Uma Questão De Validade?

Texto enviado por J.P. Domingues.

As boas professoras estão a chegar ao fim da validade.

Educar significa capacitar, preparar para a sociedade que projetamos.

Essa preparação cabe à família, à Escola, à Sociedade. Educar dá muito trabalho, é esgotante, é cansativo, exige muito tempo, perseverança, dedicação e muitos afetos.

Hoje, vivemos numa sociedade com muitos tipos de família, um grande número de alunos vive só com a mãe ou o pai, e muitos pais abdicaram do papel de educadores, transferindo para a Escola a responsabilidade de capacitar os seus filhos para a vida de adultos.

«A palavra “escola” tem a sua origem na Grécia antiga, com SKHOLE, que foi evoluindo até ao Latim SCHOLA. Os termos de ambas as línguas têm o mesmo significado, “discussão ou conferência”, mas também significavam “folga, ócio”. Este último significado, no caso, seria um tempo ocioso onde era possível ter uma conversa interessante e educativa.»

Hoje a Escola é tudo, menos ócio ou folga. Hoje, na Escola, aprende-se a gatinhar, a andar, brincar, falar, vestir, ler, escrever, contar, raciocinar, comer e saber comer, tomar banho, tomar medicamentos, passar o tempo, namorar, passear… É da responsabilidade da Escola saber se os jovens andam asseados, bem alimentados, tem bom ambiente familiar, o tempo que demoram de casa à Escola, se estão bem integrados, se chegam atrasados, se trabalham e estudam, se dormem, se tem livros e cadernos, passe para os transportes… É caso para dizer, hoje a Escola preocupa-se com os alunos e os pais!

Hoje, o termo mais correto para designar aqueles que têm a árdua tarefa de ensinar não deveria ser professor, mas multifunções, ou três em um…

As atas das reuniões dos anos noventa tinham duas linhas, onde se lia. «O comportamento da turma foi considerado bom e aproveitamento satisfatório». Hoje as atas têm dezenas de páginas.

Raros são os dias em que não saiam nos jornais e televisões notícias de alunos sem professores, a falta professores em muitas zonas do país, o cada vez menor número de candidatos a professores, e que daqui a meia dúzia de anos não há professores para substituir os professores que agora se reformam.

Muito se tem falado, mas pouco se tem dito sobre as verdadeiras causas da redução do número de candidatos ao ensino superior.

Portugal teve e tem o melhor quadro de professoras da sua História que agora estão a “chegar ao fim de validade”. Estas excelentes professoras são fruto da escolarização em massa que teve início nos anos 70, em que centenas de milhares de meninas passaram a frequentar a escola. Nos finais do século XX, médico, juiz, advogado, engenheiro, gestor, ainda era visto como profissão para homens. A educação familiar ainda formatava muito as meninas para que o seu projeto de vida passasse por um casamento para a vida, serem mães, e terem uma profissão que lhes permitisse acompanhar a educação dos seus filhos, e nada melhor do que serem Professoras. Foi assim que milhares de meninas aplicadas, empenhadas, trabalhadoras, bem preparadas no ensino básico e secundário, escolhessem como primeira opção e abraçassem de corpo e alma a carreira de docente. Foram estas Professoras que fizeram com que Portugal deixasse de ser um país de analfabetos e passasse a exportar emigrantes licenciados. Se hoje temos uma agricultura moderna, uma indústria de topo, uma tecnologia de ponta, uma saúde igual à que se faz noutros países da Europa, se empresas passaram a ser geridas por licenciados bem preparados, em vez de gestores com a quarta classe, foi graças ao trabalho que estas Professoras realizaram nas Escolas nos últimos 30 anos. Portugal tem uma dívida enorme com estas Professoras; o agradecimento foi o de lhes retirar sete anos na progressão na carreira! Apenas se lhes pode apontar uma falha, o não terem criado políticos com visão de futuro. Hoje, a sociedade olha para a classe política com desconfiança, em vez de servirem o país servem-se do país!

Para tapar os buracos, criados por políticos incompetentes, nos sucessivos negócios ruinosos da TAP, das PPP, da Banca, das estradas sem carros, das barragens… os políticos desde há muito que viram na educação a galinha dos ovos de ouro. Sendo a classe docente a que tinha mais profissionais (cerca de 140.000, em 2005), por menos que se retirasse a cada docente, no conjunto seria muito! Nós últimos anos, a redução do orçamento da educação foi enorme, mais vai ter custos no futuro!

O primeiro ataque à carreira docente foi executado pela Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, esta senhora pensa que fez um grande trabalho no Ministério da Educação. O seu governo resume-se em duas ideias fundamentais, a primeira foi o deitar abaixo centenas de Escolas em boas condições, mandadas construir no antigo regime, esbanjando milhões na sua reconstrução, enchendo os bolsos a dezenas de construtores pouco escrupulosos, em vez de reparar Escolas cobertas de amianto, com infiltrações e construídas depois do 25 de abril.

A segunda ideia foi a de transformar a carreia docente de tal forma que os cursos vocacionados para o ensino deixassem de ser opção de escolha na hora de ingressar num curso superior. Para se ter uma noção da drástica redução remuneratória dos doentes, nos anos noventa, um professor, no início de carreira recebia, já com os descontos feitos, o equivalente a três ordenados mínimos. O ordenado mínimo era 40 contos e o professor recebia 120 contos. Hoje, um docente que progrediu na carreira com 32 anos de serviço, recebe, depois dos descontos feitos, dois ordenados mínimos, 1.400 euros. Hoje, um professor no início de carreira ganha líquidos menos de 1,5 ordenados mínimos, 1.030 euros. Não compensa tirar uma licenciatura na área da edução para ser professor, quando dentro de pouco tempo um caixa de supermercado ganhará tanto como um professor, sem ter que percorrer quilómetros, sem ter de partilhar uma segunda bomcasa, sem ficar longe da família. Para além desta drástica redução dos vencimentos dos professores foram criadas regras de progressão na careira docente em que só um número reduzido de professores chega ao topo de carreira ficando a maioria pelos escalões intermédios, não porque não merecessem ascender aos escalões mais altos, mas porque a cotas não o permitem. Se não houvesse carreira docente e todos os professores ganhassem o mesmo, e a regra fosse a de três ordenados mínimos líquidos, como acontecia nos anos 90 no início da carreia, não haveria falta de professores.

Havendo centenas de milhares de professores em Portugal, a maioria na casa dos 40 anos, com a vida estabilizada, muitos com os filhos criados, os políticos sabiam que podiam fazer todas as maldades aos docentes que estes nunca deixariam as escolas, ao contrário de outras profissões, como na saúde em que os profissionais fogem para o privado, ou para o estrangeiro. Acresce que nos últimos anos, o número de alunos teve uma redução significativa e a idade da reforma aumentou cerca de 10 anos, tudo se conjugou para que nos últimos 20 anos não houvesse falta de professores. Agora que este excelente grupo de Professoras está a chegar à idade da reforma é que se vai notar a escassez de docentes! Hoje, os políticos já são outros, mas o pensamento é o mesmo!

Para poupar na educação, os políticos fecharam milhares de Escolas espalhadas pelas aldeias do mundo rural. As pessoas do mundo rural, sem condições para educar os filhos, puseram-se em fuga para os grandes centros, deixando os campos agrícolas ao abandono e à mercê dos fogos; desde que fecharam as Escolas os fogos duplicaram. Quiseram poupar na educação uns trocos, para agora a Proteção Civil gastar milhões no combate aos incêndios. Depois das pessoas terem sido corridas para as cidades para trabalharem como caixas nos hipermercados, começaram a dar incentivos para que se fixassem no interior. Estes políticos são gente louca!

Depois de tantas maldades feitas aos professores, depois de se dizer tão mal da classe docente seria muito difícil que os jovens quisessem abraçar a carreira de professor como os seus professores fizeram, eles sabem o que docentes sofrem com os alunos e com os seus encarregados de educação.

Só ensina quem sabe, e só sabe quem aprendeu, só é bom professor quem foi bom aluno, só é exigente com a formação dos seus alunos quem foi exigente com a sua aprendizagem. Um mau aluno nunca será um bom professor! Esta é a regra, há exceções. Com a degradação da carreira docente, com o aumento brutal de trabalho burocrático, com o aumento do tempo gasto em reuniões, sem proveito prático nas aprendizagens dos alunos, que só servem para desgastar os docentes e os impedir de se concentrar no fundamental que é ensinar, as melhores alunas, de hoje, tal como os melhores alunos, ambicionam carreiras mais reconhecidas pela sociedade que lhes permitam ter uma vida mais desafogada. Aquelas meninas, boas alunas, que nos anos 80 quiseram ser professoras, hoje querem ser juízas, advogadas, médicas, cientistas, gestoras, oficiais do exército, comandantes de polícia, engenheiras. Hoje, ninguém quer ser docente, e os que vão para o ensino são os piores alunos, que por falta de melhor vão para professores. Mal será de um país quando as futuras gerações forem formadas pelos piores! Como poderá um futuro professor ensinar as leis da matemática, física, química, se ele como aluno nunca as percebeu? Como poderá um futuro professor ensinar português, inglês, francês, história, geografia ou filosofia, se ele quando aluno se arrastou pela escola transitando com níveis negativos? Como poderá um futuro professor motivar os seus alunos, incutir hábitos de trabalho, se ele enquanto aluno nunca os teve? Não se augura nada de bom na formação das próximas gerações!

Havia muitos arautos que apregoavam que a carreira de docente teria os dias contados, que num futuro próximo os computadores iriam substituir os professores! Se o COVID 19 teve algo de bom, foi provar que sem professores não há educação, nem formação. Os computadores podem ter o conhecimento, são um excelente auxiliar, mas não têm afetos, nem conseguem motivar os alunos. Uma grande parte das famílias não sabe para ensinar os filhos, e os que sabem não têm tempo. Os últimos tempos vieram provar que as Escolas ainda estão para durar, o que será confirmado quando os alunos que estão no 1º ciclo chegarem ao secundário. A aprendizagem é como a chuva, a que não caiu no outono, não cai no inverno. Quem não aprendeu o que devia na idade certa, não há planos de recuperação que lhes valha. Os planos de recuperação só estão na cabeça dos políticos e nas notícias dos jornais, os professores que estão no terreno sabem que todos esses planos não passam de foguetório, porque se resultassem, já teriam sido aplicados há muito com os alunos que têm menos sucesso! A aprendizagem é feita por degraus, que é necessário percorrer e que não é possível saltar. Um aluno que transite um ano com nível negativo a matemática ou a uma língua, dificilmente recupera!

Portugal debate-se com problemas de natalidade, uma das razões por que temos uma natalidade tão baixa, é a mesma que leva a que haja uma baixa procura por cursos vocacionados para o ensino. Educar dá muito trabalho, é muito cansativo e esgotante. E se uns não querem ter filhos porque dá muito trabalho educá-los, os outros não querem ser professores para ensinar e educar os filhos que não são seus!

Às razões referidas que levaram a que a carreira docente deixasse de ser aliciante, deve-se acrescentar a indisciplina e autoridade dos professores na sala de aula. No passado recente, uma família sentia-se envergonhada se recebesse a participação de uma repreensão do comportamento incorreto ou insolente do seu educando na sala de aula. Hoje, uma grande parte dos pais quando recebem uma participação do comportamento incorreto dos seus filhos, em vez de colaborarem para corrigir esses comportamentos, questionam se a culpa não será da Escola ou dos professores. Muitos pais vão às Escolas pedir satisfações aos diretores de turma e fazer ameaças! Muitos dos professores vão gerindo os conflitos e indisciplina dentro da sala de aula e rezam para que o final do ano letivo chegue depressa.

Para mostrar a mediocridade e a falta de ideias de muitos políticos para resolver os problemas da educação e a falta de professores, foi criado um prémio do melhor professor do ano, como se isso levasse a uma corrida à carreira de docente para ganhar o prémio. Decorridos vários anos desde que o prémio foi instituído, é tempo de saber os efeitos do mesmo na melhoria da qualidade do ensino e na qualidade dos professores. Muitos dos nossos políticos olham para a educação como se de um campeonato de futebol se tratasse. Criaram o ranking das Escolas para que elas começassem a competir, os professores trabalhassem mais e o ensino melhorasse. Isto só revela um total desconhecimento do que se passa nas Escolas, os professores não passaram a trabalhar mais porque não é possível trabalhar mais do que já trabalhavam. O problema do insucesso está na origem das famílias dos alunos com dificuldades. O ranking fez com que as famílias mais instruídas e de melhores condições financeiras matriculassem os seus filhos em escolas com menos alunos problemáticos, cavando ainda mais o fosso entre as Escolas localizadas na mesma cidade, fazendo com que as Escolas que estavam mal ainda ficassem pior. Também fez com que houvesse uma fuga de professores das Escolas com muitos alunos indisciplinados para Escolas com menor indisciplina. O ranking das Escolas apenas se repercutiu no Orçamento do Estado. Nas grandes cidades onde há ensino particular, muitos dos pais com poder de compra, estão dispostos a pagar para retirar os filhos de turmas indisciplinadas das Escolas Públicas.

Todos sabemos que o insucesso tem origem social. Se numa Escola formarmos dois grupos, um com os alunos com sucesso escolar, e outro com os alunos com insucesso, constatamos que os alunos do primeiro grupo vêm para a Escola de automóvel, e os alunos do segundo grupo têm escalão A ou B, e vêm para a Escola de autocarro ou a pé. O insucesso podia acabar se os milhões que agora foram lançados na TAP fossem utilizados para apoiar as famílias dos alunos com insucesso de modo que estes tivessem melhores condições para frequentar a Escola. Este dinheiro aplicado na educação teria um maior retorno no futuro.

Como se resolve a falta de professores? Primeiro, devem-se chamar todos os que durante anos disseram mal dos professores e perguntar-lhes que soluções têm para a escassez de candidatos a professores. Começar pela antiga Ministra da Educação, Sra. Dra. Maria de Lurdes Rodrigues, que foi quem iniciou a fuga de candidatos a professores, e perguntar que soluções aponta para acabar com a falta de professores. Depois, pedir ao Sr. Dr. Miguel Sousa Tavares para que indique como acabar com a falta de professores, ele que tanto se diverte a meter farpas no Dr. Mário Nogueira, da FRENPROF, nas suas crónicas nos jornais.

Fala-se que para resolver a falta de professores se devia criar cursos vocacionados para o ensino de curta duração, com um currículo muito básico, com sucesso garantido a todos os que neles se matriculassem, e que poderia ser uma opção para aqueles alunos menos trabalhadores que quisessem tirar uma licenciatura e serem professores. A concretizar-se esta sugestão é o reconhecer que para ser professor não é necessário saber muito! Qualquer um pode ser professor!

Ainda recentemente se falou na comunicação social que a falta de professores poderá ser resolvida com um decreto-lei em que um qualquer licenciado possa ser professor, um economista, com duas cadeiras de matemática no curso, possa lecionar matemática; um engenheiro da construção civil possa lecionar física, química e matemática; um enfermeiro, um farmacêutico, um engenheiro do mar possa lecionar biologia e geologia; um advogado possa lecionar português! Se esta medida for implementada está-se a regressar aos anos 70 do século passado. Se esta proposta for para a frente todos os licenciados, que depois de concluído o estágio numa empresa, não forem aceites para integrarem os quadros das empresas, podem, como última alternativa, lecionar. Voltamos ao mesmo, os piores serão professores. Esta medida ainda fará com que muitos alunos optem por cursos não vocacionados para o ensino, e no caso de não conseguirem exercer na área em que se licenciaram, tem sempre o ensino como alternativa, e mais uma vez o mercado a empurrar os piores para o ensino.

Hoje, com a não contabilização de sete anos para efeitos de progressão na carreira docente, apenas uma parte muito pequena destas excelentes Professoras é que chega ao topo da carreira; no futuro, os professores que chegarem ao topo da carreira serão os mesmos ou mais!

O problema da falta de professores deve ser objeto de discussão pública, e perguntar a todos os portugueses se querem os melhores nas Escolas, tornando a carreia docente aliciante, de modo a que, na hora da escolha, os cursos vocacionados para o ensino sejam uma das primeiras opções para os alunos que concluem o secundário. Há que criar condições para que as meninas e meninos aplicados e trabalhadores, de hoje, à semelhança das meninas aplicadas dos anos 80, voltem a escolher a profissão de professor. Se os portugueses, optarem por um ensino em que os profissionais são os preteridos das outras profissões, então no futuro, o fosso entre os mais desfavorecidos e os privilegiados ainda será maior.

Há uma grande preocupação em que o ordenado mínimo aumente para que todos tenhamos uma vida minimamente condigna, mas melhor que aumentar o ordenado mínimo, é dar a todos uma excelente formação para que no futuro não tenham que se sujeitar a viver com o ordenado mínimo!

16 opiniões sobre “Uma Questão De Validade?

  1. Sou Professora de História!
    É o que me faz sair de casa todos os dias…ser professora, contribuir para…

    Tenho uma aluna que gostaria de ser Professora de História…, sabe o que se passano ensino, pois a mãe também é professora (não de História). Haverá sempre quem continue?

    Estou cada vez mais desencantada com a escola, com os excessos fora das salas de aula, não com aquilo que fazemos e desenvolvemos em aula.
    Começei nos anos 80, tenho 62 anos, a reforma, com cerca de 41 anos de serviço, chega daqui a pouco mais de 4 anos.
    Haja saúde e paciência para aguentar até lá!

    Liked by 1 person

  2. Quantos mais professores faltarem, menos professores habilitados contratarão. Quanto mais degradarem as escolas e o estatuto dos professores, menos gastarão em salários. E quando se perceber que a escola portuguesa já nada produz, podem estregar as escolas aos privados como um negócio. Em mil empresinhas de ensininho para filhos de quem não é rico, arranjam-se uns milhares de lugares para militantes do Partido!
    Portanto, as coisas avançam como previsto!…
    Destruir a escola pública para dominar mais uma área institucional do País.

    Gostar

  3. Texto interessante, só não compreendo a insistência no termo “excelentes professoras”, pois, como aluna e professora, tive e tenho o privilégio de conhecer “excelentes professores”.

    Gostar

  4. É de há muitos anos, a prática, no Reino Unido, de qualquer pessoa, com uma formação mínima, andar a esvoaçar entre escolas, consoante a empresa de colocação de professores, comunicar a respectiva necessidade. Nas escolas públicas, é claro! Depois, há os que têm muito dinheiro e podem colocar os seus rebentos nas boas escolas e, assim se perpetua, o sistema de castas. Nós replicamos o modelo.

    Liked by 1 person

  5. Muito bem! Penso que o objetivo dos Governos, pelo menos desde 2005, é degradar continuamente a Escola Pública para empurrar as famílias para a Escola Privada e justificar, como muito querem, a cheque-ensino. Negócios. Por este caminho teremos a Escola Pública para os pobres de escalão A e B e a Escola Privada, os Colégios, para alguns remediados e classes médias-altas e altas. Neoliberalismo à americana. Têm visto notícias sobre a falta de professores nos colégios? Assim sendo, no futuro, que por este caminho não estará longe, os colégios contratarão os professores com melhor formação e o ensino público ficará com os restos, desde que os buracos/aulas fiquem tapados!

    Gostar

  6. Plenamente de acordo! O País tem um grave problema, mas os nossos políticos vão fazendo de avestruzes, enterrando as suas (pobres) cabeças na areia! O problema resume-se em poucas frases: Outrora, os pais educavam os filhos em casa e os Professores ensinavam-nos na Escola. Hoje, os pais não educam os filhos em casa, e ainda querem mandar na Escola!

    Gostar

  7. Pois eu continuo a vê-las bem dentro da validade e bem boas.
    Boas como o milho : )

    Ps. Sou casado há 180 anos e nunca fui infiel (com colegas tão boas, só mesmo um graannnde amor pela minha esposa, lol).

    Gostar

  8. Excelente, Paulo! Apreciei cada frase, cada palavra, cada linha e entrelinha, e cada ponto de verdade neste extraordinário documento-retrato sobre o passado, o presente e o futuro da Educação, da Escola, dos professores, da sociedade e do país.
    Nada acontece por acaso, e tudo contribui, para o bem e para o mal, para a construção da nossa própria vida e da História. Contudo, e infelizmente, o rumo e o desfecho dessa construção, durante pelo menos metade da nossa democracia, tem sido decidido mais por quem não sabe e nem quer saber como tudo aconteceu e chegamos até aqui. Por isso, não é de admirar que, quem tem problemas de memória, esqueça as matérias e não aprenda com as lições da História. Efetivamente, a esses maus alunos, sem noção do passado, alienados pelo poder do presente, nunca deveria ser dado o poder para decidir sobre coisas do futuro. Esses sim, não os professores, é que são os verdadeiros “inúteis mais bem pagos”.
    Também sou uma dessas professoras que o Paulo descreve, dignificando o seu passado, e presente, de trabalho, de sacrifícios e de dedicação, por gosto e vocação. Obrigada pela sua lúcida e justa reposição da verdade histórica.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.