Não Seria Mais Fácil Apenas Apresentar O Cartão Da Cor Certa?

Em algumas zonas, do país, já se entra para dar aulas em cursos profissionais, como técnico especializado, quase nessa base. Isso e os amigos certos na “entrevista”. Claro que ainda não é geral, mas com a municipalização e certa “porosidade” política, lá chegaremos. Depois, virá a contagem de tempo de serviço integral e a ultrapassagem à medida.

Quanto a esta medida específica, depois de todo o arraial montado há 15 anos, com tanta exigência para que todos os professores tivessem formação pedagógica, dá vontade de rir. Não porque discorde de se contratar gente com competência científica, que depois pode ser complementada, mas por ser algo que vai ser aplicado pelos mesmos que antes defendiam que assim não podia ser.

Só os burros não mudam de ideias? É bem possível, assim como haver que nunca deixe de o ser.

Até porque em vez de darem melhores condições para recuperar quem se afastou nos últimos 10 anos e tem experiência, vão em busca de quem vai entrar na onda do biscate, pois nem pensaria ir dar aulas se não estivesse desempregado.

Governo alarga leque de quem pode dar aulas

Prémio “Nada Como Um Gestor De Marketing Em Cada Escola, Para Ficarmos Todos Embrutecidos, Desculpem, Enriquecidos”

A cruzada do Observador em matéria de Educação, faz-me lembrar um reflexo das políticas curriculares costistas, na sua dimensão “utilitarista” mais idiota. Uns querem filosofias ubuntus, andar de bicicleta e coisas muito mindfulness; os outros querem muita educação financeira e como preencher o irs. Todos querem coisas “práticas” e “úteis para a vida”. De um lado pedagogias patchouly, a ressumar anos 60 e 70; do outro uma variante de educação reaganomics, com todo aquele aroma à ganância típica anos 80-90. Hippies de um lado, yuppies do outro. Duas faces de uma mesma moeda brilhante por fora, mas sem valor para além do tempo passageiro. Desta vez, é um daqueles “gestores de marketing”, precocemente atacados por alopécia estética à hipster que nos vem com a sua “visão” para melhorar a Educação. Não sei onde é que o AHCristo descobre estes cromos, mas realmente é notável esta visionária vacuidade balofa:

Como é possível que não sejamos ensinados na escola sobre a forma como a sociedade funciona, nomeadamente capitalismo, que é, goste-se ou não, o sistema em que vivemos?

Não é plausível que tenhamos 12 anos seguidos de algumas disciplinas e que não tenhamos outras que nos preparariam noutras vertentes importantíssimas da vida, como o cultivo do espiríto [sic] crítico, o direito, a política ou a educação financeira.

A Accountability Para Os Grandes

Os CTT foram privatizados e, de forma regular e sucessiva, não cumprem os indicadores de qualidade definidos no contrato de prestação do que deveria ser um serviço público universal. Parece que em 2019 eram “muito exigentes” (em 2018 já tinha havido críticas à forma como os CTT se auto-avaliavam); já em 2020, a Anacom concluiu que “tendo em consideração a informação disponível, nota-se que em 2020 todos os IQS se situaram aquém dos respetivos objetivos de desempenho, para o ano em análise”, sendo que a pandemia serviu de desculpa para o novo incumprimento. A verdade é que o serviço universal é feito de uma forma completamente vergonhosa para os utentes, empurrando-os para o pagamento suplementar do serviço expresso, como outrora quando inventaram o correio azul para garantirem que faziam o que antes faziam sem envelopes coloridos. À aproximação da data de renovação (ou não) do contrato de concessão, pareceu existir uma pequena melhoria no serviço (aqui pela minha zona, o correio passou a aparecer mais de 1-2 dias por semana), mas mal foi estabelecido novo contrato de concessão, eis que voltámos ao mesmo. Um dia por semana, dois com muita sorte, mesmo se há um centro de distribuição a 5 minutos. Queres enviar ou receber qualquer coisa a tempo, paga serviço extra. Quando dizem que os serviços postais entraram em queda e os transportes até estão melhores, seria um paradoxo em qualquer país em que tudo isto não funcionasse na base das negociatas de amigalhaços. Porque servir mal os clientes, dá lucro.

Entalados no meio disto tudo, ficam os precários carteiros, sempre a mudarem de ronda e numa roda viva, cada um a fazer o trabalho de uma área que deveria ser de dois ou três.

3ª Feira

Após mais de seis anos a governar, grande parte deles com o apoio de outras forças políticas, surge agora a proposta de um “pacto social para a Educação”, com a assinatura do deputado silva, porfírio de sua graça e mais um outro signatário. Tradução: queremos sossego, portanto, vamos pedir ao PSD que alinhem connosco nisto. Lamento, mas nem em sonhos, mesmo não sendo laranja. Tenham vergonha.