Nestes Casos, Podemos Chamar “Cabeça De Ovo” Ao Homem?

É que “leão” faz-me sentir mal. Até porque o “Estado” é sempre “pessoa de bem” para os grandes, mas aos pequenos lixa logo que pode.

No final de 2020, o Parlamento barrou o ministro das Finanças, mas os milhões apareceram.

No final de 2020, o Orçamento de Estado para 2021 (OE2021) ficou preso por um fio devido ao Novo Banco (NB). Uma maioria parlamentar (BE, PSD, PCP e PAN) bloqueou a pretensão do governo e do ministro das Finanças de reservar uma dotação de despesa no OE para poder injetar mais dinheiro no NB.

Mas, na altura, o ministro avisou logo: o Estado é uma “pessoa de bem” e vai cumprir o contrato que assinou. E assim foi. Mesmo chumbado pelo Parlamento, em junho, o NB recebeu a primeira parte da ajuda (317 milhões) e, na semana passada, o resto que estava em dúvida, mais 112 milhões. No total os 429 milhões previamente acordados.

O dinheiro foi angariado com recurso a um sindicato bancário, mas depois foi vertido no Fundo de Resolução (uma entidade pública que conta para a despesa) que depois passou os milhões para o NB.

Aceito!

Que é como quem diz, reconheço a existência.

Que existe um vírus com propagação pandémica que não se restringe ás páginas dos jornais e televisões. Aceito que não é uma complexa conspiração mediático-político-farmacêutica do grande capitalismo global. Aceito que é melhor tomar uma vacina experimental, mesmo se a sua dosagem é baixa e não consegue imunizar por completo, de uma vez. Aceito que existem comportamentos que podem diminuir os riscos de contágio e propagação da doença, mesmo que sejam moderadamente incómodos para o meu quotidiano “normal”. Aceito que existam pessoas que possam ter outra opinião e que argumentem com essa base. Aceito posições críticas fundamentadas e articuladas, sem ser na base do uso das maiúsculas nas redes sociais ou de gritos nas redes humanas. Aceito dúvidas, que as tenho sobre diversas matérias que não se resumem à pandemia, desculpem, à grande conspiração. Aceito que me chamem “aceitacionista”, se isso significa o que acima está, apesar de, em regra, essa designação seja acompanhada de certificados de imbecilidade e carneirismo.

Há várias coisas, contudo, que tenho mais dificuldade em aceitar, mas agora não quero aborrecer ninguém que já tenha atingido o estádio das certezas supremas (embora por vezes camuflem isso com o discurso do “tenho dúvidas e tenho direito a tê-las em nome da liberdade e da Constituição”) ou que considere todas as oportunidades boas para derrubar a Ciência ao serviço do Grande Capital (desde que isso possa fazer-se sem prescindir de smartphones e aqueles pequenos luxos que a Ciência ao serviço do Grande Capital nos tem permitido nos últimos 100-150 anos).