Censuras

You Can’t Read That!

(…) Public librarians can, and normally do, ignore outside pressure to ban books. Now, though, right-wing and religious book banners, learning from their battles with school districts and boards, are beginning to pressure public libraries through the political boards that govern their funding (and, to be sure, doxing, harassing, and threatening librarians).

The crowbar they’re using to break into public libraries and pry books from the shelves is one they’ve found effective against school districts and boards: protecting children. Protecting children, that is, from “pornography” in LGBTQ-themed books and graphic novels. (…)

Domingo

Comprador compulsivo de jornais e revistas, há cerca de uns cinco anos comecei um processo de “desmame”, não por causa da net, mas porque já me cansavam as propagandas plantadas que nem eucaliptos como se fossem notícias verdadeiras. Não que fossem novidade, nem sequer que fossem em maior quantidade do que em tempos do “engenheiro”, mas apenas porque atingi o ponto de saturação de pagar por publicidade não identificada como tal. Por vezes, publicidade de tipo mesmo pessoal (ocorrem-me à distância as imensas peças feitas sobre empresários de sucesso, com o zeinal à cabeça, mas muitos outros pelo entremeio), em que nem era preciso ir às entrelinhas para ver que vinham de “fábricas” avençadas. Com a agravante de saber, em alguns casos de viva voz, que a troca eram viagens pagas, eventos da treta patrocinados como se fossem debates essenciais para a “sociedade”, o “futuro”, a “economia” ou tudo à mistura. Os fretes sucediam-se, não apenas pelos xiitas desta vida, mas por muitos “especialistas”, com destaque para a área da Economia e das Finanças Públicas, daqueles que numa página escreviam a encomenda como se fosse notícia e em outra opinavam sobre os “factos” relatados como se fossem coisa investigada e não recebida na secretária. Basta ver alguns trajectos, para se perceber que não mudaram de verdadeiro patrão.

Isto vem a propósito do noticiário da silly season relativa a um outro empresário de “sucesso” que agora foi ao espaço, mas que há uns três meses não sai das páginas dos jornais porque se descobriu que teria cometido infracções fiscais, mas mesmo assim era elegível para empréstimos de milhões de que, afinal, não precisaria e de que “abdica” na fórmula esquisita encontrada por um jornal “de negócios” para explicar a coisa, talvez porque a literacia não chega para saber que só se pode abdicar de algo a que se tem direito ou já se tem, de Direito. Aquilo que mais me interessava saber foi o que não li em lado nenhum, ou seja, como é que o aparelho de Estado que me bloqueou há uns bons anos um reembolso do IRS por causa de uma dívida que só existia por incompetência dos próprios serviços, não consegue detectar uma situação deste tipo, que não é de dezenas ou centenas de euros, mas de dezenas ou centenas de milhar.

Porque, quando se critica o “Estado” é curioso que a certos “liberais” nunca parece interessar a responsabilização específica de ninguém, seja do tal “Estado”, seja dos infractores privados. Porque parece que a “culpa” é sempre de uma entidade vaga, a responsabilidade é “política” e raramente se chega a algum lado na parte jurídica, até porque os empresários de “sucesso” costumam ter advogados de “sucesso” que, uns tempos antes, ajudaram o tal “Estado” na produção das leis que depois contestam em Tribunal com uma eficácia que nos faz pensar porque não a tiveram enquanto consultores pagos pelo erário público.

Se é verdade que há quem investigue para lá da superfície, não é menos verdade que a maior parte das notícias se limita a reproduzir o que lhes é fornecido por uma das partes em confronto. Eventualmente, pelas duas ou mais, mas raramente de um modo que se perceba tudo nas condições devidas. Provavelmente, porque é tudo “relativo”, não há uma “única verdade” e buscar “culpados” pode parecer perseguição. E até pode ser complicado quanto se trata mesmo do patrão.

Phosga-se, mesmo sendo dia do Senhor com maiúscula, o tal que se existe tem andado muito distraído com os seus funcionários. Provavelmente, porque até os pecados inscritos em pedra são “relativos”.