6ª Feira

Algumas das medidas que agora se apresentam para contrariar a escassez de professores parecem-me óbvias. Mas já pareciam óbvias antes, há um ano, dois anos ou mesmo mais. Chegam atrasadas e seria interessante saber porquê, pois não partilho da teoria do “não sei, nem quero saber”, muito habitual em que tem culpas bem visíveis no cartório. Andou-se a dizer que a falta era localizada em termos geográficas e circunscrita a alguns grupos disciplinares. mesmo que assim fosse, era algo grave. Mas nada se foi fazendo, antes pelo contrário, se pensarmos na acção de terraplanagem da secretária Leitão quando esteve na Educação. Foram delas medidas de “boa governança” na questão dos horários incompletos dos colegas contratados, seguindo uma lógica que em nada se distinguia do “mais com menos” dos tempos da troika. O que agora se propõe (completar horários de colocações tardias ou em substituição de horários com reduções) é a negação do que foi imposto em 2018, exactamente quando o problema se começou a agravar e não julgo estar errado se considerar que esse esforço de “racionalização” e “eficácia” ajudou muito à recusa de colocações de gente que ficou impedida de concorrer. E que agora já vai poder concorrer de novo. Mais uma vez, invertendo medidas de Alexandra Leitão que na altura receberam forte oposição de quem estava por dentro do problema. O que significa que ou o então secretário Costa anuía a tudo com a objecção de consciência que nega a outros, ou concordava com tudo e agora já discorda. Ainda bem que mudou de opinião, se assim é. Pena que continue tão casmurro em outras matérias. Como parece que veio para ficar, é bem possível que daqui a um par de anos se percebam outras asneiras. Mas aposto que a culpa vai ser toda atirada para a pandemia que, sendo ninguém, é fácil de responsabilizar por tudo.

4 opiniões sobre “6ª Feira

  1. Continuo a achar que não é ignorância nem incompetência. É apenas mais uma etapa na concretização da Escolínha de Mínimos dos Costas!…
    O ensino público português só por inércia ainda não está como o brasileiro. Lá chegará daqui a 2 ou 3 anos.
    E quanto a desenvolvimento económico nacional, a Albânia vai ser o limite!…
    Depois, Portugal cumprirá a sua plena africanidade: um Burkina Fasso ou uma República Centro-Africana da Europa!
    E já nem nos falta o Imperador Bokassa, cada vez mais impante e arrogante!…

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  2. O socialismo sempre teve este condão de criar um mundo alternativo ao mundo real.
    Vivem sempre no melhor deles: o virtual.
    Olhamos à volta e vemos o real, as dificuldades e o sofrimento – os professores, entre muitos outros, veem esse mundo todos os dias.
    Os socialistas e os órgãos de comunicação social portugueses olham à volta e veem o Portugal virtual, um país de abundância e que dá cartas ao mundo.
    Temo pelo futuro dos meus filhos.

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    1. Penso que será sintoma de um (ou vários) dos seguintes problemas:
      – Esquizofrenia
      – Excesso de marketing
      – Contaminação putiniana
      – Síndrome da dupla personalidade paranóide
      – Visão dupla (e turva)
      – Realidades paralelas
      – Intoxicação socratiniana durante a maioria absoluta
      – Alienação para não enfrentar a dura realidade
      – Ter visto o filme “Matrix” muitas vezes e só conseguir concretizar a versão pobrezinha

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