Então, Dia 21, Lá Irei Vigiar…

… a inútil prova de Matemática para alunos do 9º ano. Eu e mais outro colega na mesma sala, mais umas dezenas pela escola, acrescendo o pessoal suplente, o secretariado e mais a polícia que traz e leva as provas e depois os classificadores (codificadores?), tudo multiplicado pelo país para fingir que se está a fazer alguma coisa a sério. Porque até os alunos já perceberam que é um total fingimento. Ao não terem consequências na progressão dos alunos e os “resultados” só chegarem às escolas no início do próximo ano lectivo, desaparece qualquer efeito com interesse para os alunos que fazem estas provas, pois no caso das Básicas até ao 9º nem sequer lá estarão, na sua esmagadora maioria (só algum distraído que fique retido, mas esses quase nunca aparecem sequer). E mesmo no caso de Secundárias, para quem for para áreas de estudos sem Matemática, é a mesma coisa em termos de utilidade zero. Ahhh… deixam ensinamentos para os alunos dos anos que ainda aí estão por vir… sim, pois, mas para isso não chegará “maiar” no sentido do sucesso?

Estas pseudo “provas finais”, que só servem para “aferição”, são a preparação para a eliminação de qualquer avaliação externa das aprendizagens no Ensino Básico, de modo a regredirmos até ao início dos anos 90 do século XX, quando esta clique ideológica já estava quase a passar do primor da idade (e agora, tirando o seu ministro Costa, já estão bem para lá do prazo de validade dos danoninhos em termos de “inovação” intelectual). E depois teremos psicólogos como os de ontem a recuperar as teses da Educação finlandesa de então, associando-a a níveis de felicidade míticos e de desenvolvimento humano que esquecem todo o contexto envolvente e um espírito ético que (mesmo que Weber não estivesse plenamente certo) por cá escasseia mais do que professores abaixo da trintena.

Mas lá irei eu (mais o colega contratado, acima da quarentena) “vigiar” algo que é de uma inutilidade atroz e que só servirá para que este envelhecido professor perca duas horas da sua vida, enquanto reprime a vontade de perguntar a quem aparecer, porque raio se deram ao trabalho de o fazer. Acaso serão éticos finlandeses disfarçados de descontraídos latinos? Lá irei vigiar uma prova que espero consiga ter sido feita sem necessidade de erratas de última hora, prova essa que, com todas as outras feitas este ano no Básico, servem mais para justificar parte da existência do Santo Iavé do que outra coisa. Não sei se, como em ocasiões anteriores, com o calor que está, os alunos só poderão levar garrafas de água descaracterizadas, para não fazerem as cábulas que o próprio enunciado fornece em forma de formulário.

Isto é tudo muito parvo, mas, como escrevi, é uma necessária fase preparatória para o decretar do fim definitivo de qualquer prova externa no Ensino Básico que não seja “de aferição”. A pandemia, a este respeito, foi mesmo uma “oportunidade”. Pena é que me façam perder duas horas da minha vida que podia levar a ler um bom livro ou a observar o movimento das nuvens ou poeiras no céu azul. Como dizia uma pessoa da minha família, gente do antigamente, “mais valia estar a ***** em pé do que a fazer isso”, se é que me é permitido o plebeísmo arcaizante.

2 opiniões sobre “Então, Dia 21, Lá Irei Vigiar…

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