2ª Feira

O andar a viver à conta da morte alheia sempre me chocou. Por maioria de razão, quando se trata de situações trágicas e, em acumulação, de maus trataos e abusos contra crianças, mulheres e idosos. O caso da menina que morreu vítima de maus tratos trouxe, por umas semanas, um tema alternativo à pandemia (quase esquecida) e à guerra (em processo de “normalização”). Gente, de políticos a jornalistas, passando pelos tudólogos, alguns a rimar com psicólogos, descobriram as CPCJ, suas funções, ineficiências e bloqueios. Quem anda pelas escolas sabe os enormes problemas que existem no acompanhamento de crianças em risco, excepto em casos-limite quando se consegue achar algum@ técnic@ com uma capacidade de trabalho e entrega muito acima da média. Tive essa sorte há um ano e resolveu-se uma situação muito complicada. Mas muitas vezes apenas recebemos os pedidos de informação rotineiros de final de período ou ano, sem qualquer feedback, a não ser quando chega a comunicação de arquivamento, Seria bom que, para além da excitação epidérmica, ficasse qualquer coisa de útil desta comoção passageira com o triste destino de uma criança deixada nas mãos de adultos negligentes, cruéis ou apenas indiferentes. Mas duvido muito.

3 opiniões sobre “2ª Feira

  1. E entretanto, o MP quer que aqueles jovens, de Famalicão, impedidos de ir às aulas de cidadania, pelos pais “fiquem à guarda da escola…” como? Vão tirar estes filhos aos pais? Claro, que eu considero que a disciplina é absolutamente desnecessária, porque a cidadania está na sociedade, mas quando há tantas crianças em perigo, vão meter – se com uma situação destas??? Só no regime soviético, isto seria possível!

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  2. Nem mais. Só agora descobriram como as CPCJ funcionam? Ou que pouco podem fazer e efectivamente algumas pouco fazem, nem sequer dão qualquer feedback à escola/DT que sinalizou a situação?! Mas quando as questões passam para a alçada do tribunal de menores também há por lá técnicos que deixam muito a desejar!

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  3. Diz-se que há pessoas e famílias disfuncionais. Sabendo que essa disfuncionalidade é sobretudo causada por falta de bons exemplos ou modelos funcionais, questiono sobre quem deve ser chamado de disfuncional: essas pessoas e as suas famílias ou a sociedade em que vivem e os governos que as lideram e governam?
    Há anos que assistimos ao “espetáculo” triste e deprimente de ver crianças já sinalizadas por estarem em risco, e outras em vias disso, e sobre as quais muito se fala e se mostra, mas pouco ou nada é feito, a não ser chorar e lamentar quando acontece uma tragédia. Há anos que ouço falar no “superior interesse da criança”, mas ao que parece, o interesse é de que isso deve ficar só na teoria e no papel. E quem diz no “superior interesse da criança”, não pode ignorar que, o bem ou o mal que fizer a uma criança, estará a fazê-lo a favor ou contra o superior interesse de todos: adolescentes, jovens, adultos e adultos velhos. É que na hora de exigir obrigações, como o pagamento dos impostos e os votos, todas as pessoas contam, mas para cumprir as obrigações de garantir os direitos dessas mesmas pessoas, lá vem o discurso do coitadinho do mau pagador, culpando a pandemia e a guerra. E antes disso, quais foram as razões para os mesmos eternos problemas? Andamos há quase 50 anos com guerras e pandemias?!
    A propósito de um outro problema que ilustra bem estas hipocrisias – o despejo de pessoas que há anos viviam em barracas -, alguém disse para a TV que tiram mais depressa animais da rua e os tratam melhor do que as pessoas que nela vivem. Ora, para se viver sem disfuncionalidades e com a devida dignidade, “acima de cão”, seria necessário garantir um direito fundamental: criar emprego para todos, dando às pessoas os meios necessários para viverem funcionalmente e dignamente.

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