4ª Feira

No diário do Público sobre os exames nacionais um dos termos que mais aparece é que o exame foi “trabalhoso”, sejam alunos ou professores a usar a qualificação. Uma curiosidade é um quase total silêncio sobre as imprecisões ou falhas dos ditos exames e em todo o processo. No caso do de Físico-Química, destacam-se quase em exclusivo os aspectos positivos, mas não tanto algumas das críticas detalhadas no parecer da Associação Portuguesa de Professores de Física e de Química. Do mesmo modo, vão ficando apenas pelas conversas e comunicações dos professores, algumas falhas técnicas nas grelhas usadas para a classificação das provas, a motivar esclarecimentos já com a dita classificação em desenvolvimento. Ao contrário dos que teorizam muito sobre a inutilidade ou maldade dos exames nacionais do Secundário (não apresentando qualquer proposta concreta e exequível que posa funcionar como alternativa credível para o acesso ao Ensino Superior), apenas lamento que se passem meses para fazer provas que, todos os anos, têm um sortido de imprecisões desnecessárias. Fala-se num processo rigoroso e alongado no tempo, o que ainda causa mais estranheza e percebe-se, por algumas reacções, que há quem se justifique com a “não exclusividade” de quem elabora as provas. Pessoalmente, acho que tais equipas deveriam ser mistas, sendo indispensável incluir sempre docentes em exercício. O que continuo a achar essencial é que se conheçam essas equipas, para que não ocorram situações menos claras, porque assim nunca sabemos se alguém é responsabilizado seja pelo que for. Claro que, para os teorizadores do tubérculo, o que está sempre em causa é que os exames nem deveriam existir, pelo que estas falhas só ajudam a sua causa.

Claro que errar é humano e não há perfeição ao cimo da terra (com a excepção dos gatos, como é óbvio), mas cansa ler sempre o mesmo tipo de justificação da treta.

Por fim, agrada-me que cada vez mais gente, incluindo associações de professores, critiquem a aparente vitória do “vale tudo quase o mesmo”, seja fazer uma cruzinha ou escrever uma alínea ou produzir uma demonstração de um cálculo ou elaborar um texto em que se pede o desenvolvimento de vários parâmetros com base em diversos documentos.

Ainda Há Quem Se Tente Mexer (Mesmo Se Do Outro Lado Fazem Orelhas Moucas)

Bom dia, Paulo.

Sei que se interessa por estas coisas e apesar da questão da mobilidade por doença ter – e bem – chamado mais a atenção dos colegas em geral, há pequenas batalhas – inúteis, bem sei porque não sou ingénuo a esse ponto – a decorrer por parte dos idiotas como eu, que insistem em não estar acomodados.

     Neste caso tem a ver com as provas orais de línguas estrangeiras e com a convocação de muitos colegas por esse país fora para as realizarem, fora da sua escola, partindo sempre desse pressuposto misterioso de que o professor tem carro próprio e que o mesmo pode- e deve, na mente dos iluminados dos agrupamentos de exames e afins – ser utilizado ao serviço do ME que depois lá dará uns trocos para compensar. Eu, humildemente discordo – sou pelos vistos, dos poucos – e acho que me deve ser fornecido um meio de transporte. Por isso, ao ser convocado para este serviço, enviei um pedido de esclarecimento ao agrupamento de exames (que transcrevo abaixo se tiver curiosidade) que chutou para canto, declinou responsabilidade e recomendou contactar a Dgest que, até hoje, nada disse – nem vai dizer, claro.

     Não sei se mais algum colega pensa como eu ou não, mas pronto, resolvi partilhar consigo até porque dou por mim a concordar com a maioria das coisas que escreve e diz.

Adolfo Dias

A minha primeira tentativa de chamar a atenção para a questão dos transportes:

Acabo de ser notificado da convocatória para realizar a prova oral de Inglês (650) e, como é evidente, aceitei o dever funcional que me foi indicado. No entanto, na convocatória, por lapso da vossa parte – fruto seguramente do excesso de trabalho que é normal nesta fase do ano letivo – esqueceram-se de indicar quais os meios de transporte que vão colocar à minha disposição para poder cumprir o dever funcional para o qual fui convocado. 

    Estou no quadro da Y e, de acordo com o google maps, a distância até à escola de X (…) é de 65,7km e até à escola de Z (…), em Localidade Portuguesa, é de 18,3km o que, em ambos os casos, inviabiliza uma deslocação, sem meios de transporte, desde a escola onde estou provido de lugar de quadro.

     Informo que como transportes públicos existe, em ambos os casos, a possibilidade de recorrer a um táxi, ou, mais moroso e com horários mais dispersos, o comboio.

    Assim, para que possa cumprir o dever funcional que me foi atribuído, que, mais uma vez ressalvo, aceito, como é meu dever, e tendo em conta que é à entidade patronal -ou seus representantes- que compete fornecer os meios para que os funcionários desempenhem as tarefas para as quais são indicados, agradeço que me informem qual o meio de transporte que devo utilizar e que autorizem a minha escola a adquirir previamente os bilhetes necessários já que entendo também que não é ao funcionário que compete financiar a entidade patronal e pagar os mesmos do seu bolso para ser ressarcido mais tarde.

     Aguardo instruções para solucionar esta questão do transporte.

O funcionário em funções docentes

A segunda tentativa, a um dia do exame:

Apesar de ter solicitado instruções atempadamente, continuo, a um dia da realização da prova oral de Inglês, sem qualquer informação de como devo proceder para me deslocar para a escola onde fui destacado para exercer o meu dever funcional. A referida escola, em X, encontra-se a mais de 60 quilómetros (65,7km) do meu local de trabalho e não me foi fornecido ou indicada qualquer forma de transporte como apontei na anterior comunicação de 22 do corrente mês e que transcrevo abaixo para vossa referência.

     Mais uma vez insisto, até pelos alunos que ficarão prejudicados por não realizarem a prova a que se candidataram, que me sejam dadas as instruções já solicitadas na mensagem referida já que, da minha parte, recusarei assumir qualquer responsabilidade pelo fato de a entidade patronal não fornecer os meios que tem obrigação de fornecer para que os seus funcionários realizem as tarefas para as quais são destacados.

   Aguardando instruções precisas,

O trabalhador em funções docentes”

Já Tentaram Com Um Vídeo Da Anita Com Dois T’s? (Elementos Para Uma Hermenêutica Político-Cultural Pimba, Cruzando Ana Malhoa Com Walter Benjamin)

Tentativa de acordar José Eduardo dos Santos do coma falhou

Dizem que até acorda defunto (e mete muita gente ilustre e ilustrada a comentar a ligação entre qualidade musical e glúteos animados).

Onde Não Há Atrasos Nas Verbas, Com Toda A Certeza

Só 31% dos assessores do ministro das Finanças têm formação/currículo na área (com Centeno eram 66%). Há uma razão: Medina está a rodear-se do pessoal que tinha na câmara de Lisboa e que estava em stand by na câmara de Almada (PS)

Inclusão, Sim, Mas Baratinha

Pais de crianças com necessidades especiais desesperam “há vários meses” por ajuda nas terapias

Terapeutas e pais manifestam-se perante cortes na educação especial

Como é óbvio, há sempre um desmentido com números que não conseguimos verificar: “Em declarações à RTP, a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, diz que há mais 4% de processos de requerimentos de subsídios de educação especial deferidos”.

Mas depois, parece que afinal, não sei quê, se calhar há atrasos, porque há muitos pedidos.

Governo garante que não houve qualquer redução na atribuição dos subsídios de educação especial. Ouvida pela TSF, a secretária de Estado da Inclusão diz mesmo que no último ano foi atribuída uma verba mais alta. E o número de requerimentos quase duplicou, mas até esta altura só foram analisados metade dos processos, podendo, por isso, existir algum atraso.

Só Hoje Li…

… esta admissão de análise do exame de História pela ramagem. Mas eu conheço por lá gente que fez a mesma cadeira de Teoria das Fontes que eu fiz.

Quanto ao exame de HCA, que me desculpem, mas para o que era pedido, estava longe de ser extenso.

Associação de professores elogia “qualidade” dos itens propostos nos exames de História A e de História da Cultura e das Artes.

3ª Feira

É sempre bom quando é possível fazer um almoço de final de ano com todo o grupo disciplinar, incluindo colegas contratadas que entretanto já saíram da escola, por causa das regras parvas da gestão de horários. Que essas colegas sintam vontade de nos rever e nós de, depois destes anos tod@s (e ainda somos quase uma dezena), ainda nos sentarmos à mesma mesa com sincera boa disposição, significa que é possível, embora sob forte e persistente ameaça, manter oásis de sanidade e amizade, quiçá de algum bem-estar e mesmo felicidade, para agora até há “formações” para que aprendamos o que deveria ser natural.