Um Direito De Resposta Com O Rabo De Fora

Mário Nogueira encrespou-se com uma crónica na Visão e vai de puxar a culatra atrás e disparar. Pelo meio, muitos remoques e algumas coisas interessantes, nomeadamente a demonstração da completa falta de sentido que revela sobre a imagem que dele existe nas salas de professores, mesmo entre quem acredita no valor do sindicalismo.

§ 1 – Sobre os ministros, sobretudo em início de mandato, é justo que tenhamos expetativas positivas, mesmo quando já integraram as equipas ministeriais nos últimos 6 anos, pois, se assim não fosse, para quê negociar ou lutar?

(não percebo a lógica deste ponto… quer isto dizer que com expectativas negativas se desiste da “luta”? foi isso que aconteceu em 2015?)

§ 2 – Curioso, ainda, é que o sindicalista que deveria regressar rapidamente à escola seja o que dá a cara pela sua profissão, não retira vantagens das funções para que foi eleito pelos pares, não tem tempo para adquirir graus académicos, não exerce outra atividade e não permanece fora do país;

(homem… sê frontal… arranja um par de tintins e identifica de quem falas… ao menos, quando te criticam há quem dê a cara e explicite a crítica… já no teu caso, pareces um bocado…. coisinho…)

§ 6 – É verdade que em 2019, quando já pretendia regressar à escola, anunciei, para que não restassem dúvidas, que seria o meu último mandato, só que nessa altura, como agora, as direções sindicais insistiram na minha continuidade e no recente congresso da FENPROF, mais de 90% dos cerca de 600 delegados presentes votaram para que continuasse;

(deixa-te de tretas… ou de m€rd@s… tu nunca pensaste voltar a dar aulas… vai enganar outr@ss… quem não quer ocupar o cargo, não se candidata… pareces o alberto joão ou o pinto da costa com as “vagas de fundo”)

§ 8 – Não me sinto o representante dos professores, mas só dos cerca de 50 000 associados dos sindicatos da FENPROF e esses, esmagadoramente, têm considerado importante a minha continuidade nas funções para que fui eleito em 2007;

(meu representante nunca serás, porque já deixei muitas vezes claro que te considero politicamente desonesto e nem vamos falar de “inverdades” cara a cara, como quando há uns anos negaste à minha frente conhecer aquele que ia ser o candidato da tua tendência ao spgl)

§ 9 – Poderia, de facto, ter abandonado a profissão, mas nunca me deixei seduzir por convites e portas abertas nesse sentido;

(que profissão? mas, já agora, deixa-te seduzir, vai e não voltes… nem mesmo a esmagadora maioria dos 50.000 que dizes representar terão saudades, acredita… só o comité central talvez tenha)

§ 11 – Quanto à ineficácia dos sindicatos, que se pense como estariam os professores sem os seus sindicatos… A carreira estaria melhor? A precariedade eliminada? A aposentação mais cedo? As condições de trabalho mais positivas? Não haveria falta de professores?

(dificilmente estariam pior, porque nos últimos quinze anos só tens feito asneira atrás de asneira, quando não é frete atrás de frete… mas nisso também não te distinguiste muito do resto da pandilha que agarra nas tarjas à frente das manifestações)

E se quiseres direito de resposta, já sabes, manda o que quiseres, que aqui se respeita a diversidade de opinião, mesmo quando é uma lástima.

(e duplo não… nem quereria nunca o teu lugar, nem faria melhor do que tu, pois não tenho o “perfil” adequado a tanta flexibilidade… e as minhas vértebras calcificaram cedo…)

Entregues Ao Arbítrio?

Este assunto já foi aflorado aqui no blogue há uns tempos, penso que na caixa de comentários, suscitando animada troca de argumentos. Regressa hoje, porque o prolema se mantém.

Eu sei que a maioria considera que o Conselho Geral é um órgão cosmético na gestão escolar. Tendo a concordar na prática, embora teórica e mesmo legalmente não seja assim. E sei as pressões que se sofrem para assinar de cruz ou nem sequer levar a discussão temas que, como todos nas escolas/agrupamentos, podem ser apreciados pelo Conselho Geral. Sei o que tem de aguentar quem vai contra a maré, a, a intimidação ou o berro dos “cabeças rapadas” do sistema. O nacional-porreirismo tende a ganhar, quando se bate muito o pé.

Mas… por isso mesmo, há que ter em atenção quando ainda se quer ir mais longe no abusos de poder, pois se a legislação não soube prever uma situação de ausência de listas de docentes para o órgão (e ninguém é obrigado a candidatar-se), não é aceitável que uma qualquer burocrata (pois o Conselho Geral não depende hierarquicamente de nenhuma estrutura do Ministério) decida “nomear” quem bem entenda. Até porque, nesse caso, não vejo forma de impedir os pedidos de escusa/renúncia ou, tão simplesmente, a perda de mandato na sequência de faltas não justificadas às reuniões (porque não podem ter consequências disciplinares).

Portanto… eu entendo o pedido deste director, que até me parece sinceramente preocupado com a situação, mas será melhor ir preparando a reacção fundamentada à pretensão da shôra delegada regional, outrora professora, mas cedo seduzida pelo exercício de cargos que a fora lavando progressivamente para mais longe das salas de aula. Porque o que o artigo 35º do dl 137/2012 permite é algo diferente, ou seja, a dissolução de todos os órgãos de gestão escolar e a nimeação de uma CAP.

Sábado

A escolha de Domingos Fernandes para presidir ao CNE, não sendo algo inesperado, pois corresponde apenas a mais uma fase no total controlo de todos os organismos que regulam a Educação em Portugal, não deixa de representar uma nova fase no modo de encarar a posição. Não se trata do alinhamento político d@ ocupante do cargo com @ ministro em exercício. A generalidade das escolhas anteriores seguiram essa lógica. Até temos mais um “bostoniano” no cargo, juntando-se ao grupo que desde há muito constitui o núcleo permanente do CNE,

O que é manifestamente novo é o facto de recair em alguém que durante os últimos anos foi o principal mentor de grande parte das políticas desenvolvidas ao nível das metodologias pedagógicas e de avaliação implementadas pelos governos de que o actual ministro fez parte. Podemos ter mais ou menos reservas em relação ao perfil das anteriores escolhas, mas não se foi buscar alguém ligado de forma umbilical às políticas em desenvolvimento e que nos últimos meses viu a cartilha dos seus ensinamentos ser distribuída com os manuais de um grande grupo editorial. Não acreditando eu em neutralidades absolutas ou imparcialidades totais, espero, no entanto, que exista um decoro mínimo em tudo isto que nos transmita a vaga sensação de estarmos a viver um momento de completa asfixia do debate e da liberdade de ensinar em Portugal, com um mesmo nicho ideológico a controlar tudo, esvaziando por completo as funções originais de organismos que deveriam ter uma função técnica (as direcções-gerais), de fiscalização (IGEC) ou de aconselhamento (CNE). Agora temos organismos que se limitam a ser braços armados do poder político, negando qualquer leitura da legislação que contrarie as orientações políticas e andando pelas escolas a verificar se está a ser devidamente aplicado o guião do agora presidente do CNE para a avaliação dos alunos. Isto para não falar da completa instrumentalização da formação contínua.

Como é possível acreditar que vai existir alguma avaliação independente ou um aconselhamento do governo nesta área da governação, minimamente aberto a visões alternativas, se lá foi colocado o principal operacional que nos últimos anos esteve a coordenar os avanços no terreno das duas concepções e “tropas”? O mais lastimável é que a nulidade das oposições em matéria de Educação, aliada a alguma encoberta cumplicidade de certas figuras que vão do PSD eduquês à esquerda “radical” muito inclusiva, faz com que tudo isto aconteça sem qualquer tipo de sobressalto. Parece tudo normal e não me admiraria nada que agora se sucedessem os elogios á escolha, atendendo ao “perfil”, ao “currículo” e ao “percurso” do antigo secretário de Estado de Guterres, avaliador muito favorável das políticas de Maria de Lurdes Rodrigues (aqui, pp. 28-29) e apoiante explícito das políticas de José Sócrates para a Escola Pública.