Onze Medidas, Algumas Questionáveis

Fica aqui a “Intervenção inicial do Ministro da Educação na Assembleia da República na Comissão de Educação e Ciência” no dia de ontem.

Não me vou deter na parte do passa-culpas, como se há quase sete anos este ministro não fizesse parte do governo. O recurso ao aumento da troika já farta, pelo que me concentro nas “medidas” anunciadas, em número de onze, sendo que algumas não são bem medidas, tanto que o ponto 7 aparece como sendo “em quinto lugar”. Mas vamos lá.

Levanta-me muitas dúvidas a restrição geográfica e disciplinar do completamento de horários (ponto 3), pois vai provocar uma situação de desigualdade e distorção que pode levar a problemas de novas assimetrias.

Daqui a três meses gostaria de saber o resultado da redução das mobilidades estatutárias (ponto 4). Se não será apenas um anúncio cosmético, quase sem concretização prática com impacto nas escolas.

O reforço da verificação das situações de doença domiciliária (ponto 6), a par das considerações sobre a mobilidade por doença (ponto 5) parecem-me algo demagógicas, pois eu pediria, então, que se verificasse quem permanece nas escolas e deveria estar em casa.

Se o ministro diz que não há verdadeiramente falta de professores (início da intervenção), o ponto 7 parece-me então pouco relevante, tal como o 10. Por outro lado, quer-me parecer que iremos ter uma geração de professores “de aviário” atirados para as escolas com uma pincelada de formação/equiparação de créditos.

Os pontos 8, 9 e 11 são a negação do que o ministro afirma na mesma intervenção, quando diz que nos últimos seis anos se fizerem imensas coisas maravilhosas em termos de gestão dos recursos humanos na Educação.

No conjunto, é uma boa estratégia de auto-desresponsabilização, algo que o actual ministro é manifestamente perito. Como se nos tivéssemos esquecido do que se passou em 2018. Eu sei que despacharam a Alexandra Leitão do Governo, mas isso não apaga o que ela fez em matéria de concursos.

Uma opinião sobre “Onze Medidas, Algumas Questionáveis

  1. E quanto à desgraçada qualidade do ensino em Portugal não há nada , nada, nada ?!

    O tema, pela sua gravidade, seria merecedor de um pacote de “medidas”, medidas essas a “implementar ” quanto antes. Ou a começar já! Por cada ano que passa …
    “Evidências” :
    – Querem saber em que “estado” saem os alunos que terminam o 1º ciclo? Perguntem aos professores do 2º.
    – Querem saber em que “estado” saem os do 2º? Perguntem aos do 3º .
    -Querem saber em que “estado” saem os alunos do 9º ano? Perguntem aos professores do Secundário e reparem nos recentes resultados dos exames, ou lá oquié.
    -Querem saber em que “estado” sai a rapaziada do Secundário? Vejam os resultados dos exames nacionais, para mais sabendo-se que as provas foram escandalosamente fáceis. Ah! E no início do próximo ano lectivo perguntem aos professores universitários e do politécnico.

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