Apetece-me Embirrar…

… com alguns dos escribas que surgem no JL/Educação deste mês a falar sobre a falta de professores. Não vai ser com os do costume, que dizem o habitual. Vou concentrar-me apenas no Alexandre Homem Cristo e no director Faisal Aboobakar, pelos motivos que já vão perceber.

O AHC, que exibe todos os pergaminhos possíveis e imaginários, incluindo a autoria de um livro que sugeria soluções para o sistema educativo que já na altura tinham sido abandonados nos países de origem, faz uma interessante sugestão de curo prazo que passo a transcrever.

Concordo que não é preciso inventar a roda, mas seria útil que o AHC tivesse guardado uns 200 caracteres para identificar em que países foi aplicado o que sugere “com resultados positivos para os alunos e para as escolas”. Um especialista, coordenador, presidente, autor e colunista só ganharia em ser concreto, apresentando com clareza onde foi aplicado “com resultados positivos” o que sugere.

Já o director Faisal Aboobakar desperta-me embirração porque deve ter um trauma qualquer com quem escreve em blogue sou redes sociais, pois mistura tudo e mais alguma coisa ao diagnosticar as causas da “alteração na imagem social do professor”. Parece que para ele um dos problemas serão as redes sociais ou um eventual “discurso” dessas redes, porque a forma como escreveu não dá para entender bem o que quer dizer.

Ora… eu não conhecia o director Faisal Aboobakar até há umas semanas me terem apontado um inflamado texto que ele escreveu numa “rede social” (!!) congra a presença num programa televisivo de professores e directores (eu, o Luís S. Braga e o Filinto Lima) que ele verberava por não representarem ninguém e por darem uma má imagem de professores ao, entre outras coisas, escreverem “blogues incendiários” (claro que quando o inquiri, não se dignou sequer responder, certamente porque é muito democrata lá no seu feudo teip). Escreveu ele, na altura, o seguinte, em texto que colocou “público”, para que todos pudessem ler:

Ontem ao assistir o debate na RTP, senti-me incomodado e revoltado por ver alguns blogueiros e até Diretores contribuírem para um achincalhar da nossa profissão, com um discurso de pelintra, coitadinho, mesquinhez e diria até de menorização da classe.

Pessoalmente, não me senti achincalhado (mesmo se seria o único “blogueiro” presente), porque não é qualquer director de aviário, que se ufana de ter linha directa para o actual ministro que consegue isso. Mas já o texto no JL me faz pensar em quem o director Faisal Aboobakar julga que representa quando ofende colegas de profissão que nem sequer alguma vez tinham ouvido falar dele. E moro no concelho de Palmela. E dou aulas há 35 anos. E escrevo sobre Educação, em blogue antes deles existirem, há mais de 30.

13 opiniões sobre “Apetece-me Embirrar…

  1. A sugestão do AHC é também a do Conraria. Os “liberaloides” do costume É o desvalorizar completo de quem já trabalha na educação, pois para eles até seria bom virem outros de “áreas diferentes” mais “espertos” ou vividos do que os que lá estão. Como se quem está actualmente não tivesse uma formação científica de base em conjunto com a pedagógica e de nada valesse a experiência que tem. Já agora seria bom lembrar que antigamente os professores portugueses poderiam sair temporariamente da função docente e ir fazer outras coisas, sem perderem o vínculo e o salário. Lá está para ganharem outros conhecimentos que seriam úteis à sua docência, mas até isso nos tiraram. Agora acusam-nos de termos todos o mesmo “perfil”! Já agora alguém quereria aceitar os baixos salários só para por em prática o “poder transformador da educação??!! É de bradar aos céus.

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        1. Eu também tenho uns hábitos desses, mas ele gosta demasiado de se armar em candidato a mst com diploma e faz fala do tom de burgesso como fala de alguns temas e ódios de estimação. Os professores do ensino público são um deles, mesmo que o negue. Gosta de dizer que é “professor”, mas é só para disfarçar, que ele é “superior”.

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          1. Eu gosto do Conraria.
            Dos opinadores económicos é dos mais suportáveis.
            (Pode ter algum preconceito em relação ao professores do ensino básico e secundário, mas tem a criança dele numa escola pública)

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  2. Creio que o Conraria terá sabido pelo estudo da Nova SBE. O que aborrece é tanto a Peralta como o Conraria ou o Herdade penderem todos para o mesmo lado, diminuir as qualificações, aumentar horas lectivas/alunos por turma, recrutar por intermédio de empresas… Pergunta-se, e que tal melhorar as condições de trabalho, carreira, salário, e reduzem-se ao silêncio.

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    1. Por estes dias ouvi um podcast de um economista da Nova Sbe, e o grau de desconhecimento da escola real do homem foi atroz.
      Perdeu imenso tempo em torno do financiamento das escolas públicas, a clamar por maiores orçamentos para as escolas dos meios mais pobres, quando sabemos que a estrutura de custos de uma escola depende essencialmente da estrutura do corpo docente e dos cursos oferecidos.
      Falou ainda da desnatação social das escolas públicas (problema grave, reconheço), como consequência de uma eventual falta de qualidade, quando sabemos que resulta da competição pelo acesso à universidade. Quanto mais competitivo for acesso (e é cada vez mais), maior será a tendência para os pais optarem por quem dá mais (seja classificações internas ou treino para exame). E nisto as privadas são especialistas.

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      1. Não sabem nem querem saber. Li há pouco o estudo e cada vez mais me convenço de que foi propositadamente encomendado para o que aí vem. Um dos pormenores que fixei foi que nem se quiseram dar ao trabalho de verificar quando deixámos de formar centenas de professores por ano, muito menos porquê. Também não procuraram saber porque é que continua a haver dezenas de milhares de professores colocados no concurso externo, e creio que era importante para procurar ajustar a oferta à procura, por exemplo propondo subsídios de alojamento e de deslocação, mais horários completos a concurso, o que quer que seja que leve a isso. Fiquei com a sensação de que tinha sido feito um bocado em cima do joelho.

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  3. Quanto ao diretorzito exótico, a sua opinião esbarra na militância… Ele que continue a fazer massagens ao seu adorado ministro, que pode ser que ainda tenha um final feliz. Um e outro.

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    1. Já não bastavam todos os outros “cromos” (Lurditas, Costa, Brederode, etc.), agora apareceu esta aventesma do Aboobakar.
      A propósito: ” Ele que continue a fazer massagens ao seu adorado ministro, que pode ser que ainda tenha um final feliz. Um e outro.” LOL LOL LOL.
      E depois admiram-se que falem em blogues incendiários (seja lá isso o que for).
      Ai, ai. Isto está de tal maneira, que eu já nem sei se ria, já nem sei se chore…

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  4. Caro Paulo Guinote o debate na RTP foi o melhor tempo de antena que os professores tiveram nos últimos anos.
    Gabo-lhe a clareza de ideias que comunicou no programa e a forma gentil como tratou a nossa querida aventesma MLR. Eu não teria sido tão polido para a personagem que mais achincalhou a docência e que em grande parte contribuiu para que hoje não haja candidatos a professores.
    Assim como o Luís S. Braga que desmistificou a ideia de missão do trabalho docente, para quem pensa que a poesia enche o estômago e acha que os professores devem pagar para trabalhar…
    Como se diz na minha terra: não há dinheiro, não há palhaço.

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  5. Daniel… o Conraria tem graça dentro do género que encena o destravado. Mas é de uma “brutidade” atroz quando se lhe apontam erros. Já usei e tive de o ler a negar que tinha dito o que disse na TV (por distração?), mas tinha evitado escrever em letra impressa na crónica no Expresso.
    E percebi que ele “enverniza” para consumo público as convicções mais pessoais.

    Quanto a cronistas económicos, praticamente são todos execráveis… até porque não meto o P. S. Guerreiro no lote.

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    1. Eu reconheço que ele é arrogante. Mas na academia são quase todos assim.
      Acham que sabem tudo. Quando algum comum mortal lhes faz uma achega desdenham.
      Mas continuo a achar que é dos melhorzinhos.
      (Olha que num destes dias, até ao Paes Mamede saiu um “precisamos de professores mais competentes”, a propósito das TIC)

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