Outrora

Em 1938, a aceitação do ideal de uma Escola Mínima, por uma das primeiras deputadas do regime, num debate na Assembleia Nacional (o primeiro parágrafo é meu, escrito há uns 15 anos, o resto é que é a citação da época):

(Diário das Sessões da Assembleia Nacional, 26 de Março de 1938)

Só que nem para o combate ao analfabetismo existiam professor@s em número suficiente, depois de medidas como o encerramento das Escolas Normais (aplica-se o mesmo do excerto anterior).

(Correspondência entre Mário de Figueiredo e Salazar))

Mas há muito tempo, ainda nos anos 20, se tinha detectado um problema que a “ditadura financeira” não iria ajudar a resolver.

(A Federação Escolar, 1927, nº 35)

6ª Feira

Tenho bem presentes, pelo menos, dois contextos em que andei de candeias às avessas com figuras muito ilustres da nossa praceta mediático-política acerca dos efeitos do decréscimo do número de alunos nas necessidades de professores. Porque, parece que de forma parva na altura, tentava relacionar a queda existente no número de alunos com a equivalente ou superior (e previsível no futuro que chegou entretanto) no número de docentes. E lembro-me bem que “do outro lado”, em especial nos tempos finais do Sócrates e iniciais de Passos, estava um grupo imenso de gente, do PS (naturalmente, mais no tempo do engenheiro e dos blogues avençados e criaturas já então em parceria com aqueles estudos da OCDE que ignoravam o primeiro congelamento de carreira) ao que agora é a Iniciativa Liberal (ainda me lembro de tentar partir cimento, sem qualquer resultado, com o seu primeiro líder), alguns ainda agora no PSD e outros em saída do CDS (com 31’s, blasfemos e insurgentes à cabeça), que ainda em tempos socráticos já eram claramente anti-profes, apoiando o congelamento, os cortes salariais e outras tropelias, pelo que não vale a pena a alguns escondê-lo quando se prova que estavam completamente errados.

Não vale a pena andarem por aí cheios de sugestões, a atirar números para o ar, a sugerir formações de professores em seis meses para desempregados de cursos em que os candidatos sempre desprezaram a docência (e agora descobrem tardia vocação, quais santos agostinhos), a querer que acreditemos que sempre souberam o que desdizeram e agora sabem mesmo o que não entendem. Isto para não falar dos tais economistas do momento que, subitamente, perceberam que podem apanhar umas salvas da bazuka dirigidas aos negócios da Educação, pelo que agora escrevem e estudam e aparecem a requentar as tais ideias que nunca tiveram ou ás quais se opunham.

Não devemos condenar ninguém por ideias antigas e até devemos acolher no nosso seio esta cristandade nova, tornada beata do crepúsculo para a madrugada e acreditar que a fé intensa que demonstram é verdadeira e não fazem farinheira em vez de morcela? Façam como quiserem, mas depois não se queixem se, daqui por uns tempos, voltarem a sentir muita dificuldade em sentarem-se direitos em qualquer superfície que não seja em forma de donut.

(ontem, sem especial enternecimento, lia prosas de directores, tão juntinhos que estiveram no Conselho de Escolas, a trocar argumentos sobre este modelo de gestão escolar, descobrindo num um gosto pela gestão colegial que calou anos a fio, enquanto outro considera que esta gestão unipessoal baseada em eleições colegiais e nomeações é mais “democrática”… e um tipo lê aquilo e percebe que, como certas pessoas ao atingirem certas idades, descolam deste mundo e ficam bem lá no alto, no seu particular monte olimpo…)