3ª Feira

É notícia que “Quatro em cada cinco alunos de minorias sexuais e de género ainda preferem não o revelar aos professores ou funcionários no contexto da escola” e que “A escola ainda não é um espaço seguro para uma grande parte dos jovens LGBTQ.” A questão que gostava de colocar é se já perguntaram às professores e professores se sentem segurança em assumir, no espaço escolar, uma orientação sexual/de género diferente da convencional e se acham que isso vai ser encarado “naturalmente” pela comunidade escolar, alunos e “famílias”, incluídas. Porque nas escolas os direitos são muito assimétricos, só que não no sentido que muitas vezes se gosta de propagandear.

6 opiniões sobre “3ª Feira

  1. “Direitos assimétricos?!” Talvez porque na escola, como na loja, o cliente tem sempre razão.

    Olha, mas essa notícia é, em meu entender, uma mariquice. Há coisas bem mais importantes.

    Gostar

  2. A notícia é uma não-notícia, é chover no molhado. Pelo contrário, a questão que o Paulo coloca é, essa sim, de grande pertinência. Mas talvez não fosse tão fácil de apurar — se é que a notícia apura alguma coisa para além do senso comum — e tão “sanguinolenta” e chamativa…

    Gostar

  3. Boa! Mas na verdade , o Público alterna em dizer que os professores estão a faltar, ou há falta deles ( coisas diferentes), ou então que os meninos e meninas só não assumem a sua sexualidade aos professores. Parte gira: da minha experiência, falam mais com os professores sobre as suas orientações do que com os pais. Casos de alunos que querem ser chamados e tratados como “Carlos” ,mas que sentindo-se mal, pedem que ao telefonarmos para os pais, que digamos que é a “inês”. E vêm os pais e aquilo que é/era óbvio para nós, não é para os pais que continua a nada vez. E culpados somos nós?

    Gostar

  4. No geral, a escola continua a não ser um espaço seguro por várias razões. Antes do problema dos jovens LGBTQ, o bullying, o assédio moral e sexual, os roubos, as “naifadas”, as ameaças, os comportamentos desviantes a rasar a delinquência, e outras formas de intolerância e falta de respeito pelo outro, não só contra alunos, mas também contra pessoal docente e não docente, já davam dores de cabeça e, em muitos casos, chegaram a vias de facto. A polícia da “Escola Segura” até aparecia a rondar o quarteirão e a escola, mas nem isso existe agora.
    Julgo que o foco não deve estar apenas nos novos problemas, mas nas causas de todos esses e dos outros a montante e muito enraizadas na nossa sociedade, e dirão, nas sociedades atuais em geral. Sim, mas é esta em que vivemos que me preocupa, em que os piores exemplos vêm de cima, de adultos com responsabilidades familiares e educativas, sociais, culturais e políticas – veja-se a violência presente nos media, na Internet e nas redes sociais, repetidamente e facilmente viral e acessível, a violência doméstica e os crimes a ela associados, marcados por uma forte componente masculina, machista e sexista, o desemprego e a precaridade das condições de trabalho e de vida, o crescente fosso entre pobres e ricos, o alcoolismo (os jovens, que hoje são adultos, há muito que começaram a beber cada vez mais cedo), o consumo de drogas, a falta de respeito pelos adultos e pelos mais velhos (os velhos são mesmo tratados como trapos, como se os trapos não pudessem ser “reciclados” e recuperados para serem úteis e válidos), a falta de respeito pela autoridade e pelo incumprimento de regras básicas essenciais à vida em sociedade ou em grupos, o desrespeito pelos direitos humanos, a corrupção em muitos setores da sociedade, a impunidade, o laxismo, o facilitismo, entre outros – não admira, por sua vez, a escalada de violência, de discriminação, de xenofobia e de terror psicológico em que todos vivemos. “Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço” parece continuar a ser a lógica
    Por outro lado, a mania de que a escola tem de saber fazer de tudo e que tudo tem de ser resolvido por ela, como se os outros agentes educativos pudessem “lavar daí as suas mãos”, em muito contribui para a falta de responsabilidade e de responsabilização de todos os outros agentes educativos. Se é verdade que é preciso uma aldeia para educar uma criança, não é menos verdade que é preciso um país para educar todas as suas crianças, adolescentes e jovens.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.