O Que Alguma Gente Não Entende

Há coisas que se percebe que escapam claramente a mentes que, em ambiente de “investigação”, de observação externa e de conceptualização em abstracto, produzem documentos como este, de Domingos Fernandes, sobre as famosas “Rubricas de Avaliação” que ele considera “um procedimento bastante simples para apoiar a avaliação”. O que ele claramente não entende é o que, por causa de um formalismo metodológico que não substitui com vantagem uma explicação simples e directa por parte do professor aos alunos, o tempo para dinamizar as aprendizagens dos alunos (porque a ele não interessa em primeiro lugar o “ensino”) fica fortemente comprometido.

Já escrevi sobre isto mas volto a bater no mesmo ponto: em disciplinas cuja carga horária foi reduzida para 90 minutos semanais (ou 2 tempos de 50), os seus docentes estão obrigados a ter 11 ou mesmo 12 turmas para terem um horário completo (sem Direcção de Turma). È o caso de muitos professores contratados de disciplinas que foram transformadas em meros apeadeiros curriculares no horário semanal (Educação Musical, Educação Visual, História, Francês, mas também TIC e o que mais inventaram por aí). mesmo com 3 tempos lectivos semanais, um horário só fica completo com 7 ou 8 turmas. Se calcularmos a 25 alunos por turma em média, temos horários em que os docentes podem chegar a ter 300 alunos. E não é nada raro que se situem entre os 150 e os 200. Acerca dos quais, o caro propositor das rubricas como maravilhosa ferramenta para a avaliação acha ser possível aplicar o que em seguida se transcreve:

(…) as rubricas deverão incluir o conjunto de critérios que se considera traduzir bem o que é desejável que os alunos aprendam e, para cada critério, um número de descrições de níveis de desempenho. Ou seja, para um dado critério, poderemos ter, por exemplo, três, quatro ou mesmo cinco indicadores ou descritores de níveis de desempenho que deverão traduzir, se quisermos, orientações fundamentais, para que os alunos possam regular e autorregular os seus progressos nas aprendizagens que têm de desenvolver. Assim, numa rubrica, deveremos ter sempre dois elementos fundamentais: um conjunto coerente e consistente de critérios e um conjunto muito claro de descrições para cada um desses critérios. (p. 4)

(…) Tendo em conta o que foi dito anteriormente, uma rubrica de avaliação, em geral, inclui quatro elementos: a) a descrição geral da tarefa que é objeto de avaliação; b) os critérios; c) os níveis de descrição do desempenho (indicadores, descritores) relativamente a cada critério; e d) a definição de uma escala em que a cada numeral, letra do alfabeto ou percentagem, corresponde um determinado indicador ou descritor de desempenho. (p. 9)

E tudo isto deve ser traduzido em velhas grelhas de observação e registo, que agora se designam preferencialmente por “grelhas de monitorização”. A aplicar em cada tarefa desenvolvida na sala de aula a cada aluno, a quem depois deve ser dado o devido feedback com base num esquema que reduz tudo e mais alguma coisa a parcelas e mini-parcelas o desempenho de um aluno.

Claro que depois vem a ladaínha costumeira desta corrente “metodológica” com várias décadas e que diz preocupar-se commo desempemnho dos alunos e não com o trabalho dos professores. Muita gente conhece isto desde o tempo das “pedagógicas” e das profissionalizações dos anos 80 e 90 do século passado. Já então era um pesadelo e não foi por passarmos a usar mais o computador que deixou de o ser. Dá cabo dos “velhos” arrasa os “novos”.

Uma vez que as rubricas estão focadas nas aprendizagens dos alunos, os professores tenderão a centrar-se mais no que os alunos têm de aprender. No fundo, esta ideia implica que o foco tem de ser mais nas aprendizagens do que no ensino, ou seja, mais nos alunos e menos no professor. (p. 7)

O que continua sempre por fazer entrar nestas cabecinhas é que se o professor estiver soterrado na tarefa de micro-registar tudo e mais alguma coisa, é provável que lhe sobre muito pouco tempo para um verdadeiro trabalho individualizado e diferenciado com os alunos.

O que seria importante que percebessem é que a maioria dos docentes não tem 20 ou 25 alunos. No 2º e 3º ciclo, mesmo quem lecciona as disciplinas com mais horas por semana, raramente tem menos de 100 alunos, a menos que tenha já redução de idade e Direcção de Turma.

Mesmo eu que já sou “velho” e tenho DT, tenho 2 turmas, mas dou 2 disciplinas a cada uma delas (Português e HGP ou Português e C.D. ou “CiDe” para os amigos), pelo que tenho 28 alunos a multiplicar por 4, o que dá 112 a quem terei (teria!) de aplicar este sistema parvo, desculpem, sofisticado de monitorização de um desempenho que não é com isto que melhora, sem ser em experiências-piloto escolhidas a dedo ou com uma certa “habilidade” na forma como se “operacionaliza” a coisa (sim, que há quem aplique, mas com a escala a começar no 3 ou no 10, com sucesso garantido à partida).

Todos os dias, para 5 a 7 tempos de aulas, teria de preencher 200 espacinhos (uns dias mais, outros menos) referentes aos descritores de desempenho de cada critério de cada rubrica e o diabo a jet sete. Isto se desenvolvesse apenas uma tarefa em cada um desses tempos. O que não é o caso em muitas situações. Até porque há tarefas que mobilizam (mesmo) competências transversais, abrangidas por várias “rubricas”.

Agora imaginemos quem tem 8, 10 ou 12 turmas. Acham que os alunos ganham alguma coisa com isso? Já sei que os professores não lhes interessam, são meras peças na engrenagem que se ficarem estragadas se substituem (ou não!).

Que venha o doutor Fernandes (não mande os estagiários ou os tarefeiros) e passe um mês a mostrar como se faz na prática e sem fazer batota no fim, dizendo que os alunos aprenderam imensa coisa, quando nem deve ter havido tempo para fazer quase nada a não ser “monitorizar” o quase nada e dar o dito feedback. Ou então mande quem se livrou de dar aulas para fazer parte do “projecto” e de aplicar o que manda aos outros fazer em “formações” requentadas.

Não sei se fui muito polido nas considerações, mas não gosto do cheiro a 2ª feira.

(o António Duarte também abordou hoje este tema, mas misturou as coisas com o papel dos sindicatos e de uma fantasmagórica Ordem e a coisa desviou-se do alvo, ou seja, se é obrigatório ou não entrar na maluqueira, se os CP assim decidiram, se os Departamentos concordaram, etc, etc.)

39 thoughts on “O Que Alguma Gente Não Entende

  1. És, cada vez mais, a voz da esmagadora maioria dos professores.

    Para serem verdadeiramente geringonças, as rubricas têm de estar indexadas a cada um dos domínios pedagógicos das disciplinas, a cada uma das áreas de competência do perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, às competências transversais formuladas em cada escola e, sobretudo, do que for decidido em articulação com o Corpo Nacional de Escutas.

    Por que raio de complexo beatopatriótico de esquerda esta esquizofrenia criminosa (alunos) e suicida (professores) continua a singrar?

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  2. Mudando de assunto, e porque o Natal do Senhor está a chegar, recordo que no Cristianismo existe uma muito caritativa bem-aventurança: “Felizes os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”

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  3. Consta que uma das avençadas do SE Costa teme que, com a dissolução da AR, possa estar comprometida a continuidade dos projetinhos. Deus a ouça!
    Nunca vi tal sanha ideológica nesta vintena de anos que levo no ensino. É de doidos e só uma mudança governativa nos pode salvar, pelo menos desta parte do inferno. Se não houver mudança, o problema vai ser generalizado para compensar a ociosidade de quem leciona cursos de formação de professores. Este desvario deveria ser uma das questões prementes da agenda sindical, mas para mários e jotas dias das silvas pimenta no cú dos outros é, para eles, refresco.

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      1. Pois, é daquelas que passam horas ao espelho a afirmar: “espelho meu, no mundo não existe ninguém melhor que eu”. Chama-se programação neurolinguística e eleva-a â sétima bolha, a dos intocáveis!

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  4. Concordo a 100%.
    O doutor Fernandes que venha para uma escola, lecionar 150 alunos e fazer estas “tretas” que propõe. Ele e os seus/suas recadeir@s, que além de não lecionarem, vivem, abastadamente, a fazer sessões de doutrinação, principescamente pagas.

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  5. Sempre gostava de saber quanto cobram ess@s avençad@s por essas formações da treta…
    Mas, ainda mais preocupante é ver nas escolas alguns lambe-botas a defender o indefensável. Pobres de espírito.

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  6. Completamente doidos… Os professores estão pelos cabelos! O SE COSTA Vai conseguir uma quase unanimidade impossível: ninguém está para aturar coisas completamente ensandecidas como a do Dr. Fernandes… Custa-me até a acreditar que o SE Costa leia coisas como estas e não acha , o que todos acham, isto é uma completa patetice, inútil e inexequível! Nunca, em anos que levo de ensino, vislumbrei tanta ”chalupice’0’… O que pretende o Dr. António Costa? Que os professores votem em qualquer partido, menos no PS, por puro desespero??? É que é este o sentimento que vislumbro em todos os colegas!

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    1. Absolutamente! Nunca me cansarei de repetir aquilo que afirma. É o único que representa o que a classe sente, pensa e os tormentos a que é sujeita.
      Admiro-lhe imenso a resiliência, a paciência e a resistência.
      Se eu tivesse as suas qualidades, há muito que teria desistido de pregar no deserto.
      Falar com estes iluminados dá menos resultado do que falar com uma parede.
      Talvez ainda não tenhamos assumido que a única coisa que lhes interessa é o trampolim para o que se seguirá ao governo…

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  7. Um bocadinho contra a corrente:
    A culpa desta coisa inenarrável é dos professores, que apenas têm sido “passageiros” (bem sei… não esqueço as excepções!) Lamento. Fartei de lágrimas de crocodilo.
    E que tal não fazerem? Têm medo de quê? De não saber defender a sua posição? De perder o emprego?
    Então sim, é melhor estarem calados.

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    1. Motta,
      Tens razão… claro que há quem nas escolas ainda leve isto ao cúmulo do arrebique.
      Normalamente, gente com uma ou duas turmas e muitas honrarias internas que lhes deixam tempo para parvoíces.
      Isso ou vidas muito vazias.
      Nem todo o pessoal docente é inocente. Longe disso.

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      1. Por cá, norte, concelhos periféricos do Porto. Todos com língua de fora a preencherem grelhas. E o desnorte é ver como cada escola pega nas rubricas, no Maia, e de escola para escola até varia, mas não melhora, Não há ninguém a dizer não, não faço. Há os que nada preenchem e dão positiva a todos. Mais grave são as escolas que estão a pedir todas essas grelhas de alino a laino em cada turma de cada professor a ser entregue aos Dt’s para serem , suponho que controlados, pelas Direcções.

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    2. Muitas vezes, enquanto exerci, disse “isso não faço.” Muitas vezes disse “esta reunião não serve para nada, vou-me embora.” Nunca sofri represálias. Não sei porquê, mas a explicação que se me oferece é que os prepotentes são, em geral, ainda mais medrosos do que quem se lhes sujeita.

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      1. Com todo o respeito, é porque já sabe que não lhe tocam porque já passou as duas balizas – 5º e 7º escalões. Nesses, já não tocam. Nos que ainda aspiram a poder passar esses portões, têm medo. E devo dizer-lhe que estou em lista para 7º e agora, claro, à espera. Já não me podem pedir rodriguinhos. Mas podem lixar horários, dar turmas muito complicadas, etc. Nos arredores das grandes cidades, a indisciplina é cada vez mais ocultada. Não é só Valença que até paga para ter Vigilantes privados, suponho que para “meter respeito” pois legalmente não podem fazer nada.

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      2. “as duas balizas – 5º e 7º escalões. Nesses, já não tocam. Nos que ainda aspiram a poder passar esses portões, têm medo. ” Ora aí está o busilis da questão! Quem tem o poder sabe isso mesmo e usa como arma de repressão. Os que já têm a carreira destruída, não têm nada a perder e portanto, têm liberdade, mesmo sabendo que “podem lixar horários, dar turmas muito complicadas”. Se não tiverem tiverem avenças externas, são cócegas e um preço que se pode pagar com facilidade.

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  8. Paulo, o aparte que fiz sobre sindicatos e o resto foi lateral, e apenas para sublinhar a ideia da passividade excessiva com que se aceita tudo isto. Pior ainda: a necessidade que alguns colegas sentem de praticar o elogio lambe-botas à sapiência de gente que anda a repetir a mesma cartilha há trinta anos e que pouco ou nada aprendeu, desde os tempos do mestrado de Boston.

    Subscrevo tudo o que aqui escreveste e só lamento faltar-me a eloquência e a paciência para explicar detalhadamente tudo o que deveria ser óbvio.

    Claro que será eventualmente possível ir ainda mais longe e seguir o rasto do dinheiro. Ver até que ponto o projecto MAIA está a servir para financiar a universidade do PS, que não forma professores mas que parece saber tudo sobre avaliação.

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    1. António, concordo.
      Mas devemos separar as águas nestas coisas.
      Há apatia de um lado e prepotência do outro.
      Como estarás a experimentar, as “guerras de proximidade” são tramadas.
      Em regra, conseguimos uns pontos quando mostramos que já aprendemos há muito como se faz e que os cristãos-novos são, em regra, muito fraquinhos e meros papagaios (ou araras).

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    2. Obviamente , e é fácil, basta seguir o rasto na net . que a Universidade AtlÂntica, voltou a ter o peso que teve no tempo em que foi formada por lago sector do PS que devia ter vergonha. Quanto so de Boston, já não são eles a dar cartas – estão reformados. Muitos, apenas com esse suposto metrado mas que lhes deu equiparação a tal e , nos Politécnicos, era , à época, o topo de carreira. Adivinhe o montante das reformas… e conheci vários, e darem formação. Maus, muito maus e a maioria nunca dera aulas.

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  9. “Infelizmente, a tendência geral é de sobrecarregar cada vez mais as definições juntando constantemente novas componentes, omitindo o facto de que toda a técnica de avaliação será aplicada em última instância não pelos investigadores que a concebem, mas pelos professores das diversas disciplinas, para a atividade dos quais a sua escolha apenas representa uma etapa limitada, que não lhes deve ocupar o tempo inutilmente, impedindo-os assim de desenvolver outras tarefas próprias da atividade do professor”. [p. 216]

    Birzea, César (1986). Operacionalizar os Objetivos Pedagógicos. Coimbra Editora, Limitada. Coimbra.

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  10. É isso meus caros!
    Ou como diria o outro: “O povo nem sabe o poder que tem!” Estranho, digo eu, é que nem sabe nem parece querer saber.
    Já agora, mais uma vez, o meu reconhecimento pelo trabalho incomensurável que o Paulo tem feito na defesa dos professores…
    E também ao António, com um estilo e a “disparar” de um canto um pouco diferente.
    Fazem-me lembrar sempre aquela outra: A Fundação Calouste Gulbenkian faz (ou fazia) mais pela cultura em Portugal, do que o ministério da dita. Cá no meu esquema mental é algo parecido. Quem devia “cuidar” dos professores anda um pouco distraído. Desculpa António, essa coisa dos sindicatos (destes sindicatos)…

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  11. Grata pela tua frontalidade, assertividade e resiliência. No meu canto faço o mesmo… Não me calo! Se mais fossemos, assim, estas macacadas que esmagam de trabalho os professores que como eu, têm 9, 10 e 11 turmas, não chegavam a ser implementadas. O problema é que muitos aceitam e depois andam a carpir. Não tenho paciência. E só espero, a minha última esperança, que isto vá tudo pelo cano da sanita abaixo.

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  12. Claro que vai para o lixo! Não tem cabimento por carecer de fundamentação epistemológica, por ser impraticável e por impedir o professor de acompanhar os alunos nas aprendizagens diferenciadas.
    Além disso, o governo vai, foi, irá de vela! Outros virão com mais experimentos para aplicar nas cobaias/professores.

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  13. O meu sincero agradecimento ao colega Paulo pelo modo distinto e claro como desmontou esta chalupice que vem sendo apresentada como o último grito das ciências da educação no campo da avaliação, como se até aqui os professores não soubessem avaliar e tirar as devidas consequências fazendo a necessária retroacção.
    Gostei muito de ler os vários comentários/desabafos que o seu texto suscitou, com especial destaque para o Motta, o António Duarte e o António Alves que ajudaram a enriquecer o “debate”.
    Não há dúvida que desde que estas “sumidades” tomaram conta da educação deste país se fica com a ideia de que para trás ninguém sabia trabalhar, estava tudo errado, só estes idiotas que nem sequer estão no terreno é que são os donos do saber.

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  14. Há uns dias ouvi de uma colega dizer a outro acabadinho de chegar ao agrupamento “Mas a tua escola não fez nada desde 2017? Parou no tempo? Não vou reproduzir o que disse. “Saltou-me a tampa”.

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  15. As principais qualidades do Paulo Guinote nem sequer são a eloquência, a resiliência e a paciência. No meu entender ele é essencialmente científico. É trabalhador e metódico. A sua formação académica é determinante. Ele reúne documentação, informa-se e instrui-se. Tem arcaboiço teórico, é organizado, orientado e construtivo. Não faz bluff, não cede a populismos nem simplismos de números e de comércio, ou a vaidades de guerrilha. Sabe como ninguém a importância da imparcialidade nas análises que faz, sem descurar pormenores estruturantes.
    A pedra de toque que leva a que tantos de nós confiemos nele é precisamente a sua isenção.
    Por outro lado é de uma profunda lealdade humanista. Sabe sempre dizer as palavras certas preservando aspetos pessoais.

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  16. Conheço sim senhor! Fiz profissionalização em exercício nos anos 80…talvez por nos apresentarem esta «novidade» sinto, agora, enorme satisfação em ter contribuído para travar o espectáculo tão «inovador» a que cinco ou seis alminhas queriam obrigar todo o agrupamento…

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  17. O Ministério da Educação, com tudo o que tem fomentado, permitido e estragado vai ser o pavio que fará a explosão rebentar, bem no rosto de António Costa. Economia, Saúde, Administração Interna, Orçamento… Nada disto provocará a derrocada a que vamos assistir. Serão os professores humilhados, os encarregados de educação “perdidos” e os jovens “mal” escolarizados, mas já com poder de voto que se encarregam de mudar (o problema é que será ainda pior uma gerigonça de Direita) este percurso mal alinhavado de uma Educação eivada de deslumbramento parolo. Enfim… Que desânimo! Os jovens estão “mal” escolarizados, porque tiveram a vida muito facilitada com professores exaustos e desmotivados; a gerigonça de Direita será pior, porque a preocupação será a economia de mercado e não a melhoria da qualidade de vida de quem ganha mal ou precisa de apoios. Não sejamos ingénuos! A Direita, por exemplo, vendeu as energias (lembram-se de quando pagavam de luz ou de gasolina?) e tudo o que pôde. Agora venderá o resto e a bazuca será em seu proveito. Espera-nos um futuro muito incerto.

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  18. Só hoje tive a oportunidade de ler o post do Paulo.
    Mais uma vez o meu agradecimento ao colega Paulo Guinote .
    Na minha modesta e humilde opinião,( professora velha com 54 anos, que já teve as aulas assistidas obrigatórias do 4º escalão, não tendo ainda os créditos das formações) estes indivíduos dos ISCTÉS e outros semelhantes, publicam esta porcaria, desculpem o termo, porque precisam de uma razão de existir, manter o emprego e…. A apatia dos colegas e a resignação de outros é uma desolação.
    Esta coisa do projeto Maia, é de tal forma inútil, que em vez de ensinarmos, temos de fazer rubricas. Façam-nas eles porque eu não tenho tempo. Eu preciso de comer, dormir, tomar banho…
    Na escola onde estou, temos o projeto SEMEIA, parecido com o Maia na última reunião de departamento, afirmei que só fazia aquilo que conseguia, informei igualmente um dos elementos da Direção.
    Resumindo, não faço, não vou participar nesta treta. Eu não escolhi o sacerdócio, como tal preciso do tempo que me é muito precioso. Sei que vão andar atrás de mim, que seja. Apontem-me uma arma à cabeça, menos uma velha no ensino!
    Esta fúria avaliativa que se apoderou das escolas é revoltante. Tenho uma irmã que trabalho no setor privado, não está no ensino, mas disse-me que se fizessem este tipo de avaliações não produziam nada. O Diretor quer o trabalho feito.
    Para finalizar, as formações que eu deveria fazer, seriam na Inglaterra ou na Alemanha que têm cursos de formação para professores estrangeiros , praticar a língua, aprender novas didáticas, etc. Mas quando falo nisto, pareço uma ET.
    A propósito, quanto tempo fica para poder ler, ouvir música, ir ao teatro ao cinema, concertos, passear, usufruir calmamente do tempo livre que nos retiraram. Quem não tem nada para fazer e faz tudo o que os Diretores e os seus Kapos querem, deixem em paz aqueles que querem viver. Os que gostam devem ficar na escola, comer , dormir levar a família, mas por favor deixem os outros em paz!
    Estagnamos como pessoas, eu falo por mim, chego tão cansada a casa que não tenho força para fazer mais nada.
    Querem embrutecer os professores, lamentável!
    Eu vou continuar a levar porrada, mas sinceramente estou-me nas tintas, já não tenho mais nada a perder…. qualquer dia tenho uma travadinha e vou desta para melhor.

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  19. Bravo pelas verdadeiras e corajosas afirmações!
    Eu confesso que gosto de ouvir o Domingues, mas a teoria só se pode aplicar tendo uma ou duas turmas. Não fazemos milagres!

    Bem-haja!
    Fernanda A.

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  20. Este modelo só funciona na sua pureza se existirem 4 condições obrigatórias:
    – o docente só ter uma turma
    – a turma ter no máximo 25 alunos
    – lecionar a turma todos os dias
    – não existirem exames nacionais
    Depreende-se que, teoricamente, este modelo aplica-se melhor no 1º ciclo. Nos restantes ciclos de ensino, é uma impossibilidade fisica aplicar o modelo de avaliação e o modelo de inclusão. Portanto, adapta-se e finge-se.

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