Também Aplaudo!

No último dia do Congresso da Anafre, em Braga, moção a favor da regionalização foi chumbada. Resultado da votação foi aplaudido, sinal que a divisão administrativa do país, reclamada por muitos presidentes de câmara, está longe de ser consensual mais de duas décadas depois do chumbo do referendo.

E Eu Dispenso Bem Todas As Excitações Epidérmicas

Escola de Cinfães é a primeira do país a ter quadros interactivos em todas as salas de aula. Na Madeira, a digitalização do ensino está quase a abranger todos os níveis de ensino. Há também experiências-piloto nos Açores e no continente.

Phosga-se! – Secção ” É Preciso Um Abelhão Destes Em Cada Esquina”

Como escrevi abaixo, quando um subcoiso pede satisfação a um@ PCGeral, algo se inverteu de forma decisiva. Confesso que em tempos também me aconteceu uma criatura desatar aos berros comigo, em plena reunião de DT’s, porque como PCG eu teria tomado atitudes que lhe desagradaram e achava que, por ter votado na lista, tinha direito a isso. Apenas se tinha esquecido que eu enviara mail a pedir a opinião de todos os docentes sobre o tema e qual a minha posição, não tendo a dita criatura expressado qualquer desacordo.

Mas neste caso, acho que a situação e mais grave, pois existe uma evidente pressão sobre a liberdade de expressão sobre alguém que não tem qualquer tipo de dependência hierárquica em relação a um pombal de esquina. Porque há quem perceba muito de leis, mas ainda não tenha entendido que a Direcção depende do Conselho Geral e não o contrário. Já agora, o artigo 70º do Código Civil é o que se refere à “tutela geral de personalidade”, algo que me parece que poderia fazer um ricochete dos bons.

Para:

 (…)

Cc:

Conselho Geral;

 Presidente do Conselho Geral

Pedido de explicações sobre publicação em rede socialI

Ex.ma Senhora Professora (…) 

Durante o dia de hoje, tomei conhecimento de uma publicação, num grupo da rede social Facebook, com dezenas de milhares de aderentes, em que me incluo, centrado em temáticas de professores, que, depois, terá sido alegadamente apagada (embora tenha estado patente pelo menos 4 horas e tenha tido centenas de comentários de assentimento). 

Tal publicação, cujo teor se transcreve, abaixo e integralmente, contém afirmações, nomeadamente, entre outras, as que sublinhei, que considero graves, quer no que se me refere, quer à organização em que ambos prestamos serviço, em especial, atendendo à natureza do cargo para que  V.Exa. foi eleita e que desempenha. 

Essa publicação foi alegadamente publicada na rede social por uma utilizadora com o nome e apelidos de V. Exa. e, no contacto pessoal, já havido sobre este assunto, V.Exa. não negou a autoria de um texto com esse teor, antes a confirmou e assumiu como sua. 

Acresce que, coincidentemente, é sabido que teve esta tarde realmente uma reunião com encarregados de educação que, creio que concordará, foi muito construtiva e útil e muito longe do retrato que dela fez, por antecipação. 

Assim sendo, e não se suscitando já grandes dúvidas da autoria do texto (que, mesmo assim, ainda pode esclarecer melhor) solicita-se que me possa fornecer as explicações que entender sobre o seu teor, nomeadamente atendendo aos termos do artigo 70º do Código Civil. 

Peço que releve a natureza do pedido, se existir confusão na autoria (o que não se crê), mas recordo a V.Exa. que, sendo a Presidente do Conselho Geral do Agrupamento, em que ambos trabalhamos, o teor do que expressou com larga visibilidade (alegadamente num espaço de opinião pessoal) não é separável das funções que exerce. 

Aliás, a personalidade não é cindível em papéis estanques em situações destas. 

Nessas funções, no Conselho Geral, também me representa, como docente com direito de voto, que sou. 

Tratando-se de uma função de origem eleitoral e com uma forte vertente de representação política, as suas opiniões têm relevância para o juízo sobre a sua ação num órgão de representação de opiniões e grupos da comunidade escolar. 

Por isso, decidi dar a oportunidade a que as explique, mas também dar conhecimento aos membros do órgão a que preside, deste pedido de explicações, requerendo que, quando as disponibilizar, estas sejam divulgadas à comunidade, como é lógico, visto que se referem a assuntos de interesse geral às funções e a grupos representativos dessa comunidade. 

Mais que a mim ou à equipa a que pertenço ou ao líder dela, diretor deste agrupamento, é à própria comunidade, de cujo órgão representativo é Presidente, que deve prestar explicações sobre estas afirmações, que reputo de graves, e que, aparentemente lhe são imputáveis. 

Com os melhores cumprimentos, 

(…) (docente do quadro do agrupamento da Abelheira) 

Texto da publicação aqui referida 

“Boa noite. Não é meu costume publicar acontecimentos da escola nas redes sociais, mas esta semana aconteceu algo que em 22 anos de trabalho foi a primeira vez e pergunto-me onde vai o ensino parar, quando os pais/encarregados de educação controlam a própria equipa da direção /diretor

Um aluno que está no primeiro ano de Inglês (PRIMEIRO ANO, ou seja é aluno do 3 ano) não trouxe o material para a aula, segundo ele porque a mãe o mandou deixar em casa para estudar para a ficha de avaliação (que terá lugar na próxima semana. Vejam lá o disparate). Claro que não pode realizar as atividades nos manuais, não os tinha, claro. Uma mensagem escrita seguiu para E. E.. a relatar a situação e após isso enviou-me um email não em tom humilde e de tentativa de esclarecimento, mas acusatório, pois o educando informou a mãe que a professora o PROBIU de fazer qualquer registo escrito. Com base nesta mentira, foram ao diretor da escola denunciar a minha “postura” como professora, tendo ainda a estupidez de me dizer por mail que tem todo o direito em criticar a minha ação na aula, porque também é INTERVENIENTE na mesma, aliás todos os E. E. o são. 

Podem imaginar tudo que me apetecia responder a essa senhora!!!  

Para piorar tudo, o diretor convocou-me para uma reunião juntamente com os pais desse aluno, sem tampouco conversar comigo e ouvir a minha versão dos factos! 

Chamo a essa atitude HUMILHAÇÃO pura!  

Colegas, com comportamentos de E. E. assim e este tipo de comportamento por parte dos diretores, é assim que vai o ensino em Portugal e a educação das nossas crianças? 

Se pudesse, abandonava hoje esta profissão. Daqui a uns anos não há professores, nem nenhuma outra profissão. Este povinho esquece que somos nós que formamos todos os outros profissionais. 

Desculpem o desabafo, mas hoje precisava… “

Domingo

Este modelo de gestão escolar está errado. Ponto final, parágrafo. Não vai lá com remendos a fingir que são “reforma”. Porque, como em tempos de Estado Novo, as tropelias podem vir com a chancela da “lei”, tudo muito bem alinhado e discriminado. Afinal, no Estado Novo, havia uma Constituição que tinha sido plebiscitada e tribunais formalmente independentes. O problema é que existem momentos em que os abusos vão para além do que a própria lei permite. Publicarei ainda hoje um documento dirigido por um subdirector a uma Presidente do Conselho Geral que é um autêntico manual de falta de civismo, prepotência, abuso dos poderes e coacção sobre a liberdade de expressão. Quando se querem debater “problemas” na gestão escolar e classe docente, como na elaboração das leis, devem sempre fazer-se as propostas em abstracto e não a pensar no interesse próprio. Em alguns casos, porém, as leis devem ser pensadas de modo a impedir explicitamente certos abusos. E em nenhum momento, a legislação em vigor permite que um nomeado sem escrutínio peça satisfações a quem até tem a legitimidade de uma eleição em universo alargado e não em colégio eleitoral. Nada disto me espanta, os indícios já eram muitos e não são exclusivos de uma única “unidade orgânica”, não tendo especial prazer em devassar a vida desta ou daquela. Mas é muito importante que se perceba que há quem, de forma descontrolada e vingativa, possa causar muitos danos à vida pessoal e profissional de pessoas que se detestam só porque não aderem a guerras particulares.

O problema é que, ganhando balanço, se torna difícil travar isto ainda no ovo.