Tolerância E Liberdade

Quando servimos para apoiar causas que dão jeito e divulgar posições, ai que bom, que bom. Mas se aparecemos um dia a questionar as fontes de certas afirmações, é um desvario e completa perda de controlo. Deve ser a tal “névoa mental” de que se fala e eu já referi mais abaixo. Se mandam uma mensagem e não se responde logo a agradecer não sei o quê, praticam o desamiganço virtual (ai, a triste submissão ao espírito dos tempos em trânsito) a que chamam “remoção de amizade”, como se isso me despertasse algo mais do que a prova da incapacidade de lidarem com o contraditório.

Se já removi amizades ou bloqueei comentários? Sim, quando me foram dirigidas ofensas ou ameaças pessoais (e nem foram poucas ali há uma boa dúzia de anos), ou quando me imputaram (pelas costas) actos e malfeitorias que nunca cometi (chegam-me para ir para qualquer Inferno as de que fui efectivamente responsável). Mas porque me pedissem para dar substância a uma afirmação errónea ou sem base empírica? Não, posso ter ficado chateado (em especial comigo, se a crítica foi certeira) e tento corrigir onde falhei ou retiro mesmo o que escrevi (coisa mesmo muito rara), se alguém foi desnecessariamente atingido. A minha liberdade tem limites e admito que algumas vezes acabo a auto-censurar-me para ficar dentro desses limites. Mas a minha tolerância também os tem, mesmo se tenho casca grossa e a minha auto-imagem não entra em colapso se não me respondem a uma mensagem num par de horas. Acho que muitas vezes me acham “arrogante”, apenas porque não tenho paciência para coisas escusadas ou redundantes.

O que lamento mais? Que algumas pessoas ainda sejam professor@s (mas não posso, nem quero, fazer nada acerca disso). Porque acho que estariam melhor numa central de comunicação, onde pudesse haver uma tabela de remunerações pelos serviços prestados pelas figuras tristes em nome da “liberdade de expressão”.

E Ainda Há Quem Goste De Amesquinhar O Almirante

Não fui à tropa. Não tenho fascínio por fardas. Não acredito em sebastiões salvadores da Pátria. Nem acredito em insubstituíveis. Mas acredito que há quem desempenhe melhor as suas funções do que outras pessoas e que, podendo ser substituídos, há indivíduos o serão com maior ou menor dificuldade. Por isso, acho que o papel de Gouveia e Melo no primeiro semestre deste ano foi muito importante, até pela forma como falava e agia, para meter alguma ordem na natural desordem tuga. Agora, há quem goste de apoucar o que fez, de o considerar vaidoso e de lhe assacar pecadilhos que são claramente de outros. Mas há quem viva com traumas e complexos toda uma vida. E certos anti-militarismos parecem-me mais do foro de uma “névoa mental” prolongada do que de qualquer análise lúcida da realidade (sim já sei, a realidade é umas construção individual e blá-blá-blá, até levares uma bela chapada na cara e te dizerem que foi uma ilusão e que nada aconteceu).

Portantosssss…. nisto da vacinação anda lá um senhor que também tem farda ou pelo menos aparece em algumas ocasiões. Mas não é por isso que as coisas andam bem. Como acharam que já estava ganha a “guerra”, desmontaram muitas tendas e a organização razoavelmente disciplinada de outrora deixou de ser generalizada e há sítios onde falta em boa escala. Assim como a lógica da vacinação passou a ser uma confusão, assim meio retalhada de acordo com as circunstâncias. Veja-se o caso da dos professores.

Mandaria a lógica que, como foi com as duas primeiras doses, o reforço fosse feito de modo ordenado, com as pessoas a serem contactadas para o fazer. E a verdade é que isso se começou a passar com algumas pessoas nas últimas semanas de Dezembro, que receberam a mensagem com dia e hora para a 3ª “pica” (não esqueçamos que somos o rebanho dos “picados” para as pessoas mais inteligentes que aí andam a ameaçar quem aparece na televisão a dizer coisas de que discordam), só que forma pouco sistemática, assim como se fosse para tapar “furos”. Mas, com a mesma idade, há quem não tenha recebido qualquer contacto. Agora, como terão recebido menos inscrições do que as esperadas para a petizada, decidiram abrir as tardes de 5ª feira a domingo para professores e pessoal não docente em regime “casa aberta” (o mais próximo do “à balda” que se pode arranjar, pois é a forma mais simples de se formarem filas na rua, mesmo se o Inverno está ameno) ou de senha digital. O problema é que já me foram relatados casos em que a “senha” traz a hora e o local, mas não o dia; e em alguns locais de vacinação casa aberta e agendamento ficam na mesma fila, o que só leva a confusão. Há locais onde as filas são separadas e tudo corre muito bem. Mas deixou de ser a regra clara, pois as excepções são muitas.

Por isso… arranjem lá um boneco em tamanho natural do actual CEMA que pode ser que funcione e ajude certas pessoas a perceber que mais vale usarem o que foi aplicado e funcionou, em vez de andarem a reboque e a querer apresentar serviço só porque dá jeito à campanha e agrada ao amplo Arco da Tranquilidade, que agora alia os “radicais” anti-vax e os pastores do sistema, no esforço por calar quem não faz parte das trincheiras instaladas.

3ª Feira

Não sou a pessoa mais cordata do mundo ou tenho pretensões a exibir uma educação superior à maioria. Mas chateia-me e a paciência escasseia quando leio certas pessoas que se amofinam se são mal tratadas ou qualificadas do que desgostam, a fazer o mesmo aos outros, numa de olho por olho, à Antigo Testamento. Por vezes, gente muito católica e Novo Testamento, amai-vos uns aos outros e tal em outras matérias. Portanto, não me apetece ser qualificado como “picado” apenas porque aceito ser vacinado e espero fazer o reforço da dosagem contra o “bicho”, que as duas primeiras doses passaram como um copo de água, só que com meia hora de espera a ver se caía bem. “Picado” fui logo após nascer e ainda bem que quase somos todos desde meados dos anos 60. Amigos meus com mais 2-3 anos só foram picados tardiamente e bem que sofreram à conta disso, a começar pela polio. No meu caso, a falta de um “reforço” fez com que aguentasse um camadão de sarampo à boa e velha moda. Tomara que a minha mãe não fosse então céptica com o “experimentalismo” das vacinas, porque quem as pagou fui eu. Depois disso, fui “picado” à brava para recuperar o atraso. Não é que o termo seja em si muito ofensivo, mas o contexto em que surge na boca e teclado de certas criaturas é no sentido de sermos “picados” como o gado ou a boiada nas touradas. E isso, que me desculpem aqueles a quem até trato apenas como “relativistas” e sabem comportar-se sem arrotar à mesa, dá-me vontade logo de mandar cert@s libertári@s à m€rd@ e esquecer quaisquer pruridos de etiqueta

Sim, sou vacinado e continuarei a sê-lo enquanto a relação ganhos/risco for claramente positiva, que eu não tenho medo de ficar com o “sangue impuro” ou que o meu adn fique corrompido, até porque já deixei descendência com o adn e sangue puríssimos, a menos que a vacina do tétano também seja o resultado de um conspiração global da China com o Biden, o Soros, o neo-capital global em qualquer nova versão dos Protocolos dos Sábios do Sião. Porque há quem fale em estratégia do medo, mas use a do terror, em pouco se distinguindo na retórica e estratégia comunicacional.

Concluindo, se é para darmos uma de Velho Testamento, a cada “picadela” que eu ouça ou leia por aí em tom de superioridade de sangue puro, levarão o devido tratamento de volta, à Cro-Magnon digital. Querem respeito? Respeitem. Querem liberdade? Só para vocês ou podemos todos usá-la? São muito ciosos da vossa pureza? Então, não fiquem a olhar para a sanita depois de fazer e não usem papel higiénico perfumado, muito menos de dupla folha, que vos enfia rna marado por ali acima. Limpem com o dedo e depois a folhas de couve.