Desequilíbrios

Nem sempre, quem está do lado de fora da sala de aula e da escola, consegue compreender o esforço feito no interior para que 20-25-28 alun@s façam o melhor possível em condições complicadas. Há quem, por ter sido já alun@, pareça saber tudo sobre Educação. Pior, esquecem-se que antes de serem pais ou mães, muit@s outr@s já o foram. Confesso que por vezes a paciência me escasseia e o pé foge-me mais para a clareza do que para os subterfúgios e salamaleques. Porque há quem peça demais à escola, para o que faz fora dela, sendo sua obrigação. Quem não consegue com um ou dois o que quer que os outros consigam com 30-50-100 ou mais. Há quem não goste do que lê ou ouve, mas raramente é desconforme aos factos e ainda mais raramente foge à concisão. E para acabar o desabafo, nunca foi meu hábito pedir que me resolvam os problemas que possam existir fora dos portões da escola. Pelo que às vezes me apetece colocar uns patins e desandar. Ou fazer desandar. E quem achar que é muita assertividade e pouca sensibilidade, é porque não está a ver bem, nem ao longe, nem ao perto. Porque esta de sermos missionários em procissões alheias já deu o que tinha a dar.

E quem não percebeu, ainda bem, porque se calhar nem tem nada a ver com o assunto.

Tretas

Afirma-se que os “Diretores antecipam que provas de aferição reflitam a dificuldade em recuperar aprendizagens”. Vamos lá ser sinceros: isso é uma treta das grandes, pois tudo depende do que as provas quiserem provar. basta uma ligeira torção na elaboração da prova e dos respectivos critérios para que a coisa permita provar uma tese ou a sua contrária. Mesmo com aqueles relatórios manhosos – sem quantificações que só servem para “classificar” – cheios de conversa sobre competências, podem-se elaborar relatórios que dizem o que dá jeito que se diga. Sem haver, sequer, pontos de comparação fiáveis ou uma série de dados que permita enquadrar qualquer evolução nas disciplinas “aferidas”. Estas provas são a fingir, para cumprir calendário e dar uma aparência de qualquer coisa. Tirando objectivos políticos e eventuais necessidade de justificar “formação”, não servem para absolutamente nada e muito menos para avaliar aprendizagens por recuperar. Como se em circunstâncias normais, sem pandemia, os resultados se adivinhassem brilhantes. Deixem-se de conversa fiada… não se comecem a auto-justificar. Mais valia assumirem que estas provas bissextas são uma mera encenação.

Leituras

Scrolling curated For You Page exposes users to disinformation within 40 minutes, investigation by NewsGuard suggests

Maps show – and hide – key information about Ukraine war

Ukraine captured a batch of Russia’s missiles and fired them back at its troops, report says

Loitering Munitions: Ukraine’s Secret Drone Weapon Against Russia

Why Can’t We Admit That Ukraine Is Winning?

Alfa Ou Ómega?

Na próxima 4ª feira, dia em que se conhecerão os novos governantes, há um evento na Gulbenkian (que belo feudo que conquistaram!) que poderá ser o último ou o primeiro do (novo) regime costista na Educação. Último se o actual SE costa decidir que já chega e que é tempo de outros voos; primeiro, se decidir, finalmente, assumir como seu o lugar que sempre foi. E eu até acharia bem que assim fosse, que ficasse para a parte “chata” das negociações com os sindicatos acerca daquelas coias pouco populares fofinhas como a carreira docente e a add, e que consigo trouxesse para a claridade as eminências pardas dos últimos seis anos de governança flexível, inclusiva e modernaça, a menos que lhes desgoste serem “secretários”: Domingos Fernandes como secretário da Educação para as Coisas Pedagógicas; David Rodrigues como secretário de Estado da Educação para as Coisas Inclusivas; Rui Trindade como secretário de Estado para as Coisas Formativas, ficando por preencher (será que é desta, Filinto? sabes que não te coloco aqui por mal, antes pelo contrário) o cargo de secretário de Estado para as Coisas Administrativas.

Anote-se a presença do sempre disponível, na ausência de Andreas Schleicher, Paulo Santiago, para dar a chancela da OCDE a tudo isto.