3ª Feira (Versão Desgralhada…)

Vigilância matinal da prova de aferição de Matemática para o 9º ano. Apareceram 12 em 13 da lista de inscrição. Nada mau. Como calculava, é uma coorte que não fez provas finais, nem provas de aferição ou nem sequer se lembra dos procedimentos. Por isso, duas alminhas traziam foto do cc no telemóvel, mesmo depois de lhes ser dito que não podiam usar o telemóvel. Num dos casos, foi porque o pai lhe fica com o cc e foi trabalhar e esqueceu-se de lho dar. E é a primeira vez que apetece usar vernáculo. E repete-se que os telemóveis são para desligar e deixar lá atrás, dentro das malas, mochilas, bolsas, etc, DESLIGADOS. A seguir, são os habituais erros no preenchimento do cabeçalho (vá lá, não foram muitos os que nem sabem onde está o nº do cc), mas já nem é novidade.

(ia-me esquecendo… na folha que devem assinar a declarar que não têm nenhum equipamento electrónico consigo, todos, mas mesmo todos, escreveram inicialmente apenas o primeiro nome na “assinatura”…)

Durante a realização do Caderno 1, tocam 3 (TRÊS) telemóveis atrás. Como não estão junto aos alunos, não dão direito a anulação de prova. Mas é a segunda vez que o vernáculo ocorre, pois tinha sido bem sublinhado que era para DESLIGAR aquelas tretas. Limito-me a fazer uns trejeitos com ar de quem já nem sabe o que dizer. Ao fim de 20 minutos, já a maioria desistiu de fazer seja o que for e ficamos a olhar uns para os outros.

Às 10.30 é a vez do Caderno 2 e ao fim de 5-10 minutos, 7 em 12 dos presentes já colocou tudo de lado e desistiu de continuar a fazer a prova. Ao fim de 30 minutos, restam 2 alunos a fazer alguma coisa. É a altura em que um matulão maior do que eu declara que tem mesmo de ir à casa de banho porque, afinal, 2 horas sem xixi é uma provação do caraças. É que nem sequer é uma diarreiazita, é mesmo a bexiga cheia porque bebeu não sei o quê antes da prova. Lá vai, acompanhado de um elemento do secretariado. Volta e deita-se sobre a mesa e desenha na folha de rascunho a minha cara. Tem mais jeito para desenho do que para a Matemática. Os últimos 20 minutos são um puro suplício para 11 alunos e 2 professores, pois uma aluna (a única que disse querer ir para a área das Ciências e Tecnologias) usa o tempo quase todo da prova. Às 11.20, todos estamos desejosos de vermos esta inutilidade pelas costas… desejo-lhes boas férias e boa sorte no 10º ano. Sei que, se a classificação fosse quantitativa, uns 8 teriam o equivalente a nível um e com muita sorte apenas uns 2 teriam nível três ou mais. Mas o relatório do Santo Iavé chegará lá perto do Outono a explicar-nos qualquer coisa sobre as competências e aprendizagens não realizadas. Quando não servir para nada.

Amén!

(já agora… não adianta indicar que podem fazer-se a lápis os exercícios assim assinalados na prova, se nenhum está assinalado…)

9 opiniões sobre “3ª Feira (Versão Desgralhada…)

  1. Biologia e Geologia do 11.° ano com alunos de um curso profissional a tentarem a sorte.

    Por cá, os telemóveis, mochilas, etc., ficam no corredor, junto às funcionárias. São regras de há uns 20 anos, depois de uma cena de corrupção que correu mal a um par de colegas.

    Tudo o que não exige prestação de contas é um fiasco.

    Dito isto, o que foram essas alminhas fazer à escola?

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  2. “No meu tempo”, como dizem os cotas, havia uma certa solenidade e formalidade nos exames.
    Agora, os garotos vão para os exames como quem vai para o café.
    Perguntei a um aluno: Então, não trouxeste calculadora? Resposta: Para quê?
    Quando distribuí o primeiro caderno, um jovem olha para o Formulário e para a Tabela Trigonométrica e pergunta: Professor, isto é para fazer o quê?

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    1. no teu tempo os exames tinham nota
      estes nao tem

      no teu tempo os exames chumbavam ou passavam
      estes nao

      no teu tempo a media era importante
      neste não

      se não existissem consequências os soldados agrediam os sargentos na tropa

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  3. O melhor é mesmo acabar com tudo isto, porque o ministro não quererá cidadãos ambulantes que saibam usar cartão de cidadão!
    Ou tem de ser como em África, nas eleições: tinta indelével e tintar o indicador (se não souberem distinguir o direito do esquerdo, para o ministro vale qualquer um)!

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  4. admira-me não terem faltado em massa já que não influencia a avaliação sumativa do ano mas não me admiro com a potencial catástrofe de classificações da prova, tal era o enfado de muitos a fazê-la…

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