ÓMaiGóde!

The pop star’s decision to replace two words in her song “Heated” follows Lizzo’s removal of the same term, which has been used as a slur against disabled people, from her track “Grrrls.”

O raio da palavra, mesmo no chamado calão urbano, pode ter múltiplos sentidos e usos.

Parecendo que não, para mim isto entra na mesma categoria do episódio do manual de Filosofia, que a Porto Editora que retocar numa passagem.

4ª Feira

Primeiro dia oficial de férias e a partir do qual posso esboçar um veraneio descomprometido. Há uns anos, no mais quente da refrega entre professores, tutela e opinião publicada (com o inefável mst à cabeça, mas muito mais gente, em especial em blogues desde o socratismo avençado às “novas direitas” pseudo-liberais), fomos muitos os que passaram a evitar algumas palavras, incluindo a relativa às férias, usando o eufemismo de “pausa lectiva”. Com o tempo, felizmente, foi-se perdendo parte dos pruridos e recuperou-se um pouco de brio e orgulho pessoal e profissional, mesmo se as críticas continuam mais ou menos as mesmas, só que talvez com menor intensidade externa. Porque internamente, ganhámos uns quantos profissionais da racionalidade gestionária dos dinheiros públicos que há uns anos fariam corar de embaraço o pessoal do insurgente ou do 31 com quem tantas vezes andei às cabeçadas. Sempre existiu uma espécie de 5ª coluna na classe docente, no que não é fenómeno novo num grupo profissional com a dimensão do professorado. Mas acho que, até pela erosão dos que outrora andaram mais activos na contestação (claro que agora se nota melhor quem era mero “adesivo”), o peso dos que moem a partir de dentro se tornou proporcionalmente maior e, mais importante, se converteu ao “paradigma” da actual gestão escolar, mesmo quando grita ou clama pelo contrário. Aliás, basta comparar actos e palavras, palavreado ou longa verborreia para impressionar os burgueses de letras curtas.

Ao entrar em “férias”, não sei se devo assumir publicamente esse “privilégio”, juntando-o a tantos outros com que tive o azar de nascer, em matéria de “identidade”, que é como agora se diz para confessar que sou um caucasiano, de meia-idade a caminhos dos três quartos, hetero praticante (apesar deste ou aquele desvario de quem até da avózinha diria mal para ganhar pontos no “clube”) e desagradável no trato com os troca-tintas e sonsos. Parece que agora é necessário pedir desculpa por tudo, menos por se tramar os outros, pares ou ímpares, que isso passa por “sentido cívico”, ou por andar à babugem (quem desconhece o termo, que vá procurar) do belo tachinho, desde que se tenha o cartão certo (este é apenas mais um caso) ou a falta de vergonha à medida. Ou mentir de forma descarada, sabendo-se que os polígrafos funcionam apenas às vezes e quase nunca com consequências. Até porque há míngua de publicidades e a institucional, directa ou indirecta, dá imenso jeito.

Enfim, nota-se claramente que ando a precisar de “férias”, mas não sei se Agosto chega. Desde que ando nestas coisas blogosféricas educativas que sempre assumi sem problemas que no dia 1 de Setembro estaria na minha escola, para dar aulas, sem ambições diversas. Não é que deixe de garantir isso, mas confesso que é a primeira vez em que, de forma sincera, quase me apetecia dizer outra coisa.

Por tudo isto, a partir de hoje, serviços mínimos diários garantidos, com este ou aquele post adicional, a menos que dê por gente à solta com alzheimer precoce ou com leituras baralhadas de factos bem conhecidos,