Só?

Lá está… a observação directa pode trair-nos, porque eu iria garantir que seriam no mínimo dois terços. Quanto às comparações, é inútil fazê-las entre provas finais com algum peso na classificação final e uma espécie de provas a fingir. Por isso, não me venham com os efeitos da pandemia. Existiram, deixaram sequelas, mas não são desculpa ou explicação para tudo.

Mais de metade dos alunos do 9.º ano teve negativa no exame de Matemática

Sugestão De Leitura

Muito no espírito dos tempos. A ler, por exemplo, o capítulo “A Presunção e o Eu Frágil” para melhor se compreenderem certas posturas do género “eu é que sei-eu é que mando-porque eu é que trabalho muito”. E depois, raspa-se o verniz e – há um cartoon muito giro do Quino a este respeito – temos lá dentro da armadura uma pessoazinha cheia de medo que se descubra que se lhe descubram os inconseguimentos.

Calma, que eu também li e tenho consciência das minhas “arrogâncias” 😀

Nota Informativa Da DGAE Sobre A Indicação Da Componente Lectiva

Já li interpretações um pouco esquisitas dos pontos 4 e 5. Bem ou mal, o que lá está é que primeiro se preenchem os horários dos docentes em exercício do quadro dos agrupamentos/escolas (incluindo os que regressem de mobilidades), seguindo a graduação profissional, e só depois os que lá tenham sido colocados em virtude de mobilidades, também por ordem da dita graduação.

Mistificações

A comunicação que a seguir publico, foi enviada aos encarregados de educação de um agrupamento, sem consulta prévia ao corpo docente (os pais e os professores falam e sabem as coisas) e muito menos com o seu parecer favorável à mudança. Mais enganador é justificar a mudança com o processo de descentralização de competências, como se a semestralidade tivesse sido uma imposição municipal. A ser verdade, seria uma intromissão muito grave nas competências ainda reservadas aos órgãos internos das escolas.

A única vantagem é a de admitir que com a semestralidade aumentam os “momentos de feedback”, o que só pode significar mais reuniões, porque ser 3 períodos ou 2 semestres não altera o ritmo do feedback em sala de aula, até podendo funcionar ao contrário.

Exmo(a). Sr.(a) Encarregado(a) de Educação

Assunto: Reorganização do calendário escolar

Com o processo de descentralização da educação, implementado a partir do passado dia 1 de abril, colocou-se a possibilidade de se proceder a uma alteração da forma de organizar o ano letivo. Da habitual organização em 3 períodos letivos, passaremos para 2 semestres, a partir do ano lectivo 2022/2023.

Neste processo de divisão do ano em 2 semestres encontramos as seguintes vantagens:

1. Organização mais coerente e equilibrada do tempo escolar, com adoção de intervalos de tempo que favorecem o trabalho com os alunos e permitindo dois momentos de avaliação sumativa sustentados em maiores períodos de recolha de informação, com o aumento das possibilidades de utilização de técnicas e instrumentos de avaliação diversificados;

2. Possibilidade de formalizar um maior número de momentos de feedback aos alunos e encarregados de educação, permitindo um acompanhamento mais frequente e consistente do processo de aprendizagem dos alunos;

3. Com a introdução de momentos de pausa para avaliação intermédia, a que se associam parte dos habituais períodos de interrupção letiva, aumentam os momentos de pausa de curta duração que permitem a diminuição de algum cansaço, provocado pela manutenção ininterrupta de actividades letivas em períodos longos.

Uma vez que não temos ainda informação relativamente ao calendário escolar para o próximo ano letivo, informamos que o ano letivo terá a seguinte organização genérica:

Setembro 2022 – início do ano letivo, em data a definir;

Novembro 2022 – interrupção de 3/4 dias (a definir), para se proceder à realização de conselhos de turma para avaliação intercalar (de natureza qualitativa);

Dezembro 2022 – a habitual pausa letiva de Natal (de menor duração do que é habitual);

Finais de Janeiro 2023, início de Fevereiro 2023 – interrupção de 3/4 dias para realização de conselhos de turma para atribuição de classificações aos alunos,

Carnaval – interrupção provável de 1 dia;

Abril 2023 – habitual pausa letiva da Páscoa (de menor duração do que é habitual), que poderá ser o 2.º momento de avaliação intercalar;

Junho 2023 (datas a definir) – final ano letivo, com novo momento de classificação dos alunos.

O Diretor

2ª Feira

Apesar das dificuldades que existem, do cansaço e do desânimo é importante que as pessoas se habituem (caso ainda não o façam) a informar-se sobre as questões que lhes dizem respeito, podendo depois colher outro tipo de contributos em outras pessoas ou instâncias. Mas é essencial que as pessoas se informem sobre os seus direitos (e deveres) de forma clara e concreta e não se justifiquem como coisas do tipo “a direcção diz que”, “na escola da maria albertina fizeram assim” ou “quando estive na escola xyz fazia-se de outra maneira”. Isso só interessa se as coisas foram bem feitas, pois o direito consuetudinário deixou de ser a regra há uns tempos.

Em seguida, as pessoas devem agir, resistindo aos abusos, usando os meios que têm ao seu dispôr para reclamar, denunciar, pedir esclarecimentos, a nível local ou central, procurando que as respostas não se fiquem por formulações vagas, inconclusivas ou remissões para a leitura das leis, quando é exactamente a sua interpretação que está em causa. E muitas vezes a acção passa pela recusa em fazer aquilo a que não se é obrigado, a menos que se concorde em “colaborar”. Não chegam queixas de corredor, mesmo se o soft power se tornou muito comum como via informal de resolução de algumas situações individuais. Não desistir, apesar das pressões ou intimidações que se tornaram demasiado comuns na gestão escolar, porque há quem vista pele de cordeiro em corpinho e mentalidade de bully. Não ceder ao medo do que pode vir a ser, quando o que já existe é mau.

Por fim, não colaborar com abusos, desmandos, atropelos, distorções do que deveriam ser as regras de equidade, transparência e um mínimo de democracia no funcionamento das escolas. Por vezes, a colaboração passa por não agir no momento certo, negar ajuda a quem dela precisa, preferir manter um falso “bom ambiente” a assumir com clareza as convicções que ainda nos restam.

Sim, é mais fácil dizer e escrever do que praticar, mas nada como pelo menos tentar.