Sábado – Ano Novo

Após as saídas e entradas, sem balanços ou grandes previsões, resta-me repetir que não guardo grandes (ou pequenas) esperanças acerca de qualquer mudança significativa na área da Educação. podem fazer aqui ou ali uma cosmética, mas não mais do que isso. PS e PSD são, naturalmente, as opções, para a liderança de qualquer governo e partilham no essencial a lógica de muito do que tem sido feito nos últimos vinte (trinta? anos na Educação, mais ou menos prova final ou disciplina no currículo. Se ganhar, o PS apenas “aperfeiçoará” ainda mais o seu “paradigma” de produzir sucesso a qualquer custo, mistificando a opinião pública com o que chama equidade e inclusão, enquanto o PSD tem muito pouco a oferecer de diferente, sendo um quase total deserto em matéria de figuras com algum peso nesta área da governação para além de um pequeno grupo que, implícita ou explicitamente, orbita a galáxia Isaltino. Há o histórico “senador” Justino que talvez almeje algo mais do que voltar a ser ME e há o aspirante Patacho, ainda em tirocínio para SE. Claro que há uma outra possibilidade, menos claramente associada pela opinião pública a este grupo, que eu gostaria sinceramente de ver no cargo, até para provar que, ao contrário de Crato, será capaz de fazer o que tanto diz de forma tonitruante.

Mas o mais certo será ficarmos com mais do mesmo, não valendo sequer pensar que qualquer opção alternativa é viável, quando se teve um governo suportado à esquerda pelo PCP e Bloco e nada mudou, nem sequer na gestão escolar. À direita, o vazio é imenso, apesar das tentativas de alguns se “achegarem” aos professores, tentando capitalizar a sua insatisfação. Mas, por muito que o Gabriel Mithá pense que é possível arregimentar os professores, isso só acontecerá aos que aceito serem crentes de pseudo-lideranças anti-sistémicas de natureza caudilhista ou a gente mesmo muito distraída. Quanto aos “liberais”, tirando umas coisas sobre economia que leram nos seus estudos sobre a “liberdade”, são uma espécie de Bloco de Direita, só que com camisas de melhor corte.

Portanto, e não o digo com qualquer satisfação, 2022 será um ano em pouco diferente dos anteriores, até na forma inábil de lidar com as consequências da pandemia nas escolas, entre os constantes anúncios de que tudo está ou vai acabar bem e a obsessão por agradar a meia dúzia de “influenciadores” mediáticos. “Mudança” só se for em parte das moscas que se alimentam no monturo.

E reparem que nem falei em E@D.

10 opiniões sobre “Sábado – Ano Novo

  1. Também pagaria para ver o tonitroante SC a implodir a máquina paradigmática socialista. Quem diz implodir diz correr à paulada os cortesãos dos seus gabinetes avençados. Sobre esse senhor, há duas visões dele que retenho, uma boa e outra má: o tê-lo visto a marchar com os professores numa manif Av. da Liberdade abaixo e, em pleno clímax pandémico, ter querido manter as escolas abertas numa passos-coelhana máxima de “custe o que custar”.

    Gostar

  2. Seja como for em matéria de educação o Santana Castilho é o único que no psd percebe qualquer coisita do assunto, mas lá que tem cenas maradas, tem!

    Gostar

  3. “Mas o mais certo será ficarmos com mais do mesmo, não valendo sequer pensar que qualquer opção alternativa é viável, quando se teve um governo suportado à esquerda pelo PCP e Bloco e nada mudou, nem sequer na gestão escolar”. 100% de acordo.
    Tendo sido uma das, reiteradas, promessas/propostas de ambos!!
    E não venham agora com tretas, pois nem custava dinheiro!!!
    Bem…, mas defender a democracia, eleições livres…, não seria esperar demais de estalinistas????
    A mim enganaram-se duas vezes. BASTA!

    Gostar

    1. Será perigoso estender o modelo de democracia das escolas ao país…
      Não se encontra nas propostas do chega menos democracia do que a que existe nas escolas há quase duas décadas. Como bónus, além de incisivo quanto ao combate à corrupção ainda promete continuar a realizar eleições (algo que nas escolas acabou há muito)!

      Gostar

    1. “Será perigoso estender o modelo de democracia das escolas ao país…?”
      A interrogação devia estar lá…
      Estava a ser irónico.
      Prefiro a democracia do chega, ao que se está a passar nas escolas.
      Gostava de saber por que tantos “intelectuais” se incomodam com o chega e não se incomodam com as ditaduras em que se transformaram as escolas.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.