Entretanto, Acelera O Processo De Monitorização Da Mais Pequena Irrelevância, Em Forma De “Projecto” Ou Qualquer Outra Designação Flexível Ou Inclusiva

Já está aí a temporada sobreposta à dos milagres – e que de certa forma a prepara, enquadra e serve para legitimar – que é a das avaliações de tudo e qualquer coisa que se passou nas escolas e agrupamentos, incluindo aquilo em que não se participou ou sequer se conheceu qualquer resultado, produto ou actividade. A isso acresce a avaliação de tudo o que já foi avaliado antes, mas é preciso continuar a monitorizar, para que depois outros avaliem se houve progressão ou não. Porque, não havendo, haverá que reflectir e (hélas!) avaliar da melhor forma de fazer progredir; em caso de ter havido, há que continuar e daqui por uns tempos avaliar se é necessário mudar o modo de avaliação ou alterá-lo de algum modo. Há ainda a avaliação do funcionamento das plataformas, dos feedbacks, das próprias competências, das competências alheias, das cidadanias, das tecnologias e demais fantasias.

Perda de tempo pura, pois, em muitos casos, a coisa apenas se destina a alguém bater no peito e dizer que fez bem ou mesmo muito bem e que se não fez muito muito bem é porque alguém não colaborou adequadamente, que isto das micro-políticas dos poderes locais já em pouco se distinguem, nas estratégias de auto-legitimação e (des)responsabilização, das políticas dos mais crescidos. Já sabemos que quem tem o poder de “projectar”, continuará a fazê-lo e que isso será (auto) avaliado em níveis de excelência, mesmo se nada contribuiu para melhorar o ambiente geral das escolas, apenas servindo para massajar egos e abrilhantar relatórios.

Podia continuar, mas ainda escorregava a soca para o concreto e depois lá teria eu de me auto-avaliar com excelente+ em “competência para chatear as pessoas” e “capacidade para me armar em impossível”. O que é verdade, mas a par de “afinal, não disse nada que não fosse verdade, o pior é a maneira como o digo” (para parafrasear um professor meu dos tempos da Faculdade, mais defensor da abordagem dos punhos de renda e aventais).

8 opiniões sobre “Entretanto, Acelera O Processo De Monitorização Da Mais Pequena Irrelevância, Em Forma De “Projecto” Ou Qualquer Outra Designação Flexível Ou Inclusiva

  1. Isto está impossível.
    A reboque das teorias maiatas e flexibilizadoras de redescoberta da pólvora por uns tais de Fernandes Arianos somos insultados diariamente! Dizem que estamos a trabalhar como no século XIX. É um insulto que nos menoriza intectualmente e pedagogicamente. Temos provas dadas, alfabetizamos e formamos um país de atraso cultural. E fomos formados com rigor e exigência!
    Trazem estagiárias de aviário sem qualquer experiência e esfregar-nos na cara que somos incompetentes. Isto é insultuoso, é ofensivo! O pior é que se comportam como fanáticos compoltores a espalhar as suas verdades. As editoras, as associações de professoress, os sindicatos os centros de formação alinham nisto inundando-nos ad nauseum com essas misógenas eurekas requentadas que nos querem vender à força. Isto só porque precisam de doutrinar para sobreviver e tem de vender livretos e formações para faturarem. Isto porque estamos a ser alvo da construção da narrativa que convém ao regime!
    Farto, farto, farto!
    O que é importante não resolvem!
    Qualquer professor consciente tem de recusar a sua participação nestas encenações para totós que são verdadeiramente difamatórias para todos os professores que sempre exerceram com responsabilidade as suas funções em meios adversos, tendo como inimigo a própria tutela e os media.
    Ensinamos e aprendemos e planificamos e projetamos e desenvolvemos a autonomia e o sentido crítico e o trabalho colaborativo e a responsabilidade nos nossos alunos, quantas vezes em condições muito adversas com turmas sobrelotadas e complicadas, muitas vezes sem condições físicas para o exercício!
    Basta, vão vender a banha da cobra para outro lado!
    Burros não somos!
    Não vou, não vou, não vou a nenhuma dessas formações da treta!

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  2. Completamente de acordo, caro colega Carlos.
    Diria mesmo isto está insuportável.
    Depois de 37 anos a trabalhar a sensação que temos é que até aqui não soubemos fazer nada de jeito?
    Formações destas… não me inscrevo!
    No meu “ajuntamento” as avaliações dos projetozinhos (maias, padde e outras tretas) já se iniciaram.
    As minhas respostas… foram não respostas. Não respondi aos questionários da treta que a Equipa de autoavaliação (leia-se equipa dos amig@s da direção que têm crédito letivo para tudo e mais alguma coisa e depois não há nem sequer uma hora de crédito para os DT)
    Tendo em conta que fazem estes questionários, via nosso email e sabem quem responde e o quê (pois somos alertados para tal facto) considero um abuso ter de responder.

    Estou farta de tudo e de quase todos….
    Continuem bem!

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  3. Só lembrar aos imbecis que menosprezam a escola do século XIX, que foi essa escola que permitiu o desenvolvimento da teoria da relatividade, da teoria quântica, da teoria da evolução por meio da seleção natural, a descoberta das vacinas, da radioactividade, etc. etc.
    O mundo não começou ontem à tarde.
    Deixem de ser burros e de chatear as pessoas com chavões que só evidenciam uma profunda ignorância e um fascínio bacoco pelas novidades.

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    1. E se fossem novidades… mas nem isso. São apenas modismos de fusão requentados e mal estruturados.
      De facto, estes vendilhões estão-se borrifando para a seriedade e validade da coisa!

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  4. Infelizmente ainda há muitos professores do séc XX que se esquecem que os alunos estão no séc
    XXI. Continuam a considerarem-se os melhores professores com práticas desajustadas, repetitivas ao longo dos anos, rejeitando a mudança, considerando inovações fantasiosas. Tenho esperança que sejam uma minoria e que com o tempo tendem para zero. (sou uma otimista)

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    1. O pior é que há gente seguidista, muito fraquinha, sem boas bases de sustentação e sem capacidade de auto-actualização
      prontinha a cair em patranhas comerciais e doutrinárias.
      Sou uma realista!

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    2. A mudança só pela mudança não é necessariamente boa, e já estamos suficientemente adiantados no Séc. XXI para sabermos que muito do que ficou para trás ainda é válido e faz sentido, ao contrário de certas inovações nem sequer testadas antes de colocadas em prática.

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      1. Não são inovações, são pechisbeque!
        Só para distrair pategos e criar instabilidade na prática docente fomentando o facilitismo e a superficialidade de modo a alcançar algo bem mais pérfido.

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