Interessante

Por cá muito disto foi chegando com atraso. Por vezes de décadas, mas acabou por chegar.

I think the story of America after World War II is the story of a country that suddenly found itself more affluent and realized that knowledge and technology and learning were the key to getting ahead. Because of that understanding, you saw this massive investment during the ’40s, ’50s and ’60s in higher education—in building new dorms and hiring professors; enrollment increased exponentially during those years. Since then, you’ve seen a backlash, driven by the right, in terms of what liberal education does to the minds of our young people. That’s really influenced the way we fund higher education. And that resentment, ultimately, became baked into what’s become the modern conservative movement in this country.

(…) One of the most dramatic statistics I found was from UCLA, which for decades has done a big national opinion survey of incoming freshmen. One of the things they ask is, basically, what’s the purpose of college? In 1969, 82 percent of freshmen said the main purpose was to develop a meaningful philosophy of life. And by 1985, or 16 years later, that number plunged in half, to like 43 percent. And the top answer that replaced it was to be “very well-off financially.”

You saw this play out in practical ways. Majors in the humanities and social sciences plummeted in the ’70s and ’80s. And business, and other more career-oriented majors, took precedence. There were a couple of things going on there. One is the American economy changed. In the ’60s, when there were jobs available for anybody, it was easy to think that I’m going to college to develop a philosophy of life. By the ’80s, people felt this pressure to learn skills in college that would help them get a good enough career to stay in the middle class.

Preocupante

Mesmo se não é exactamente esta a minha experiência. As coisas surge ao de cima mais para o fim da adolescência, por influência directa dos adultos e famílias, quando se começam a definir de modo mais evidente as “afectividades”.

Our research suggests that children withdraw from cross-race engagement because, at around 10 years of age, they come to view prejudice as a despicable trait that does not change. Children at this age begin to recognize the stakes associated with race and cross-race interactions—including the risks of being labeled as, or targeted by, someone prejudiced. And to the extent that children come to believe in the permanence of prejudice, they disengage from the cross-race encounters that could subject them to these risks.

Citando

Há ocasiões normais em que é totalmente admirável ser-se firme, resoluto, desprovido de conflitos, e portanto em que a integridade é inequivocamente uma virtude. A pessoa de integridade sabe o que fazer e fá-lo. Mas, como temos vindo a explorar, também há ocasiões em que a certeza e a obstinação indicam algo menos admirável: uma surdez a vozes que deveriam ser ouvidas ou uma cegueira a aspetos de uma situação que têm de ser considerados.

(Simon Blackburn, Vaidade e ganância no século XXI, p. 216)

2ª Feira

O recente ex-director Fernando Elias faz hoje no Público uma espécie de “testamento” sobre o que acha que deve ser a “escola do século XXI, afirmando que “o futuro começa hoje”. A modos que é assim… o nosso contacto pessoal foi escasso ou praticamente nulo, mas eu até acho que o ex-director Fernando Elias é uma pessoa cheia de boas intenções. O problema é a aterradora capacidade para despejar chavões sem sigificado substantivo a um ritmo quase alucinante. Este do futuro começar hoje poderia ser dito desde o início dos tempos, seja ele resultado de uma singularidade cósmica ou de um qualquer bafo divino. É que nem como metáfora já se aguenta tal coisa, bem como (citando, nem sei bem a que propósito, o Matias Alves, que também anda numa deriva algo sebastiânica) a afirmação de que se deve colocar as “aprendizagens no centro da vida escolar”, como se isso fosse um pensamento inovador, acrescentando que isso deve assentar “em quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser, aprender a conviver”. Eu juro que tento levar isto a sério, juro que sim, garanto que tento nem me rir, nem me desesperar com este tipo de platitudes que transpiram prozac por todos os caracteres e me deixam sempre a amarga sensação de estar perante pessoas em busca de um rumo (claro que não faltam as referências à “Felicidade” ao “Sentir & Saber”, etc). E claro que se segue a enumeração de medidas que não passam de um decalque das políticas do ex-secretário, agora ministro Costa. O ponto de não retorno é atingido quando deparo com o “compromisso estratégico” nº 7:

Promover uma educação competencial, onde o desenvolvimento das aprendizagens se processe através da reorientação dos processos pedagógicos para o saber fazer e o saber ser. Para o efeito, devem ser criados mais projetos, clubes, oficinas e academias (como, por exemplo, a Academia de Líderes Ubuntu), no seio das escolas.

Pronto. Não dá para ler mais. Só posso pedir, por todas as alminhas que coloquem o recente ex-director Fernando Elias à frente de um grupo de trabalho, de uma estrutura de missão, de um plano/projecto/programa qualquer que lhe permita preencher eventual vazio existencial e dar cor aos dias que agora parecem ter ficado cinzentos. A sério, isto pode parecer sarcástico, mas é escrito com a melhor das intenções. Porque já é tempo de sermos, conhecermos, fazermos, convivermos qualquer coisa. Se a aprendizagem deve ser contínua e progressiva, é também importante desencalhar de uma vez deste tipo de atitude um bocadinho choninhas. E já agora, num tempo em que tantos professores estão profundamente infelizes, a conversa fofa sobre a “Felicidade” (que se tornou um belo negócio em matéria de “formação”) fica sem se perceber se é mesmo um completo descolamento da realidade. Com o devido respeito, claro.