiros, pois a nossa emigração foi historicamente formada pelos elementos com menores habilitações académicas. Pede-se muito às escolas e Universidades, mas isso não tem quase nenhuma correspondência no que a sociedade e a economia têm para oferecer. As desculpas do costume são falaciosas: que a Educação não prepara os jovens para o Mundo do Trabalho (nesse caso como é que conseguem singrar em países mais desenvolvidos?) ou que os recursos estão capturados pela geração grisalha (o que para além de falso, entra de novo em confronto com o que se passa em sociedades ainda mais envelhecidas e nem por isso mais estáticas). Temos uma medíocre classe política, cuja especial competência é abichar para si, os seus e vassalos mais ou menos próximos, as fatias mais grossas do bolo que só é magro porque assim o tratam. E como competência secundária produzir legislação com os buracos nos lugares certos, cujo conhecimento usam quando passam depois para o “outro lado” (ou quando ficam do lado do poder público, como úteis toupeiras informativas) E que não venham os vassalos mediáticos, especializados em opinião paga ao metro, querer demonstrar o contrário, porque então seria interessante que se soubesse a que “senhor” obedecem em privado.

10 thoughts on “Domingo

  1. Pois, parvo é quem não vai! Mas, todos ficamos mais pobres, tristes e dependentes. E cada vez será mais difícil, encontrar pessoas qualificadas, para o que quer que seja. Que futuro para este país!? É melhor entregar já a chave aos chineses…

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  2. Culpar os mais fracos pela situação é o que políticos e jornalistas fazem. Quem são? Os professores e os grisalhos, quem havia de ser?!
    Ou 2 em 1.
    Já não conseguem é sustentar por muito mais tempo a tese. do costume. Tornou-se demasiado evidente a má fé dos mandantes, respectivos financiadores e difusores de propaganda.

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  3. “Temos uma medíocre classe política, cuja especial competência é abichar para si, os seus e vassalos mais ou menos próximos, as fatias mais grossas do bolo que só é magro porque assim o tratam.” Tal e qual, Paulo!

    Uma das razões que me vai fazer palmilhar umas centenas de quilómetros no próximo dia 30 de janeiro é o meu desejo de poder contribuir para que uma dessas fações políticas e a respetiva corte tenham o desprazer de abandonar os seus nacos do que resta do moribundo Portugal a meio do festim, mesmo sabendo que os comensais que se seguirão vão rapidamente surgir num frenesim alimentar tão ou ainda mais exacerbado do que o dos atuais necrófagos.

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