4ª Feira

Comecei a dar aulas quando estava a terminar o curso, lecciono de forma intermitente uns anos e só depois fiza opção de continuar de modo permanente. Só fiz a profissionalização com uma década de prática e sempre me desgostou o modelo dos “professores de aviário” com certificados sem experiência e formados por gente com escasso ou nulo conhecimento do quotidiano de uma escola básica ou secundária do mundo real. Defendo um “paradigma” a milhas do bolonhês para a formação de professores. Sou dos que acham que prefiro deve existir uma boa formação disciplinar e só depois a pedagógica. Sou arcaico assumido. Por isso, nunca poderei concordar com os enxertos antevistos para a habilitação para a docência e pre-anunciados pelo ministro Costa, que configuram mais um passo para a desqualificação da docência. Nunca quereria para os filhos dos outros p que não quis para a minha.

16 opiniões sobre “4ª Feira

  1. Habilitações e graus

    Prefiro um licenciado pré-Bolonha ( ou mesmo pós- Bolonha, vá ) a um qualquer “Ensino de…” .
    Só espero é que aquelas licenciaturas sejam as outorgadas por Universidades (sérias), ÚNICA instituição (excepto no pobre Portugal) habilitada a conferir graus académicos. E não as reles imitações “conferidadas” pelos portentosos politécnicos, imitações que apenas servem para achincalhar o prestígio e respeito devido aos graus académicos e ao Ensino Superior.

    Querem um exemplo do respeito pelos graus académicos que ainda vigora nos países civilizados ? A Universidade Espanhola, quando a reforma bolonhesa reduziu de 5 para 3 ou 4 anos a duração deste ciclo de estudos ,então a “antiga” licenciatura passou a designar-se Grado. Óbvio que, passando a duração para 3 ou 4 anos, a designação nunca poderia ser a mesma.

    Em Portugal não é assim : até o politécnico – que ministra cursos profissionais de nível V – “confere” todos os graus académicos (lic., mestrado e , cuidem-se… doutoramentos , senhores !! É a risota . É a desfaçatez. É o ridículo.
    Esperemos que daqui não saiam habilitações para ser professor.

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  2. O óbvio, que não interessa a quem, deliberadamente está a destruir o ensino público:
    Primeiro – É necessário saber;
    Depois – É necessário saber ensinar!

    As duas são cumulativas e eles (a Máfia-maçónica do PS) sabem, porque isto é óbvio.

    A destruição da escola pública e do estatuto de professor, é um dos elementos basilares do seu projecto de domínio social!…

    Não acreditem que isto é fruto da incompetência. Isto é uma parte, bastante relevante, do seu plano global

    Não há apenas Partido PS.
    Haverá (a PGR que mande investigar) lá mais acima, a Organização PS!…

    Isto é sabido desde o Rui Mateus!… Depois veio o Sócrates, que era a Face Oculta que foi retirada pelo aparelho político judicial, ficando o sucateiro e o Vara.

    Agora temos o discípulo dilecto do Sócrates, que não sei se também dirige a Organização ou só o Partido!…

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  3. O ministro veio dizer ao “Observador” que afinal davam aulas mas não ingressavam na carreira sem as habilitações necessárias. E os contratados tinham carreira? Agora irão ter só porque serão (ME) obrigados.

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  4. Tantos anos a fazer a cabeça aos cidadãos sobre a importância da formação académica, para se ser professor e, agora, num ápice, já todos podem ser professores!!! Deve ser pela aliciante carreia e chorudos ordenados, tipo Sérgio Figueiredo, que qualquer licenciado quer ser professor. Vamos vê – los aos montes a concorrerem.

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  5. Sem dúvida, Paulo, mas acho que o processo é irreversível. Basta ouvir as conversas na sala de professores e perceber o grau de indigência a que se chegou. Ninguém lê nada, ninguém percebe nada de coisa nenhuma que esteja a escasso passo da Escola Virtual e das acções de formação, consumidas ao quilo, sem interesse nenhum, a debitar banalidades. Lembro – me do meu inicio de carreira e do elevado domínio científico de alguns colegas mais velhos que o partilhavam com os mais novos. Hoje, é a inveja que predomina. E quem sabe alguma coisa de alguma coisa que fique em silêncio, recatadamente, ou ainda apanha com um Bom menos na, avaliação que é para aprender.

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    1. A perda de poder de compra também tem como consequência a diminuição de leituras, eu comprava, quando cohecei a lecionar diariamente o jornal, um semanário, livros recém lançados nem se fala. Atualmente compro em média um, sim um, só desses livros, jornais físicos nenhum, online só gratuitos e livros também só gratuitos. É ridículo ver a imprensa que destruiu os professores em vias de subumbir. Essa imprensa matou a galinha dos ovos de ouro eram os professores que a ajudavam a subsistir.

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  6. “… e formados por gente com escasso ou nulo conhecimento do quotidiano de uma escola básica ou secundária do mundo real”.
    Isto sim, um verdadeiro problema. Eu, professor QA a lecionar em regime de acumulação na universidade há mais de 20 anos, verifico isso mesmo. Mas não termina aqui. Se à formação inicial lhe somarmos grande parte dos formadores na formação contínua, os próprios amigos críticos dos TEIP e, ainda, os mercenários dos diferentes projetos avulso (MAIA, Ubuntu, …), ficámos perdidos. Constato no dia a dia que a maioria desta gente pensa que o grau académico que possui é suficiente para determinar a intervenção na escola. Enganam-se redondamente.

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  7. Última hora

    Diz a Rosalina que, por causa das confusões, o ME acaba de publicar um “despacha-te ” atribuindo novas designações às licenciaturas e ao tipo de Professor e professor:

    a) Licenciatura pós- Bolonha : Mini “licenciatura” ( com aspas )
    b) Licenciatura (?) dos politécnicos : ” Licenciatura” de Trazer Por Casa
    c) Docente com habilitação universitária (5 anos) : Senhor Professor
    d) Docente com habilitação universitária ( 3 anos) : “Miniprofessor”
    e) Docente (?) sem habilitação superior :” Aluno Reciclado”
    f) “Docentes” daqueles “grupos de recrutamento” passatempistas : animador, monitor, instrutor, cuidador, catequista (conforme o entretenimento a que se dedicam).

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    1. Com o edifício a desfazer-se, por inépcia dos sucessivos senhorios, à maria apenas apraz bradar, de olhos a ameaçar saltar das órbitas:
      – Eu sou Senhora Professora! Ouviram? Eu sou Senhora Professora!
      Parece que a Rosalina, ao ver tal espectáculo, ainda esboçou a sugestão dum peditório para um provável internamento, mas depressa deixou cair a ideia. Era tempo perdido.

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  8. A Educação e a Cultura são sempre os parentes pobres da Economia. Quanto menos se exigir em conhecimentos e competências, mais fácil é de se obter o sucesso desejado (não o devido), ao mesmo tempo que deixa transparecer a ideia de que nem é preciso exigir/investir muito na educação e formação das massas. P’ra quem é basta! Do que o país mais precisa é de chicos-espertos! E de turistas! Depois de Fátima, do fado e do futebol, vai ser o turismo que nos vai salvar!
    Não admira que, cada vez mais, haja famílias e seus parentes economicamente ricos, mas pobres na educação e na cultura. O que lhes falta em espirito e ideias, compensam com incompetência e corrupção. Salvo raras exceções, depois de os vermos em carreiras ou cargos de topo como altos dirigentes, vimos a descobrir que afinal chegaram lá por outras vias menos qualificadas/certificadas e transparentes. Se pensarmos nas “aprendizagens essenciais”, vulgo “objetivos mínimos”, a competência e o saber já não parecem condições essenciais para o desempenho. Basta (saber) ter perfil – bufo, “ratazana”, graxista, capachinho, condescendente, idólatra, marioneta, etc. – e o lugar é garantido. Conheço muitos casos em que esse perfil até funciona como uma compensação pela falta/insuficiência de saber e de capacidades. Mas quem precisa disto para ser feliz? – “Laissez faire, laissez aller, laissez passer, le monde va de lui-même.”

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