Um Argumento Do Caraças

À boleia do “estudo” (leia-se, revisão de alguma literatura) posto hoje a circular sobre a não evidência das vantagens de reduzir os alunos por turma, acabo de ler ao (ainda?) presidente do Conselho de Escolas a defesa da possibilidade de aumentar o número de alunos por turma para o máximo possível, como forma de combater a escassez de professores, em resposta algo jocosa a um comentário meu. Escreveu ele que “Talvez se conseguisse mitigar a falta de professores em algumas escolas, constituindo turmas nos limites máximos admissíveis“.

Isto quando muitos professores abandonaram exactamente pelos efeitos excesso de trabalho e esforço que implicam turmas extensas, com meios técnicos deficientes e uma política disciplinar consistentemente laxista desde a tutela até muitas lideranças locais, que consideram que ofender e ameaçar professores em plena sala de aula é coisa para se resolver com umas conversitas à hora do chá. Mas o número de alunos por turma não é uma questão “meramente” do foro das condições de trabalho dos professores. Acaso os alunos preferem ter turmas maiores? Alguém lhes perguntou o que acham, antes de atirarem às conveniências laborais dos docentes?

Até li a seguinte passagem que acho dificilmente compreensível no que quererá dizer: “Aliás, não me surpreenderia nada que a falta de professores em algumas escolas do país seja um dos custos associados ao número de alunos por turma”. Eu entenderia que faltam professores porque muitos potenciais candidatos desistem ao ver a dimensão de certas turmas e o número de alunos que teriam. Mas parece que não é bem isso.

Repito, foi o presidente do Conselho de Escolas a defender esta medida (turmas no máximo, com as que eu tenho, nos 28), pelo menos em “algumas escolas”, não foi nenhum presidente da Confap. Estamos tramados, desculpem, falados.

Repito o que escrevi há uns posts atrás… porque não dão certas lideranças o exemplo e assumem um horário lectivo (direcções inteiras com apenas 4-5 turmas a cargo é o que menos falta) que ajude a “mitigar a escassez de professores” nas suas escolas?

(já sei… em Singapura são aos magotes e são muntabons em Matemática…)

29 opiniões sobre “Um Argumento Do Caraças

  1. Pode começar pela escola dele como escola de mini-estudo da sob dimensão das turmas e depois publicar os resultados. Penso eu de que…Ou já o aplica e o comentário resulta dessa “experiência”?

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  2. Eu, como não sabia, fui ver o que era o tal Conselho das Escolas. Fiquei a saber que «é um órgão consultivo e de representação das Escolas públicas junto do Ministro da Educação». Fiquei esclarecido!… Até poderia ser um órgão de representação do Ministro da Educação junto das Escolas públicas. Neste caso, representaria muito bem!…

    Depois fui ver quem é o presidente deste relevantíssimo conselho. Fiquei a saber que dirige a sua escola há 27 anos. Presumo que seja dos tais “professores” que não dão aulas, talvez há 27 anos. Eu, um simples zeco, dou aulas há quase tantos anos: uns 30…

    Portanto, estou esclarecido!…

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  3. Ao senhor Presidente do Conselho de Escolas o que faz falta é dar aulas a, pelo menos, uma turma, pequena ou grande, segundo os critérios que queira assumir. Há gente que devia ser insultada em público. Este senhor é um deles.

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  4. 27anos? Porra…quando sair vai para a reforma.E mais um que se dobra ao SE COSTA…se o homem fosse , efetivamente trabalhar para o país… talvez isto fosse, ligeiramente melhor..

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  5. Vamos seguir o raciocínio deste pseudoprofessor? E chamo-lhe pseudo, porque, se não leciona há 27 anos, deixou de ser professor. É apenas um taxista.

    Hoje, para colmatar a falta de professores, aumentamos para 30. Amanhã, a situação agrava-se e aumentamos para 32; depois, 35; 40… E assim sucessivamente. E fazemos o mesmo com médicos, enfermeiros e por aí fora.

    É esta trampa que dirige as escolas e os agrupamentos pelo país. Sim, trampa!

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  6. Declarações de um sem vergonha. Este nem kapo é…NUNCA foi professor.
    Assim de repente só me lembro de um “democrata” com tempo de poder idêntico ao dele…Estaline.
    Ah, as eleições também eram idênticas.

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    1. Grave?
      O CE é uma “correia de transmissão” do ministro, a troco da manutenção dos tachos de diretores, com simulacros, norte-coreanos ou venezuelanos, de eleições. Escandaloso o que se passa nas escolas, num país que se diz democrático.
      Nota: o ME parece já ter prometido aos kapos a manutenção nos tachos por mais 30 anos. A fraude passa por chamar-lhe municipalização… se voltassem eleições democráticas às escolas, estes “cães-de-fila” nem teriam coragem de se candidatar. Os resultados seriam HUMILHANTES.

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      1. Isso não vai acontecer.
        Portugal finalmente entrou na mira dos organismos internacionais por causa deste tipo de coisas, ou seja, CORRUPÇÃO arquitetada pelos governantes como forma de manutenção dos respetivos sorvedouros.
        Já se percebeu que é assim que se esvai o dinheiro e que se trava a democraticidade. Os países do Norte já começaram a purgar por meio dos organismos próprios aquilo que era chamado de “preguiça” do sul. Não, não é preguiça. É algo mais xicoespertista e entranhado.
        Iam lá deixar passar para o paraíso de transparência das câmaras municipais! Já ninguém anda a dormir lá por fora e até aqueles que diziam que isto por cá era mais copos e mulheres já perceberam que é algo pior e que faz perigar a democracia.

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      2. Temos muito caminho a fazer até chegar aos níveis de corrupção que se verificam na Alemanha e nos Países Baixos. Porque ali trata-se de um fenómeno à escala global.

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  7. E se começassem a aumentar o número de escolas por agrupamento? Por exemplo, na Póvoa de Varzim, agrupavam a Secundária Eça de Queiroz com a do Arco do Cego, o Lemos ia dar aulas e era um professor a mais no sistema. O Arlindo dava conta do recado.

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    1. Cego do Maio.
      🤘🏻
      Mais agrupamentos, nos quais as escolas dos 2º e 3º ciclo ficam em auto-gestão e com a indisciplina/violência completamente descontrolada, não, por favor!

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      1. Conheço um para os lados do norte, em que a EB 2,3 fica entregue à coordenadora dos assistentes operacionais. É ver para acreditar… este é o reino das e dos bananas.

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  8. A solução é reduzir o currículo e os programas porque são extensos e aumenta-se as turmas porque os professores são curtos.
    É o total desnorte de quem “descolou” da realidade. os professores faltam em várias disciplinas desde antes da pandemia.
    Só que há quem andasse mais preocupado com a imagem certa, certo?

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    1. O Lemos só tem razão no caso das TIC: generalizar uma disciplina, na qual sempre houve poucos professores, foi um disparate.

      Ele deixou, entretanto, a presidência do CE.

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  9. Pior que o Ministério são alguns diretores. Sabendo que qualquer ser humano em lugares de poder há muito tempo, ganha vícios, ganha tiques de autorismo e tem tendência a alimentar clientelas, os mandatos deveriam ser reduzidos a dois no máximo. Dezasseis anos é muito tempo, ainda para mais acumulando anos de mandatos como presidentes de conselhos diretivo/executivos.
    Recordo um colega que veio para a minha escola há dois anos e que há cerca de 20 anos já não dava aulas, porque foi presidente de Conselho Executivo e diretor, o qual no papel de professor à saída de uma aula, confidenciou-me ” Quem aguenta estas bestas?”.
    Respondi-lhe “Quando eras diretor na Escola XPTL ouvi dizer que para ti o aluno tinha sempre razão”. Corou…engasgou-se…
    Lá vem aquele ditado “pimenta no dito cujo dos outros é refresco”

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  10. Por enquanto a turma que está a aumentar é a do Chega.
    Possivelmente o Rio terá de se apoiar neles e dar o dito por não dito.
    Veremos, mais uma vez, um partido socialista europeu a entregar o poder aos Nacional-Populistas?
    Se não conseguirem não foi por falta de empenho!

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  11. Em relação à redução da dimensão das turmas:
    “… nos casos em que se verifica a melhoria dos resultados, esta é muito ténue, comparativamente aos custos”!
    j e lemos ( propositadamente sem maiúsculas)

    1. O estudo confirma a melhoria dos resultados e NÃO casos, as maiúsculas são para o lemos LER melhor. As amostras, aliás de dimensão generosa, são para tornar fiáveis as generalizações.
    2. A perspetiva comparativa é meramente economicista. Mesmo nesta perspetiva, quais são os limites (em educação e formação das futuras gerações) razoáveis da relação custo/beneficio? Numa área tão sensível qualquer benefício deve ser acautelado.
    3. Para o lemos, provavelmente não se justifica tratar qualquer doença incurável, pois a relação custo/benefício é desastrosa.
    Pérfida criatura, pérfido caráter.

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  12. Se aceitarmos 200.000 emigrantes chegados nas carreiras Al Hoceima-Vila Real de Stº António e recuperarmos os vistos gold, atribuindo-os desta vez a professores, termos uma janela de oportunidade para resolver os problemas da educação e da economia. Nem que para isso seja necessário entregar essa pasta ao Portas.
    Podemos, depois, usar parte da bazuca para criar políticas de integração. O resto é para vacinas.

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