Adoro, Adoro, Adoro!

Fazer fichas com avaliação por rubricas/dimensões/domínios/competências, ou o camandro a trote, porque no fim só ajuda a aumentar a confusão, sem especial ganho para os alunos. É um dos exemplos da “sofisticação” metodológica que se diz ser no interesse dos alunos e da qualidade do feedback, mas que é uma rematada treta, mais ou menos embaixadores e arautos no terreno. Como se, na prática, fosse algo mais eficaz do que explicar a est@ ou aquel@ alun@ a matéria que revelou não ter percebido (ou estudado). Não, agora em HGP/História dizemos “querid@, tens graves falhas na temporalidade e na contextualização, mas espacializas muito bem, mesmo se a comunicação e o tratamento da informação deixam um pouco a desejar”, em vez de “olha, não entendeste o que foi o absolutismo e baralhaste a cronologia toda dos acontecimentos no século XVIII, mas acertaste nos territórios do império português*, mesmo se não conseguiste distinguir o Convento de Mafra do Aqueduto das Águas Livres”.

Chamem-me velho, mas acho que a segunda frase é bem mais compreensível.

* mas não digas isso à ainda deputada Joacine...

11 opiniões sobre “Adoro, Adoro, Adoro!

  1. Em cheio! Acho o seu texto espelha maravilhosamente, e com um apuradíssimo sentido de humor, já habitual, o que a maioria dos professores pensa deste novo “paradigma” (?) do feedback da avaliação formativa. Não preciso de vos dizer há quantas semanas ando a preencher sínteses descritivas para sete turmas (145 alunos!), um a um, para quatro domínios, um a um, e ainda mais umas notas… O Sr. Diretor pediu que fosse um texto “rico” e tal e coisa…
    Quem tem anos e anos de experiência como eu sabe muito bem que todas as infinitas horas de trabalho pessoal e de reuniões depois das 18h:30 e 19h:00 até às tantas da noite, discutindo-se os RTPs, os PEIs, as medidas universais e seletivas, … de suporte à aprendizagem e inclusão, o Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, blá, blá, blá, e que todo o rico paleio que escrevemos nas sínteses descritivas, nas atas e a fazer ponto cruz nas variadas grelhas para todos os gostos (e desgostos), comprometendo os professores a adotar medidas que nem eles sabem bem o que são e para que servem, para dar feedback aos pais e aos alunos, não é mais do que “conversa p’ra boi dormir”, e que de nada tem servido para melhorar atitudes e competências, quer da maioria dos alunos, quer da maioria dos pais, pelo contrário, só tem servido para desgastar energias e esvaziar de sentido o trabalho do professor, reduzindo-o a um robô burocrata, como se fosse estúpido e incapaz de pensar por si próprio, bem como baralhar e confundir muitas cabecinhas das crianças e adolescentes já de si tontinhas e infantilizadas, porque cada vez se exige menos dos alunos e mais dos professores. Os professores têm de fazer de tudo, e ainda mais o pino, para passar todos os alunos, porque se não o fizer, terá de mostrar evidências!!! do que fez e do que não fez para o aluno, tirando fotografias e fotocópias das fichas, dos testes, das cuecas e de mais um par de botas! É o cúmulo da avacalhação total quando se exige aos professores que trabalhem pelos alunos e que depois apresentem provas no caso de eles não terem trabalhado e atingido as competências mínimas para passar de ano! Está ou não está tudo bem montado para comprometer o professor e intimidá-lo a passar os alunos? Chega a ser perverso, não é?
    Entretanto, o que faz o ME e o governo par nos calar? Mantêm-nos cativos com os “congelamentos” e “descongelamentos” faseados, como se nos fizessem um favor ou dessem um docinho para calar o bico da malta, e ainda a artimanha das listas de espera para as vagas na progressão da carreira, entre outras rasteiras e ratoeiras que todos conhecemos.

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    1. Apetecia-me dizer ***a que os ****u! Mas não digo ***a que os ****u!!

      Depois não me venham dizer que eu disse ***a que os ****u, pois eu não disse ***a que os ****u! 🙂

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  2. “Meu querido: Falhaste na abordagem holística do exercício (depois explico-te essa coisa do holística), revelas um conhecimento muito deficitário da sequência lógica da ligação entre a corrida de balanço, a chamada no trampolim reuther, o apoio no aparelho, o voo e a queda; a tua expressão corporal não comunicou a tua insegurança na referida ligação tendo em vista uma ajuda efectiva, tal como o teu sentir interior, pelo que não conseguiste resolver esse problema; A tua falta de pensamento crítico e a tua criatividade desregulada levou-te até a apoiar só uma mãozinha no aparelho, quando sabes muito bem que mesmo com as duas é um valha-me Deus. Ou seja, esbardalhaste-te novamente!
    Ou então: Continua a treinar o salto de eixo fazendo aquilo que te foi pedido e não inventes! “

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  3. Sintetizando, para os sábios da pedagogice: uma das razões por que me vou embora é porque não estou para suportar estas idiotices – perdão -, estas manifestações da suprema inteligência daqueles sábios que não dão aulas.

    Depois, discorram abundantemente, elucubrando sobre as razões por que faltam professores!…

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  4. A oposição firme a esse cancro avaliativo que é o projecto MAIA e às ideias peregrinas que alberga deveria ser uma luta de muitos professores.

    Mas o que vejo é muita gente a queixar-se, a desabafar nas redes sociais ou nas salas de professores mas, no resto, e nos lugares próprios, a comer e calar.

    Na minha escola, resistimos. Mas tenho noção de que resistentes activos somos muito poucos…

    E recusarem-se a fazer?…

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