Inconseguimentos Digitais

Turma em sala de informática, pelo meio dos pingos da chuva das aulas de TIC, para preenchimento online de guiões de leitura e entrega via Classroom. Ao fim de 4 semanas (com 4 aulas na dita sala, para quem diz que em casa não sabem não pode, não consegue, não coiso) continuam 30-35% das tarefas por cumprir, mesmo depois de todas explicadinhas e demonstradas.

Principais razões para o incumprimento.

Semana 1 – não sei da palavra-passe.

Semana 2 – achei a palavra-passe mas deixei em casa.

Semana 3 – trouxe a palavra, mas não dá, stor, está errada.

Semana 4 – o que é que era para fazer?

(por questões de privacidade do grupo, vou omitir por aqui o feedback dado ao longo das semanas e a forma como progressivamente se tornou mais “assertivo”, mas em simultâneo desanimado com as competências digitais pretensamente “inatas” das novas gerações que, no fundo, se resumem a clicar em ícones e mandar memorizar todas as palavras-passe, em todos os sites, apps e zingarelhos)

15 opiniões sobre “Inconseguimentos Digitais

  1. Os nossos alunos precisam é de ter professores e não computadores! Tenho alguma coisa contra os computadores? A resposta é “não, não tenho”. Mas tenho tudo contra aqueles que instrumentalizam os computadores de modo a secundarizar os professores — e a pretexto de uma modernidade que de todo não existe. Atrevo-me a mais: entre um “mau” professor e um espectacular computador — se a coisa pode ser colocada nestes termos –, venha a nós o dito “mau” professor, cá estaremos não para o julgar, mas para trabalharmos juntos!

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  2. Divertido foi ver o Nuno Rogeiro, em directo, frente a um daqueles quadros que deslizam com um dedo ou caneta com ponta de borracha. Rapidamente ficou a protelar no mesmo slide ou deslizou de tal modo que desapareceu tudo. Por oposiçáo, no dia seguinte, um jovem jornalista ( nem 30 anos) fartou-se de mostrar a competência digital. Contudo e apesar de não ser fã do Nuno Rogeiro, este tem mais a dizer do que o jovem que apenas dizia banalidades e mostrava geografia “deslizante”. Em suma, senti-me acompanhada! 🙂

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    1. Divertido é ver o Nuno Rogeiro, o Júdice, o Nogueira Pinto, e outros “democratas”, a falarem na TV sem vergonha nenhuma na cara.

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  3. Paulo, apesar de tudo, sorri com os inconseguimentos. 😊
    Não sei de que ano são os seus miúdos, mas recentemente vivi essa experiência tecnológica com alunos do nono ano e até com alguns do secundário regular…
    É bem como o Paulo diz, o domínio e a destreza digital de inúmeros alunos não vai muito além de clicar em cima de ícones ou dos jogos online…

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  4. Tive um professor de Literatura Inglesa (devo dizer que adoro Literatura), que nunca precisou de tecnologias para ensinar (e já as utilizava com facilidade, mas só quando era mesmo obrigado a isso). Pelo contrário, dizia que um bom professor não precisa de tecnologias se for bom no seu oficio, e que a única “tecnologia” que precisa é de bons livros. Foi aí que passei a gostar ainda mais de Literatura, pois ele não só era bom cientificamente e culturalmente, como também sabia transmitir o que pensava e sentia, de uma forma tão apaixonante e interessante que era impossível não gostar de Literatura. Houve até colegas que nem gostavam assim tanto das matérias, e alguns achavam que até era difícil, mas acabaram por sentir tal entusiasmo e envolvência que acabaram por ler mais livros do que em todos os 20-25 anos que tinham vivido. Escusado será dizer que nenhum faltava às suas aulas.
    As lições dessa experiência foram muito uteis para mim, e hoje só uso as tecnologias na medida do necessário e obrigatório, quer para trabalhar, e investigar assuntos de que gosto, quer apenas por lazer. De resto, devo dizer que fiquei espantada quando me apercebi que quase todos os alunos a quem dou apoio em TIC e PR, em conjunto com o professor titular (e até tenho aprendido umas coisas), não sabiam como usar uma ferramenta tão banal para nós como o correio eletrónico! Então escrever…..
    O que o neurocientista francês, Michel Desmurget, escreveu no seu livro A Fábrica de Cretinos Digitais:
    https://www.dn.pt/internacional/seul-testa-robos-como-assistentes-na-pre-escola-14351420.html

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    1. Sendo, presumo, de Letras, pode dizer quem foi o professor? Eu sou da velha guarda. Tive professores que escolhi pelas mesmas razões. No seu caso, parece ter sido uma coincidéncia do bom e melhor. Diga o nome dele, é uma homenagem que lhe faz,

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      1. Desculpe, mas não compreendo por que razão quer saber o nome do meu professor. Da mesma forma que a senhora utiliza aqui apenas três letras soltas e um número para se identificar, eu não devo sequer mencionar a pessoa sobre a qual escrevi, não só por respeito pela sua privacidade (nem tão pouco lhe pedi autorização para referir o seu nome), mas também por achar absolutamente desnecessário fazê-lo. De resto, a melhor homenagem que lhe posso prestar, ou a qualquer outra pessoa de bem a quem me referir, é lembrar-me de todo o bem que fez e das boas marcas que deixou em tantos alunos, ao longo de tantos anos.
        Nota: “coincidência”?! Se é da “velha guarda”, não devia confiar em tudo o que lê!

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  5. É verdade que, na hora do trabalho a sério, a petizada é menos digitalmente proficiente do que aquilo que muitos apregoam. Pelo menos no caso dos meus, também não é menos verdade que parte dessa falta de proficiência é simulada e desculpa para protelar ou mesmo não fazer o trabalho.
    No fim de contas o que resulta é que, muito o pouco competentes no uso das tecnologias, quando se trata de trabalhar, ninguém lhe apetece.

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  6. Os pedabobos em altos cargos que defendem que a escola se deve adaptar aos gostos dos alunos em questões de novas tecnologias (jogos digitais, tiktok, redes sociais , cenas bue da fixes, tás a ver méne…) também defenderão o mesmo no que se refere à alimentação dos jovens? Isto é, dar-lhes o que eles gostam, empanturrá-los com doritos, bolos, batatas fritas de pacote, hambúrgueres, gomas e muitas bebidas cheias de açúcares e gases, pá malta dar uns brutos arrotos, qué disso ca malta jovem gosta, e temos que estar com os jovens, que são o futuro, e assim… ??

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  7. As TIC’s deformam o “cérebro”, os McDonald’s deformam o “estômago”. Em interacção, formatam-nos, alterando-nos, e não é inocente que assim seja. E não existe maior e mais esplêndida “modernidade” do que essa, creiam! Em alternativa, ler um bom livro e, ao mesmo tempo, ir petiscando um naco de pão alentejano com queijo de Serpa — conhecem melhor?…

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  8. Infelizmente, até o pão alentejano ou queijo de Serpa, entre outros ex-libris da riquíssima, variada e saborosa gastronomia e identidade portuguesa, sofreram com a invasão imperialista da comida rápida e barata (pelo preço agarraram o peixe miúdo!). O imperialismo económico arrasta sempre a mesma dose de imperialismo cultural, os quais levados ao extremo são o oposto da desejada interculturalidade e das relações harmoniosas entre os povos. A diversidade é sempre enriquecedora para a nossa qualidade como seres humanos e como cidadãos conscientes e empenhados em crescer juntos para construir um projeto de um mundo melhor. Quando o imperialismo, o poder e as oligarquias atingem níveis tirânicos, incluindo em países considerados democráticos, um dos seus objetivos é justamente minar a união e a força dos povos e das democracias. Dividir e pôr uns contra os outros para reinar!
    Seja por razões económicas, políticas, militares, étnicas, religiosas, entre outras, há sempre grupos e famílias poderosas que se aproveitam das fragilidades, muitas vezes momentâneas, de países já de si fragilizados por conflitos civis, religiosos, étnicos, militares, ingerências de outros estados, colonização, Guerra-fria, e que por várias formas foram sendo subjugados e enfraquecidos por falta de lideranças, de capacidade institucional na implementação das suas políticas e de reconhecimento da sua legitimidade. Em muitos casos, inclusivamente, a partilha de recursos naturais basta para ser o foco de conflitos, do ódio e do medo. Ao longo da História, e atualmente, em todos os continentes, sempre houve poderes oligárquicos políticos e económicos instalados que comandaram o mundo, como no Brasil, na China, na Rússia, nos Estados Unidos e em África – neste último, se pensarmos nas últimas cinco décadas, verificamos que cerca de 20 países passaram, pelo menos uma vez, por uma Guerra Civil, muito embora a partir da década de 1980, tenha havido uma maior generalização da implementação de governos democráticos com base em eleições. Mas é nos estados fracos ou fracassados onde se verificam as condições ideais para abrir caminho ao terrorismo e às redes terroristas, aos desastres humanitários, às massivas ondas de emigração, à corrupção, às economias paralelas e desreguladas e ao mercado negro. Inevitavelmente, surge um ciclo vicioso que leva à repressão, à violência, à anarquia, à miséria e à subjugação dos dominados pelos dominadores.
    Infelizmente, o que estamos a assistir atualmente, não é mais do que o perpetuar de um modelo histórico baseado na maldade e na ambição humana, em que a guerra é considerada por muitos poderosos maquiavélicos como um mal necessário para atingir os fins úteis. Sejam quais forem os motivos que os impele para a maléfica guerra, e o momento e lugar em que ela acontece, nenhum justifica os terríveis custos para toda a Humanidade, muito menos depois das perdas humanas, do sofrimento e da destruição causadas pelas duas guerras mundiais, entre outros conflitos entretanto ocorridos. No século XXI, o que aprendemos com tudo isso? E com a pandemia do Covid-19? O que vamos fazer para contrariar a crescente onda de violência e ódio – e Portugal não é exceção – e ensinar às nossas crianças que a guerra e a violência nunca é a solução para nada, pelo contrário, é o combustível para mais guerra e violência?

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