Podem Sempre Delegar A Função Em Coisos, Subcoisos E Adjuntos De Coisos, Especialistas Em Tudo E No Seu Contrário

Daqui até ao início do ano lectivo? “Impossível”? A sério? O ministro Costa diz que é possível. Isso e obrigar as escolas a fazer horários para professor@s que estão com atestados de longa duração, em virtude de situações em que o retorno é impossível (tratamentos oncológicos, depressões profundas, fracturas, etc), levando a que obrigatoriamente os alunos fiquem sem aulas nos primeiros tempos, mas permitindo pagar menos umas semanas a quem for colocado em substituição com o Setembro adiantado ou mesmo mais tarde.

Isto é do “interesse dos alunos”? Ou é útil para a tão falada “recuperação das aprendizagens”? Nada disso. Apenas faz parte de uma nova fase de achincalhamento de quem está na profissão docente há décadas e tem a culpa de ter envelhecido. Há fraudes? Suspeitam de 7500? A sério?

Nada como recrutar aquela malta que só de olhar é como se fizesse um PET scan, mais um exame psicológico detalhado.

A culpa de todas as malfeitorias era das Finanças? E agora, shôr ministro, que desculpa vai arranjar para manter o ar de goody two shoes?

A Federação Nacional dos Médicos considera ser “uma tarefa impossível” a de criar 7.500 juntas médicas para verificar situações de professores em baixa médica ou que pediram para mudar de escola por questões de saúde, porque faltam clínicos.

Escrever Para Quê?

Em matéria de Educação já é há uns quantos anos redundante acerca de algumas matérias, apesar do evidente desconhecimento que muita gente parece ter de um passado que não é assim tão remoto. É cansativo estar sempre a revisitar matérias que se pensava terem sido objecto de aprendizagens consolidadas. Claro que há circunstâncias que muda e, muitas vezes infelizmente, também há que rever posições. Mas isso não implica escrever para “agradar” ou para mobilizar em ziguezague para causas que se julgam populares. Isso descredibiliza tanto ou mais do que o imobilismo das crenças inamovíveis. Escrevo porque acredito no conteúdo do que escrevo e, com esta ou aquela incoerência, se possível de forma consistente com a prática quotidiana. Sempre fui acusado de individualista, de sniper, mas isso não me ofende, porque corresponde à realidade. Tenho muita dificuldade em inserir-me em grupos, muito mais em “estruturas” que, é só dar oportunidade à natureza humana, tendem para a distorção dos princípios e objectivos originais, em nome do “realismo”, da “estratégia de longo prazo”, do “sentido de Estado” e todas essas vacuidades de sentido único. Claro que há compromissos que se tornam quase incontornáveis para se chegar a a algum lado, mas confesso que já não vejo bem que destino será esse. Pelo que, há uns bons anos, me limito mais a tentar defender algumas trincheiras ou a não ser esmagado contra a parede. E a ajudar quem possa a evitar isso. E tão só. E escrevo sobre isso. Não escrevo para “novos” ou “velhos”, em busca do apoio de uns contra outros. Não escrevo para atiçar uns contra outros, mas critico, à vez, o que me desagrada, e elogio – confesso que com muito menos frequência – o que me parece bem feito. Sei que desagrado algumas vezes a muita gente e em outras chateio muito algumas. E levo de volta, como seria de esperar, que isto de andar à chuva, molha sempre. Vem com o território, como se diz em outras paragens. Claro que há jogatanas “baixas”, assim a resvalar para o reles, a que me habituei muito antes destas coisas de bloguices e redes sociais. Regista-se, coloca-se em arquivo, não se esquece, mas a vida continua.

Escreve-se porque é um vício. Escreve-se porque, no fundo, ainda se quer comunicar com os outros. Escreve-se porque não se quer apenas reciclar o já usado. Muito menos por terceiros. Ou para marcar pontos. E nada como escrever de forma livre, sem sentir que temos de justificar a moeda paga por mais ou menos parágrafos.

Quando se escreve apenas para se ganhar algo com isso, já se vendeu a alma aos diabretes que nem diabos a sério chegam a ser. E nada pior do que uma pessoa vender-se por pouco. Ao menos, no dia em que um tipo enterrar as convicções bem fundo, que seja em troca de algo que valha mesmo a pena. Havendo Inferno, pecador me confesso, pelo que sei que lá tenho lugar reservado, não vale a pena fazer acordos da treta ou andar a encenar indignações para preencher calendários adventícios.

E quem não percebe isto, que me desculpe, é porque já entrei em modo quase zen e posso ter perdido clareza na expressão.

4ª Feira

Triste, quando começa com a notícia da morte de um dos melhores jogadores portugueses de sempre, um dos seus maiores génios e só não o maior, porque lhe faltou no cálculo da carreira o brilhantismo que lhe sobrava nas pernas. Com Futre, Chalana faz o par dos melhores extremos do nosso futebol. O talento no seu estado mais puro, com todas as suas (des)vantagens.

(1959-2022)