Fiquei Mais Uma Vez Baralhado

Depois de toda uma conversa enorme sobre o excesso de docentes colocados em mobilidade por doença e como havia assimetrias que levavam a uma sobre-ocupação de umas regiões em relação a outras, etc, etc, não é que em nenhum qzp foi atingida a capacidade de acolhimento, sendo o máximo de 83%, nos qzp do interior centro e norte, que tantas vezes se diz serem as zonas de maior dificuldade para a fixação de dcoentes (e não só)?

O estranho é que, ao mesmo tempo, quase 3000 docentes ficaram sem colocação, apesar de admitidos ao concurso. E agora? Chamamos os curandeiros ubuntu?

Dos 7547 docentes que requereram a mobilidade por motivo de doença, 7144 foram admitidos e, destes, 4268 ficaram colocados num dos 9298 lugares disponibilizados pelos agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas (AE/ENA), em conformidade com o art.º 7.º do Decreto-Lei n.º 41/2022, de 17 de junho, traduzindo-se numa taxa média de ocupação de 46%.

Isto É De “Esquerda”?

E defende um trabalho “digno”?

Ao acabar com a compensação devida aos trabalhadores com contratos a prazo nos casos de caducidade automática dos mesmos, esta norma da nova lei é um embuste.

(…) Na ótica do trabalho digno, este é um resultado francamente desconsolador (e, confessamos, surpreendente) da Agenda. Se assim ficar a lei, não custa imaginar que as cláusulas de irrenovabilidade vão começar a ser inseridas a esmo nos contratos a prazo, assim conseguindo as entidades empregadoras (cujos advogados, em boa verdade, redigem as cláusulas do contrato, que o trabalhador depois se limita a assinar) esquivar-se ao pagamento daquela compensação. Será, repete-se, um retrocesso, tão considerável como incompreensível, três anos volvidos sobre a aprovação da Lei n.º 93/2019.

Quando As Pessoas Perdem A Compostura (Em Busca De Um Lugar Ao Sol)

Conheço o Gabriel Mithá Ribeiro irá para 20 anos, possivelmente. Desde que deu aulas aqui pela minha zona. Desde os tempos em que era dos escribas da segunda linha da Atlântico e tentava singrar no PSD, mesmo se na altura eu nem sabia disso. Sempre tivemos uma relação cordial e colaborativa, em matéria de partilha de pontos de vista e até materiais de trabalho. Só que há uma altura em que eu mantive o meu caminho – não quero ter cargos públicos na política ou directivos em qualquer escola – e o Gabriel achou que precisava de um rumo novo para a vida e de singrar pelos meios ao dispor. Foi para o Chega e achou que o professorado teria um potencial interessante em termos eleitorais, pois havia classes profissionais por “lapidar”. Já na altura achei por bem dizer-lhe que a mim não lapidaria. Agora, na sequência de uma observação periférica num post de há um par de dias, o actual vice-presidente do Chega parece ter entendido finalmente que não há qualquer afinidade minha com o partido onde se refugiou, mas poderia ter entendido a coisa sem disparatar. E então vai de me atirar bombarda no fbook, o que muito me divertiu, pelo que revela de desorientação em matéria de “alvo”.

Ficam aqui as imagens do que ele escreveu e eu respondi, para que não desapareça tudo na voragem do feed. Não faço link para a publicação, porque o Gabriel também não o fez para o meu texto, de modo a que se percebesse em que contexto surgiu o excerto que ele seleccionou, naquela estratégia de truncar as coisas para dar mais efeito à bojarda.

Gabriel, pá, doutor/investigador/professor, conforme os dias… procura outro alvo porque eu não sou o Santos Silva, cheio de cristais no telhado, e, muito mais importante, não dês a sensação de teres perdido por completo a tramontana, como se nota por esta outra tua publicação. Não achas que isto é demasiado ridículo? Sempre defendi publicamente que não te acho um “fascista” como já te acusaram e mantenho, apesar da tua relação complicada com a “ordem”, a “autoridade” e a “hierarquia”. Agora que começas a dar-me razões para confirmar que te transformaste num demagogo oportunista…

2ª Feira

Pela manhã, era tema de noticiário este estudo da FFMS sobre o “bem-estar”, objecto de investigação que ganhou popularidade nos últimos anos, a par da difusão de formações sobre como atingir/manter/aumentar o nível de “felicidade”. Por deformação histórica, estudei o tema nos tempos da Faculdade, como se foi divulgando o ideal desde o Iluminismo (um dos livros a ler era este), pelo que muito do que agora vejo e leio me cheira a requentado e, sinceramente, a “área de negócio”. Ao escrever sobre a auto-estima, Simon Blackburn resume bem a minha atitude actual acerca do que penso ser, no essencial, uma estratégia para tornar mais aceitável o conformismo, dando-lhe outro nome: “o movimento da autoestima nunca teve uma sólida base empírica, e a pesquisa nesta área é atormentada por muitos fatores. por exemplo, na medida em que as medidas da autoestima dependem da autodescrição, elas são turvadas pela propensão das pessoas com baixa autoestima para descreverem o oposto, e vice-versa. (…) Por isso, talvez não devêssemos ser surpreendidos por os aumentos globais na autoestima serem de pouco ou nenhum benefício, embora a psicologia académica tenha demorado algum tempo a aceitar isto. Foi preciso percorrer um lote inicial de cerca de quinze mil trabalhos académicos sobre o assunto para que os psicólogos determinassem que o único efeito fiável que ela tem é sobre a felicidade relatada por um indivíduo” (Vaidade e Ganância no século XXI – Os usos e abusos do amor-próprio, Lisboa: Tema e Debates, 2015, pp. 108-109).